domingo, 20 de julho de 2008

Assim vai a Matemática

"As negativas da Matemática no exame nacional do 9º ano caíram quase 30 pontos percentuais este ano, face a 2007, segundo dados revelados quinta-feira à noite pelo Ministério da Educação." - foi noticiado.

O Ministério da Educação informou que a «maioria dos alunos alcançou novamente uma classificação positiva na prova de Língua Portuguesa, enquanto na de Matemática «verifica-se a existência de progressos importantes, atribuíveis ao esforço de professores e alunos e a instrumentos de apoio».

Ninguém, em sã consciência, acredita neste milagre. Será os alunos do ano passado eram um desastre e que os deste ano são bons? É evidente que esta diferença não corresponde só a uma melhoria de aprendizagens. Não há possibilidade de, em Educação, analisar resultados de uma qualquer medida de um ano para o outro. Demora anos e anos... Uma legislatura não chega, para mal dos inúmeros ministros que a educação já contabiliza. Essa a maior razão do desastre educativo. Cada um que chega quer "meter o Rossio na Betesga"...

A Sociedade Portuguesa de Matemática considerou hoje que os resultados dos alunos do 9º ano à disciplina "na realidade, são piores" do que revelam as notas do exame nacional, porque as perguntas da prova, "na maioria dos casos, eram demasiado elementares". Por alguma razão uma aluna, na comunicação social lamentava não haver perguntas com algum grau de dificuldade para destacar os melhores alunos.

Numa turma de 7º ano, neste ano lectivo que está a terminar, uma apresentou esta resposta:
Repare-se como a aluna efectua a soma, alinhando oa números pelo primeiro algarismo, e como calcula o dobro, dividindo por dois.
O mais complicado foi explicar à aluna que chegou ao resultado certo por mero acaso. E com esse resultado certo, ainda conseguiu errar a alínea seguinte.

sábado, 19 de julho de 2008

Novas Oportunidades

Recebi por mail um filme com uma sátira às Novas Oportunidades, que podem ver aqui, em que o Tó diz: "Eu nem sabia que o Governo andava a dar cursos até que um dia abri um pacote de batatas fritas e saiu-me uma licenciatura (...) Parece que dá para dar aulas. Agora queria é que tivesse saído médico. Isso sim. (...) Já me disseram é que no bolicau é que saem cursos porreiros. Tenho de comprar bolicau."


Num jantar que de amigos, na passada quarta-feira, tentei resumir a um amigo, que é médico numa cidade nortenha, o conteúdo do filme. Ele contou-me uma conversa tida com uma doente. Vou tentar reproduzi-la.
- Ando muito cansada. O trabalho na fábrica é muito violento. Queria arranjar outra coisa e fui estudar outra vez porque só tinha o 5º ano. - diz a senhora dos seus 40 anos


- Fez muito bem. - disse o médico - E o que estudou?

- Fiz o 9º ano.

- Deve ter sido violento trabalhar todos os dias e ainda ir às aulas.

- Não ia à escola todos os dias. Só ia duas vezes por semana.

- Então era intensivo. Quantas horas de aula tinha? - perguntou o médico.

- Aquilo começava às 7 e pelas 8 e pouco saía. Ainda dava tempo para ir fazer o comer.

- Essas aulas realizaram-se durante um ano?

- Não. Começaram depois da Páscoa e acabaram no princípio de Julho.

- Então teve de fazer trabalhos escritos.

- Tive que fazer no computador a história da minha vida. Diz que é o currículo. Deu-me muito trabalho porque eu não sei mexer no computador mas os meus filhos ajudaram. Ainda tive que arranjar um dossiê para por os sumários.

- O que é isso dos sumários? – perguntou o médico.

- São as folhas que eles nos dão nas aulas.

- Teve, com certeza, que fazer uma prova oral.

- Não senhor doutor. Fui lá, entreguei o currículo e os sumários e a senhora deu-me os parabéns. Depois a Ministra deu-me o diploma.


Pessoas qualificadas assim estão tramadas e são aos milhares. Mas o importante para este executivo é que esta senhora, e os milhares que se qualificam assim, são números que entram para as estatísticas.