Segunda-feira, às 14:15 h fui chamada para uma substituição. Não havia plano de aula. A professora em causa tinha acabado de receber a sua aposentação antecipada e com penalização. Uma professora que já estava na escola onde lecciono quando para lá fui e eu já lá estou há 20 anos.
Dirigi-me à sala de aula. Estavam os (talvez) 28 alunos do 7º B que não conhecia. Muitos choravam e diziam "A Professora M. era nossa amiga. Ensinava bem e ajudava-nos muito".
Estes alunos só conheciam esta professora desde meados de Setembro.
Em contrate com isto, a professora estava num sino. Irradiava felicidade e até as lágrimas lhe vieram aos olhos de tanta alegria. Finalmente estava livre do inferno que se vive hoje nas escolas.
Analisando esta situação, só se pode concluir que algo está mal. Uma pessoa que dedicou uma vida ao ensino, uma professora de quem os alunos gostam ao ponto de chorar a sua saída abandona a profissão de uma vida sem tristeza e com penalização na sua reforma.
Como foi possível deixar que estas situações acontecessem? A debandada é geral.
Eu também espero, mais dia menos dia, a aposentação que pedi, também antecipada e também com penalização. Dediquei 36 anos da minha aos jovens e às escolas por onde andei. Nunca pensei "fugir" antes do tempo. Mas tenho andado a assistir às exéquias do ensino público. Quando chegar o funeral, desculpem, eu não quero estar lá.
sábado, 8 de novembro de 2008
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Patético
“Todos os meus assessores usam este computador (Magalhães) porque não precisam de outro.” - palavras de José Sócrates.
Estas palavras lembraram-me um poema de António Gedeão.
Estatística
Quando eu nasci havia em Portugal
(em Portugal continental
e nas ridentes,
verdes e calmas
ilhas adjacentes)
uns seis milhões e umas tantas mil almas.
Assim se lia no meu livrinho de Corografia
de António Eusébio de Morais Soajos.
Hoje, graças aos progressos da Higiene e da Pedagogia,
já somos quase dez milhões de gajos.
Estas palavras lembraram-me um poema de António Gedeão.
Estatística
Quando eu nasci havia em Portugal
(em Portugal continental
e nas ridentes,
verdes e calmas
ilhas adjacentes)
uns seis milhões e umas tantas mil almas.
Assim se lia no meu livrinho de Corografia
de António Eusébio de Morais Soajos.
Hoje, graças aos progressos da Higiene e da Pedagogia,
já somos quase dez milhões de gajos.
Etiquetas:
António Gedeão,
Magalhães,
Sócrates
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Pau de giz
No Pau de giz vou começar a transcrever pedaços de crónicas minhas publicadas há anos. Aproveito para relembrar e ver que o país onde tive a desdita de nascer não consegue mesmo progredir.
Hoje deixo aqui um pouco de "Ler, escrever e contar" publicada em Março de 2001.
"Todos acompanhámos as eleições americanas. Depois de semanas e semanas a contar, recontar e passar à lupa os boletins de voto, Bush lá chegou à presidência dos Estados Unidos da América. E, para começar, colocou no topo da agenda a educação. Elegeu-a como a sua paixão. (Onde é que eu já ouvi isto?). Pelos vistos Bush chegou à conclusão que a educação não está lá grande coisa. Acontece aos melhores. Mas o presidente é realista. Quer começar pelo princípio, com pequenos passos e propostas viáveis. Começar pelos mais pequeninos. Começar por baixo. Faz ele muito bem. A única coisa onde se começa por cima é a abrir buracos, sempre ouvi dizer desde miúda. Quer, então, o presidente que, dentro de quatro anos, todas as crianças saibam ler, escrever e contar quando completarem nove anos. Era exactamente o que nós devíamos querer. Quer, e muito bem, avaliar as escolas. É assim que deve ser. Exigir. Desde que sejam dadas as condições para tal. Quem não cumpre, deve ser penalizado por isso. Não se deve deixar impune quem não faz aquilo que é sua obrigação fazer. A todos os níveis.
A proposta feita por Bush foi aceite por democratas e republicanos. Ou seja, todos concordam que o ensino não vai bem e todos querem melhorar as coisas. Governo e oposição põem de parte as partidarices políticas para, conjuntamente, resolverem um problema que afecta todos os jovens que serão os homens e mulheres de amanhã. Por cá, quando um Governo, tenha ele a cor que tiver, faz uma proposta, só tem como certa uma coisa. A divergência da oposição. Qualquer que seja a proposta.
Querer que as crianças com 9 anos saibam ler, escrever e contar é querer na medida certa. Algo que podia muito bem ser copiado por nós. Aliás, nós já tivemos isso por cá. Já lá vai o tempo em que, com a quarta classe, se sabia ler, escrever e contar. Até se sabia muito mais do que isso. Nem tudo estaria bem nessa altura. Saber de cor as paragens e apeadeiros da linha do Norte ou da Beira Alta, convenhamos, que não tem grande interesse. Mas também tinha a vantagem de se ficar a saber que o Entroncamento não fica em Trás-os-Montes. E não me consta que haja gente traumatizada por ter aprendido, na instrução primária, a ler, escrever e contar como deve ser. Depois, uns iluminados chegaram à conclusão que as criancinhas de hoje não são feitas da mesma massa que eram as de algumas dezenas de anos atrás. Tudo as traumatiza. A talho de foice, conto aqui uma história de que tomei conhecimento há dias. Uma mãe, preocupada com a péssima caligrafia do filho, mal de que padece a grande maioria dos alunos, sugeriu à professora do 1º ciclo que pusesse os alunos a escrever em cadernos de linhas. A professora, escandalizada, argumentou que isso iria restringir a criatividade dos alunos. Bons tempos em havia caligrafia. Em que um a era um a ou um o era um o para toda a gente; em que um a minúsculo não era um A maiúsculo pequenino. Chegámos a isto. Os alunos completam o nono ano sem saber ler, escrever e contar. Mas o que se quer, de há muito tempo a esta parte, é que toda a gente tenha a escolaridade obrigatória. Mesmo que não saiba nada de nada. Em termos estatísticos, para consumo interno, isso conta muito.
..."
Hoje deixo aqui um pouco de "Ler, escrever e contar" publicada em Março de 2001.
"Todos acompanhámos as eleições americanas. Depois de semanas e semanas a contar, recontar e passar à lupa os boletins de voto, Bush lá chegou à presidência dos Estados Unidos da América. E, para começar, colocou no topo da agenda a educação. Elegeu-a como a sua paixão. (Onde é que eu já ouvi isto?). Pelos vistos Bush chegou à conclusão que a educação não está lá grande coisa. Acontece aos melhores. Mas o presidente é realista. Quer começar pelo princípio, com pequenos passos e propostas viáveis. Começar pelos mais pequeninos. Começar por baixo. Faz ele muito bem. A única coisa onde se começa por cima é a abrir buracos, sempre ouvi dizer desde miúda. Quer, então, o presidente que, dentro de quatro anos, todas as crianças saibam ler, escrever e contar quando completarem nove anos. Era exactamente o que nós devíamos querer. Quer, e muito bem, avaliar as escolas. É assim que deve ser. Exigir. Desde que sejam dadas as condições para tal. Quem não cumpre, deve ser penalizado por isso. Não se deve deixar impune quem não faz aquilo que é sua obrigação fazer. A todos os níveis.
A proposta feita por Bush foi aceite por democratas e republicanos. Ou seja, todos concordam que o ensino não vai bem e todos querem melhorar as coisas. Governo e oposição põem de parte as partidarices políticas para, conjuntamente, resolverem um problema que afecta todos os jovens que serão os homens e mulheres de amanhã. Por cá, quando um Governo, tenha ele a cor que tiver, faz uma proposta, só tem como certa uma coisa. A divergência da oposição. Qualquer que seja a proposta.
Querer que as crianças com 9 anos saibam ler, escrever e contar é querer na medida certa. Algo que podia muito bem ser copiado por nós. Aliás, nós já tivemos isso por cá. Já lá vai o tempo em que, com a quarta classe, se sabia ler, escrever e contar. Até se sabia muito mais do que isso. Nem tudo estaria bem nessa altura. Saber de cor as paragens e apeadeiros da linha do Norte ou da Beira Alta, convenhamos, que não tem grande interesse. Mas também tinha a vantagem de se ficar a saber que o Entroncamento não fica em Trás-os-Montes. E não me consta que haja gente traumatizada por ter aprendido, na instrução primária, a ler, escrever e contar como deve ser. Depois, uns iluminados chegaram à conclusão que as criancinhas de hoje não são feitas da mesma massa que eram as de algumas dezenas de anos atrás. Tudo as traumatiza. A talho de foice, conto aqui uma história de que tomei conhecimento há dias. Uma mãe, preocupada com a péssima caligrafia do filho, mal de que padece a grande maioria dos alunos, sugeriu à professora do 1º ciclo que pusesse os alunos a escrever em cadernos de linhas. A professora, escandalizada, argumentou que isso iria restringir a criatividade dos alunos. Bons tempos em havia caligrafia. Em que um a era um a ou um o era um o para toda a gente; em que um a minúsculo não era um A maiúsculo pequenino. Chegámos a isto. Os alunos completam o nono ano sem saber ler, escrever e contar. Mas o que se quer, de há muito tempo a esta parte, é que toda a gente tenha a escolaridade obrigatória. Mesmo que não saiba nada de nada. Em termos estatísticos, para consumo interno, isso conta muito.
..."
domingo, 26 de outubro de 2008
O computador do MST
Não sei onde está o computador do Miguel Sousa Tavares mas dava tudo para o ter na minha mão. Acho que uma vida inteira dedicada à educação merecia o gozo de poder dizer ao dito senhor que o seu computador estava nas mãos de uma professora que faz parte dos “inúteis mais bem pagos do país”, como ele disse. (aquele ódio visceral à classe docente já raia o patológico)
Dir-lhe-ia, ainda, que não queria mais nada dele em troca da pequena máquina, como ele pediu. Exigiria, somente, desse senhor um pedido público de desculpas a todos os professores a ser veiculado através de todos, mas todos mesmo, os órgãos de comunicação social.
Pena não poder oferecer-me esse prazer…
Dir-lhe-ia, ainda, que não queria mais nada dele em troca da pequena máquina, como ele pediu. Exigiria, somente, desse senhor um pedido público de desculpas a todos os professores a ser veiculado através de todos, mas todos mesmo, os órgãos de comunicação social.
Pena não poder oferecer-me esse prazer…
Onde anda a democracia?
Conheci Carlos Paiva ontem no lançamento do seu livro. Este professor escreveu “O Ensino Básico vai de mal a pior – uma abordagem pedagógica e política”. Para promover a sua apresentação e para o lançamento solicitou, por escrito, a uma escola pública do Concelho de Matosinhos, onde se lecciona o ensino básico, o aluguer do Pavilhão Polivalente da Escola. O Conselho Executivo informou, também por escrito, da impossibilidade de aluguer do referido Pavilhão sem dar qualquer justificação, tendo verbalmente considerado tal sessão como inconveniente e desadequada. O autor do livro solicitou mais esclarecimentos que não obteve.
Curiosamente essa mesma escola já, há tempos, permitiu o lançamento do livro de uma colega nas suas instalações.
A mulher de Carlos Paiva que, como eu, é professora dessa escola foi a outra escola do Concelho de Matosinhos pedir para deixar uns pequenos marcadores com a divulgação da sessão de lançamento do livro. Depois de muita persistência, um elemento do Conselho Executivo permitiu que esses inofensivos marcadores fossem colocados na sala dos professores. Contudo, o Vice-presidente da mesma escola, chamou a atenção da colega pelo facto de ter ousado entrar na sala dos professores "ainda por cima por causa disto", palavras do Vice-presidente mostrando o marcador. “Isto” era tão-somente um pedaço de papel de 5X19 cm.
Estes factos suscitam-me muita preocupação e levantam-me algumas dúvidas. Haverá Conselhos Executivos com medo? De quê? De quem? Colaborar com um colega que escreve um livro, não bajulando os responsáveis pela política educativa, comprometerá o cargo de Director que aí vem e que alguém estará interessado em ocupar? Um livro terá um poder tão grande que amedronte?
Mas isso pouco interesse tem. O que importa é que me andam a dizer que vivemos em democracia há 35 anos e eu não consigo vê-la. Ou me andam a enganar ou a graduação dos meus óculos não está correcta.
Felizmente ainda há Conselhos Executivos que sabem o que é liberdade de expressão e disponibilizam as suas instalações para o lançamento de um livro de um colega de trabalho. O da Escola Secundária Augusto Gomes, também no Concelho de Matosinhos, é um deles e merece toda a minha consideração.
Curiosamente essa mesma escola já, há tempos, permitiu o lançamento do livro de uma colega nas suas instalações.
A mulher de Carlos Paiva que, como eu, é professora dessa escola foi a outra escola do Concelho de Matosinhos pedir para deixar uns pequenos marcadores com a divulgação da sessão de lançamento do livro. Depois de muita persistência, um elemento do Conselho Executivo permitiu que esses inofensivos marcadores fossem colocados na sala dos professores. Contudo, o Vice-presidente da mesma escola, chamou a atenção da colega pelo facto de ter ousado entrar na sala dos professores "ainda por cima por causa disto", palavras do Vice-presidente mostrando o marcador. “Isto” era tão-somente um pedaço de papel de 5X19 cm.
Estes factos suscitam-me muita preocupação e levantam-me algumas dúvidas. Haverá Conselhos Executivos com medo? De quê? De quem? Colaborar com um colega que escreve um livro, não bajulando os responsáveis pela política educativa, comprometerá o cargo de Director que aí vem e que alguém estará interessado em ocupar? Um livro terá um poder tão grande que amedronte?
Mas isso pouco interesse tem. O que importa é que me andam a dizer que vivemos em democracia há 35 anos e eu não consigo vê-la. Ou me andam a enganar ou a graduação dos meus óculos não está correcta.
Felizmente ainda há Conselhos Executivos que sabem o que é liberdade de expressão e disponibilizam as suas instalações para o lançamento de um livro de um colega de trabalho. O da Escola Secundária Augusto Gomes, também no Concelho de Matosinhos, é um deles e merece toda a minha consideração.
sábado, 18 de outubro de 2008
Poema ao Magalhães
Chegou-me, via correio electrónico, este poema de Luís Costa, que não conheço. Achei-lhe graça e, antes de falar da famigerada acção de formação do Magalhães, deixo-o aqui.
Migalhães
Lá vem pelo avelar
O filho do Manel João
Vem do centro escolar
Cansado de palmilhar
A caminho da povoação
Não há médico na aldeia
E a antiga escola fechou
Não tem carne para a ceia
Nem petróleo para a candeia
Porque o dinheiro acabou
O seu pai foi para França
Trabalhar na construção
E a mãe desta criança
Trabalha na vizinhança
Lavando pratos e chão
Mas o puto vem contente
Com o Migalhães na mão
E passa por toda a gente
Em alegria aparente
De quem já sabe a lição
Um senhor muito invulgar
Que chegou com mais senhores
Veio para visitar
O novo centro escolar
E dar os computadores
E lá vem o Joãozinho
No seu contínuo vaivém
Calcorreando o caminho
Desesperando sozinho
À espera da sua mãe
Neste país de papões
A troco de dois vinténs
Agravam-se as disfunções
O rico ganha milhões
E o pobre Migalhães
Luís Costa
Migalhães
Lá vem pelo avelar
O filho do Manel João
Vem do centro escolar
Cansado de palmilhar
A caminho da povoação
Não há médico na aldeia
E a antiga escola fechou
Não tem carne para a ceia
Nem petróleo para a candeia
Porque o dinheiro acabou
O seu pai foi para França
Trabalhar na construção
E a mãe desta criança
Trabalha na vizinhança
Lavando pratos e chão
Mas o puto vem contente
Com o Migalhães na mão
E passa por toda a gente
Em alegria aparente
De quem já sabe a lição
Um senhor muito invulgar
Que chegou com mais senhores
Veio para visitar
O novo centro escolar
E dar os computadores
E lá vem o Joãozinho
No seu contínuo vaivém
Calcorreando o caminho
Desesperando sozinho
À espera da sua mãe
Neste país de papões
A troco de dois vinténs
Agravam-se as disfunções
O rico ganha milhões
E o pobre Migalhães
Luís Costa
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Sala dos Professores
Na avaliação de desempenho dos professores que a Ministra entendeu por em vigor com o aval dos sindicatos, que olham pelo interesse deles e não pelo de quem representam, o trabalho com os alunos na sala de aula é o que menos interessa. O que importa é que haja muitas, muitas, muitas grelhas cheias de texto, de preferência em eduquês. Como o dia dos professores é igual ao dos outros portugueses e estes "inúteis" (como lhes chama o "inútil" do Miguel Sousa Tavares) teimam em comer e dormir qualquer coisa, o tempo vai escassear para o que menos valor tem - as aulas.
Estou à vontade para falar desta avaliação porque, em primeiro lugar, já escrevi há muitos anos uma crónica sobre este tema, criticando a avaliação que estava em vigor e, em segundo lugar, porque enviei à Ministra, por escrito e aquando da discussão, a minha proposta de avaliação. Digo isto para que o Miguel Sousa Tavares, o Emídio Rangel, o Manuel Ribeiro e outros tantos que, repentinamente, se tornaram conhecedores dos problemas da educação sem nunca terem dado uma aula ao ensino não superior, não possam (ou melhor, não devam, porque poder podem tudo) dizer que eu sou contra a avaliação dos professores.
As editoras espreitaram o furo e aí estão elas a apresentar os seus materiais de apoio para a avaliação dos professores. Livros e livros com grelhas e grelhas. É só comprar...
E a procissão ainda vai no adro...
Etiquetas:
Avaliação dos Professores,
Educação
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Aberta a época da caça ao caloiro
Todos os anos, por esta altura, se reacende a minha preocupação ao ver aproximar-se a altura das “praxices”.
Em Setembro de 2003 escrevia eu numa crónica:
“Um novo ano escolar começou. E com ele há mais uma montanha de caloiros. Caloiros que vão ser aliciados para colaborar com a estupidez da praxe. A praxe foi uma tradição coimbrã, quando Coimbra era uma pequena cidade estudantil. Tudo o resto eram toscas imitações. Hoje em dia a praxe está deslocada, não tem qualquer justificação, é estúpida e selvagem. Não há razão de espécie alguma que justifique a humilhação de pessoas. Pôr os caloiros a quatro, feitos animais, a dizer obscenidades, colocar-lhes bosta na cara, obrigá-los a tirar a roupa ou a simular actos sexuais, mergulhá-los em tanques públicos são algumas das idiotices que os alunos mais velhos fazem aos caloiros. Mais grave. Fazem-no com orgulho e ainda acham graça. Não é assim que se inserem os novos alunos no novo mundo que os espera. O que se passa é perfeitamente lamentável.”
Os bandos com que já me cruzei e a televisão mostraram-me que as praxes começaram e a idiotice e grosseria dos praxistas, com idade para ter juízo, e muito deles idade para trabalhar, se mantêm. Com o pretexto da integração dos caloiros, os mais velhos sentem-se no direito de penalizar os caloiros que se recusam a ser praxados, impedindo-os de um dia se vestirem de zorros. Quem são estes galfarros para punir um(a) colega? Normalmente são os cábulas. Os que lá andam a gastar o nosso dinheiro. O dux já devia estar, há muitos anos, a trabalhar e a contribuir com os seus impostos para as necessidades das Universidades onde entram aqueles que ele anda a praxar.
Às palavras de uma caloira “Não sofram, não se deixem humilhar só porque têm o sonho da capa. Não se deixem enganar. A capa preta não vos dá mais dignidade”, eu acrescentaria. Não vão em carneiradas. Sejam capazes de dizer não. E não se esqueçam que, até hoje, nunca ninguém foi penalizado pelos actos que originaram problemas, alguns dos quais bem graves.
O Dr. Pacheco Pereira escreveu há muito tempo, a propósito das praxes, que “cada vez mais a única coisa que os estudantes transportam do liceu para a universidade é a sua carga de ignorância”. Não podia estar mais de acordo. Só isso justifica que, simultaneamente, se encantem e amedrontem com os mais velhos e não tenham a coragem de dizer não à praxe. Os mais velhos só têm mais do que os caloiros uma coisa – a idade. E mais idade, infelizmente, nem sempre corresponde a mais responsabilidade.
Em Setembro de 2003 escrevia eu numa crónica:
“Um novo ano escolar começou. E com ele há mais uma montanha de caloiros. Caloiros que vão ser aliciados para colaborar com a estupidez da praxe. A praxe foi uma tradição coimbrã, quando Coimbra era uma pequena cidade estudantil. Tudo o resto eram toscas imitações. Hoje em dia a praxe está deslocada, não tem qualquer justificação, é estúpida e selvagem. Não há razão de espécie alguma que justifique a humilhação de pessoas. Pôr os caloiros a quatro, feitos animais, a dizer obscenidades, colocar-lhes bosta na cara, obrigá-los a tirar a roupa ou a simular actos sexuais, mergulhá-los em tanques públicos são algumas das idiotices que os alunos mais velhos fazem aos caloiros. Mais grave. Fazem-no com orgulho e ainda acham graça. Não é assim que se inserem os novos alunos no novo mundo que os espera. O que se passa é perfeitamente lamentável.”
Os bandos com que já me cruzei e a televisão mostraram-me que as praxes começaram e a idiotice e grosseria dos praxistas, com idade para ter juízo, e muito deles idade para trabalhar, se mantêm. Com o pretexto da integração dos caloiros, os mais velhos sentem-se no direito de penalizar os caloiros que se recusam a ser praxados, impedindo-os de um dia se vestirem de zorros. Quem são estes galfarros para punir um(a) colega? Normalmente são os cábulas. Os que lá andam a gastar o nosso dinheiro. O dux já devia estar, há muitos anos, a trabalhar e a contribuir com os seus impostos para as necessidades das Universidades onde entram aqueles que ele anda a praxar.
Às palavras de uma caloira “Não sofram, não se deixem humilhar só porque têm o sonho da capa. Não se deixem enganar. A capa preta não vos dá mais dignidade”, eu acrescentaria. Não vão em carneiradas. Sejam capazes de dizer não. E não se esqueçam que, até hoje, nunca ninguém foi penalizado pelos actos que originaram problemas, alguns dos quais bem graves.
O Dr. Pacheco Pereira escreveu há muito tempo, a propósito das praxes, que “cada vez mais a única coisa que os estudantes transportam do liceu para a universidade é a sua carga de ignorância”. Não podia estar mais de acordo. Só isso justifica que, simultaneamente, se encantem e amedrontem com os mais velhos e não tenham a coragem de dizer não à praxe. Os mais velhos só têm mais do que os caloiros uma coisa – a idade. E mais idade, infelizmente, nem sempre corresponde a mais responsabilidade.
sábado, 27 de setembro de 2008
Pobre Fernão de Magalhães!
Fernão de Magalhães foi um português determinado, nascido em Trás-os-Montes, na segunda metade do século XV, que preparava as suas estratégias “como passos de dança”. “Dominava, como poucos, as técnicas de navegação. Isso levou-o a projectar uma viagem espantosa, que respondeu à grande questão da época: saber se a terra era esférica ou não”.
Participou na conquista de Malaca sob o comando de Afonso de Albuquerque, em 1513, e em 1519 inicia a primeira viagem de circum-navegação. Chegou à baía de Guanabara, alcançou a foz do Rio de Prata, passou na baía de S. Julião, desembocou no Pacífico, descobriu a ilha dos Ladrões e o arquipélago das Filipinas, onde morreu em combate.
Um português destes não merecia a “fantochada” que foi feita com os computadores, aos quais foi dado o seu nome, e que uma dúzia de governantes andou a distribuir por esse país fora.
Vamos primeiro às cenas que vimos e às que não vimos na televisão. O que vimos foi um alarido tal que só se justificava se o Fernão de Magalhães tivesse acabado de concluir a viagem de circum-navegação agora. Vimos um governo inteiro fechar “o tasco” para se passear pelo país fora numa acção de total e absoluta inutilidade. Os Directores Regionais, ou os próprios Conselhos Executivos das escolas podê-lo-iam ter feito.
Agora o que não vimos. Na escola de S. Mamede de Infesta, além do primeiro-ministro, estavam os operadores das redes móveis. Tudo acabado, faltava desmontar as tendas. Os operadores foram informados que tinham de esperar que o PM falasse e ele só falava às 13 h para entrar em directo nos telejornais. A P. telefonou-me indignada. Queria vir-se embora, precisava de almoçar, queria continuar o seu dia de trabalho e estava impedida de o fazer por causa da propaganda eleitoral do PS. A isto eu chamo falta de respeito pelos cidadãos que trabalham e que, ainda, não são obrigados a colaborar em festas eleitoralistas.
Agora falemos dos Magalhães computadores. Para que querem as crianças do primeiro ciclo um computador pessoal? Para jogar. Será isso tão educativo que mereça este investimento e este despropósito? Mais. Todas essas crianças já têm acesso aos computadores da escola e muitos deles têm-no em casa. Já estive, vários anos a dirigir a sala de estudo da escola onde lecciono. Contavam-se pelos dedos das mãos os alunos que recorriam aos computadores para trabalhar. Os jogos e a página do Futebol Clube do Porto eram a procura maioritária.
Enquanto se oferecem computadores a eito, na minha Área Disciplinar somos 12 professores e temos 1 (um) projector multimédia. É ver quem chega primeiro e o apanha. Que me interessa ter no meu portátil uma simulação, um programa, uma página interessantíssimas para os alunos, se chego à escola e não o posso mostrar porque outro(a) colega já “arrebanhou” o projector multimédia?
Pergunto eu. Não seria muito mais útil investir este balúrdio que foi gasto, do propagandeado plano tecnológico, no apetrechamento das escolas? Computadores têm as escolas em número mais que suficiente para todos os alunos que o não têm em casa.
Mas, para o cidadão ignorante (a maioria), apetrechar as escolas não lhes entra pela casa dentro. Não vêem como uma mais-valia. E os pais correspondem a muitos, muitos votos.
Haja paciência para tanta ignorância de uns e tanta hipocrisia dos outros.
Participou na conquista de Malaca sob o comando de Afonso de Albuquerque, em 1513, e em 1519 inicia a primeira viagem de circum-navegação. Chegou à baía de Guanabara, alcançou a foz do Rio de Prata, passou na baía de S. Julião, desembocou no Pacífico, descobriu a ilha dos Ladrões e o arquipélago das Filipinas, onde morreu em combate.
Um português destes não merecia a “fantochada” que foi feita com os computadores, aos quais foi dado o seu nome, e que uma dúzia de governantes andou a distribuir por esse país fora.
Vamos primeiro às cenas que vimos e às que não vimos na televisão. O que vimos foi um alarido tal que só se justificava se o Fernão de Magalhães tivesse acabado de concluir a viagem de circum-navegação agora. Vimos um governo inteiro fechar “o tasco” para se passear pelo país fora numa acção de total e absoluta inutilidade. Os Directores Regionais, ou os próprios Conselhos Executivos das escolas podê-lo-iam ter feito.
Agora o que não vimos. Na escola de S. Mamede de Infesta, além do primeiro-ministro, estavam os operadores das redes móveis. Tudo acabado, faltava desmontar as tendas. Os operadores foram informados que tinham de esperar que o PM falasse e ele só falava às 13 h para entrar em directo nos telejornais. A P. telefonou-me indignada. Queria vir-se embora, precisava de almoçar, queria continuar o seu dia de trabalho e estava impedida de o fazer por causa da propaganda eleitoral do PS. A isto eu chamo falta de respeito pelos cidadãos que trabalham e que, ainda, não são obrigados a colaborar em festas eleitoralistas.
Agora falemos dos Magalhães computadores. Para que querem as crianças do primeiro ciclo um computador pessoal? Para jogar. Será isso tão educativo que mereça este investimento e este despropósito? Mais. Todas essas crianças já têm acesso aos computadores da escola e muitos deles têm-no em casa. Já estive, vários anos a dirigir a sala de estudo da escola onde lecciono. Contavam-se pelos dedos das mãos os alunos que recorriam aos computadores para trabalhar. Os jogos e a página do Futebol Clube do Porto eram a procura maioritária.
Enquanto se oferecem computadores a eito, na minha Área Disciplinar somos 12 professores e temos 1 (um) projector multimédia. É ver quem chega primeiro e o apanha. Que me interessa ter no meu portátil uma simulação, um programa, uma página interessantíssimas para os alunos, se chego à escola e não o posso mostrar porque outro(a) colega já “arrebanhou” o projector multimédia?
Pergunto eu. Não seria muito mais útil investir este balúrdio que foi gasto, do propagandeado plano tecnológico, no apetrechamento das escolas? Computadores têm as escolas em número mais que suficiente para todos os alunos que o não têm em casa.
Mas, para o cidadão ignorante (a maioria), apetrechar as escolas não lhes entra pela casa dentro. Não vêem como uma mais-valia. E os pais correspondem a muitos, muitos votos.
Haja paciência para tanta ignorância de uns e tanta hipocrisia dos outros.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Sarcasmo
Vi e ouvi uma pequena parte do debate na Assembleia da República.
Estou a acabar de ler um livro de Julian Barnes que, num dos contos de "A mesa limão", diz que o sarcasmo é uma fraqueza moral. Foi o que eu vi no sorriso do nosso primeiro...
Estou a acabar de ler um livro de Julian Barnes que, num dos contos de "A mesa limão", diz que o sarcasmo é uma fraqueza moral. Foi o que eu vi no sorriso do nosso primeiro...
sábado, 20 de setembro de 2008
Fica o aviso
Após oito dias do início das aulas, continuam as visitas de altas figuras do Governo às escolas numa pura encenação de propaganda eleitoral. Quem assim age está obsessivamente empenhado em tentar compensar reformas erradas com uma estudada boa figura perante o país, através dos órgãos de comunicação social.
Sou adepta confessa da valorização do mérito. Mas do mérito mesmo. Não considero digno de mérito "ter um olho em terra de cegos". As escolas têm o seu “Quadro de Honra” e há Instituições como os Lions ou os Rotários que atribuem prémios aos melhores alunos das escolas da sua área. Absolutamente de acordo desde que as escolas não atribuam mérito a todos que têm uma média superior a um valor estipulado. Isso é tirar mérito ao mérito.
Institucionalizar o “Dia do Diploma” já me parece exagero. Os alunos que têm possibilidade de frequentar o 12º ano, não fazem mais do que a sua obrigação em conclui-lo. Fazem aquilo que devem fazer – trabalham. Não têm nisso mérito algum. Daí que considere fantochada, a entrega pelo Primeiro-ministro dos diplomas de fim de ciclo a tantos jovens. Com tantos problemas com os quais o país se debate, pensava eu que o PM teria mais que fazer do que andar a calcorrear o país, de escola em escola, acompanhando a Ministra da Educação.
A “atribuição dos Prémios de Mérito Ministério da Educação, criados com o objectivo de distinguir, em cada escola, o melhor aluno dos cursos científico-humanísticos e o melhor aluno dos cursos profissionais, tecnológicos ou do ensino artístico especializado” serviu para dar ao Governo mais uns largos minutos de antena. Pura campanha eleitoral. (Sobre estes prémios ainda me debruçarei numa próxima oportunidade já que não é tão linear como consta na página do Ministério).Pura propaganda eleitoral foi, também,a entrega de livros aos mais pequenos. Areia que atiram para os olhos dos portugueses que ainda se deixam levar por estas coisas. Uma jornalista de um canal televisivo referia a pertinência da entrega de livros num país onde um em cada dez portugueses são analfabetos.
Não tenho a pretensão de fazer ver o que se passa nas escolas a quem não vive o dia a dia de uma delas. Já desisti. Os fazedores de opinião (que nunca estiveram ligados ao ensino não superior mas são pagos para falar do que não sabem) já “construíram” a cabeça de muitos portugueses. Mas, com 36 anos de sala de aula, sinto-me no dever e com o direito de deixar um aviso. Este Governo sempre disse que era urgente qualificar os portugueses, nunca disse que era preciso prepará-los para algo. Portanto, está a cumprir esta promessa (deve ser a única). Está a qualificar aos milhares. Veja-se como esta senhora fez 4 anos em cerca de 25 horas.
Deixem continuar estas “reformas” que daqui por uma dezena de anos teremos 8 em cada 10 cidadãos analfabetos... mas qualificados. Os 2% que retirei referem-se aos que têm famílias com nível cultural e económico que lhes permite proporcionar aos seus filhos um ensino de qualidade e exigência.
Quem viver verá.
Eu espero estar cá para assistir ao povo a dizer “o rei vai nu”.
Fica o aviso.
Sou adepta confessa da valorização do mérito. Mas do mérito mesmo. Não considero digno de mérito "ter um olho em terra de cegos". As escolas têm o seu “Quadro de Honra” e há Instituições como os Lions ou os Rotários que atribuem prémios aos melhores alunos das escolas da sua área. Absolutamente de acordo desde que as escolas não atribuam mérito a todos que têm uma média superior a um valor estipulado. Isso é tirar mérito ao mérito.
Institucionalizar o “Dia do Diploma” já me parece exagero. Os alunos que têm possibilidade de frequentar o 12º ano, não fazem mais do que a sua obrigação em conclui-lo. Fazem aquilo que devem fazer – trabalham. Não têm nisso mérito algum. Daí que considere fantochada, a entrega pelo Primeiro-ministro dos diplomas de fim de ciclo a tantos jovens. Com tantos problemas com os quais o país se debate, pensava eu que o PM teria mais que fazer do que andar a calcorrear o país, de escola em escola, acompanhando a Ministra da Educação.
A “atribuição dos Prémios de Mérito Ministério da Educação, criados com o objectivo de distinguir, em cada escola, o melhor aluno dos cursos científico-humanísticos e o melhor aluno dos cursos profissionais, tecnológicos ou do ensino artístico especializado” serviu para dar ao Governo mais uns largos minutos de antena. Pura campanha eleitoral. (Sobre estes prémios ainda me debruçarei numa próxima oportunidade já que não é tão linear como consta na página do Ministério).Pura propaganda eleitoral foi, também,a entrega de livros aos mais pequenos. Areia que atiram para os olhos dos portugueses que ainda se deixam levar por estas coisas. Uma jornalista de um canal televisivo referia a pertinência da entrega de livros num país onde um em cada dez portugueses são analfabetos.
Não tenho a pretensão de fazer ver o que se passa nas escolas a quem não vive o dia a dia de uma delas. Já desisti. Os fazedores de opinião (que nunca estiveram ligados ao ensino não superior mas são pagos para falar do que não sabem) já “construíram” a cabeça de muitos portugueses. Mas, com 36 anos de sala de aula, sinto-me no dever e com o direito de deixar um aviso. Este Governo sempre disse que era urgente qualificar os portugueses, nunca disse que era preciso prepará-los para algo. Portanto, está a cumprir esta promessa (deve ser a única). Está a qualificar aos milhares. Veja-se como esta senhora fez 4 anos em cerca de 25 horas.
Deixem continuar estas “reformas” que daqui por uma dezena de anos teremos 8 em cada 10 cidadãos analfabetos... mas qualificados. Os 2% que retirei referem-se aos que têm famílias com nível cultural e económico que lhes permite proporcionar aos seus filhos um ensino de qualidade e exigência.
Quem viver verá.
Eu espero estar cá para assistir ao povo a dizer “o rei vai nu”.
Fica o aviso.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
AS ACND
Tenho na minha mão a cópia do ofício que seguiu ontem para a Caixa Geral de Aposentações e que diz:"A pedido da subscritora acima referenciada, somos a enviar requerimento de aposentação."
Não queria acabar assim a minha carreira. Dediquei-me demasiado e demasiados anos para me ver forçada a “fugir” da profissão que escolhi e da qual gostei muito. Mas esta equipa governativa não me dá alternativa. Transformaram-me em burocrata e o tempo que me dão para ser professora é insuficiente para exercer a profissão com a qualidade com que me orgulho de sempre o ter feito. Os fazedores de opinião, tipo Miguel Sousa Tavares, Emídio Rangel, Manuel Ribeiro e tantos outros trataram-me como a mais vil das criaturas. A Confederação Nacional das Associações de Pais, na voz do senhor Albino Almeida, também me ofendeu variadas vezes. A Ministra chamou-me publicamente professorazeca e foi o menor dos insultos. Gente desta não merece o que eu fiz pelo país que é de todos. Ficam eles. Eu vou. Atingi a exaustão.
Resta-me a consolação de ter ajudado a formar verdadeiros cidadãos que, depois de décadas, ainda me contactam e querem a minha assinatura nas fitas da sua pasta. Por eles, e apenas por eles, não dou o tempo por perdido.
Hoje vou ter uma reunião de professores que leccionar a Área de Projecto. Eu tenho essa área curricular não disciplinar (ACND) numa das turmas do oitavo ano.
Para a reunião foram-me enviados, para além da convocatória, 14 (catorze) documentos. A ver:
Grelha de Observação, Grelha de Avaliação, Ficha de Avaliação de Grupo, Ficha de Auto-Avaliação, Ficha de Avaliação Intermédia, Planificação das disciplinas intervenientes, Planificação Geral, Planificação de Grupo, Temas sugeridos, Projecto do Clube de Protecção civil do meu estabelecimento de ensino, Documentos com todas as etapas do trabalho de projecto, Despacho nº 19308 de 21 de Julho de 2008, Nos trilhos da Área de Projecto (documento com 14 páginas) e a lista dos docentes que irão leccionar a dita ACND.
Tudo isto me é enviado por mail, pelo que sou eu que imprimo toda esta “tralha” com impressora, papel e tinta que pago do meu bolso e que continuarei a pagar cada vez que me pedirem grelhas ou fichas preenchidas.
Mas eu sou professora da disciplina de Ciências Físico-Químicas, uma Área Curricular Disciplinar (ACD). Para esta disciplina eu tenho aulas para preparar, planificação anual e planificação para os encarregados de educação, grelhas para correcção de testes, grelhas para correcção de fichas de trabalho, grelhas para a avaliação sistemática na sala de aula, grelhas de observação para as aulas práticas e sei lá que mais. Ou bem que dou aulas como deve ser ou bem que preencho papelada.
Para terminar quero deixar aqui a lista das áreas curriculares, disciplinares ou não, que esta turma de miúdos do oitavo ano tem. Língua Portuguesa, Inglês, Francês, História, Geografia, Matemática, Ciências Naturais, Ciências Físico-Químicas, Educação Visual, Expressão Artística (um semestre), Educação Tecnológica (um semestre), Educação Física, PAM (Plano de Acção da Matemática), Formação Cívica, Estudo Acompanhado, Área de Projecto e Educação Moral e Religiosa Católica (facultativa). Contem-nas… eu vou para a reunião.
Não queria acabar assim a minha carreira. Dediquei-me demasiado e demasiados anos para me ver forçada a “fugir” da profissão que escolhi e da qual gostei muito. Mas esta equipa governativa não me dá alternativa. Transformaram-me em burocrata e o tempo que me dão para ser professora é insuficiente para exercer a profissão com a qualidade com que me orgulho de sempre o ter feito. Os fazedores de opinião, tipo Miguel Sousa Tavares, Emídio Rangel, Manuel Ribeiro e tantos outros trataram-me como a mais vil das criaturas. A Confederação Nacional das Associações de Pais, na voz do senhor Albino Almeida, também me ofendeu variadas vezes. A Ministra chamou-me publicamente professorazeca e foi o menor dos insultos. Gente desta não merece o que eu fiz pelo país que é de todos. Ficam eles. Eu vou. Atingi a exaustão.
Resta-me a consolação de ter ajudado a formar verdadeiros cidadãos que, depois de décadas, ainda me contactam e querem a minha assinatura nas fitas da sua pasta. Por eles, e apenas por eles, não dou o tempo por perdido.
Hoje vou ter uma reunião de professores que leccionar a Área de Projecto. Eu tenho essa área curricular não disciplinar (ACND) numa das turmas do oitavo ano.
Para a reunião foram-me enviados, para além da convocatória, 14 (catorze) documentos. A ver:
Grelha de Observação, Grelha de Avaliação, Ficha de Avaliação de Grupo, Ficha de Auto-Avaliação, Ficha de Avaliação Intermédia, Planificação das disciplinas intervenientes, Planificação Geral, Planificação de Grupo, Temas sugeridos, Projecto do Clube de Protecção civil do meu estabelecimento de ensino, Documentos com todas as etapas do trabalho de projecto, Despacho nº 19308 de 21 de Julho de 2008, Nos trilhos da Área de Projecto (documento com 14 páginas) e a lista dos docentes que irão leccionar a dita ACND.
Tudo isto me é enviado por mail, pelo que sou eu que imprimo toda esta “tralha” com impressora, papel e tinta que pago do meu bolso e que continuarei a pagar cada vez que me pedirem grelhas ou fichas preenchidas.
Mas eu sou professora da disciplina de Ciências Físico-Químicas, uma Área Curricular Disciplinar (ACD). Para esta disciplina eu tenho aulas para preparar, planificação anual e planificação para os encarregados de educação, grelhas para correcção de testes, grelhas para correcção de fichas de trabalho, grelhas para a avaliação sistemática na sala de aula, grelhas de observação para as aulas práticas e sei lá que mais. Ou bem que dou aulas como deve ser ou bem que preencho papelada.
Para terminar quero deixar aqui a lista das áreas curriculares, disciplinares ou não, que esta turma de miúdos do oitavo ano tem. Língua Portuguesa, Inglês, Francês, História, Geografia, Matemática, Ciências Naturais, Ciências Físico-Químicas, Educação Visual, Expressão Artística (um semestre), Educação Tecnológica (um semestre), Educação Física, PAM (Plano de Acção da Matemática), Formação Cívica, Estudo Acompanhado, Área de Projecto e Educação Moral e Religiosa Católica (facultativa). Contem-nas… eu vou para a reunião.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Que seria de nós sem o simplex?
Tenho um casal amigo que teve um jovem familiar a estudar na Dinamarca. Estiveram lá algumas vezes e um dia disseram-me: “Nunca vás à Dinamarca. Certinha, honesta, metódica e arrumada como és, de certeza que não regressas”. Vem isto a propósito de um episódio que vivi há minutos.
Fui aos serviços administrativos da minha escola entregar um documento necessário para completar o processo do pedido da reforma. Por lei podia pedi-la no dia 14 de Setembro. Como calha num domingo, seria espectável que o processo seguisse na segunda-feira, dia 15. Seria se eu estivesse na Dinamarca... O impresso que acompanha o processo tem que ser preenchido on-line. Depois de assinado por quem de direito, é anexado ao processo e enviado à Caixa Geral de Aposentações.
Mas o simplex tem coisas que nem ao diabo lembram. O impresso não aceita, no preenchimento on-line, a data do dia mas apenas a da véspera. Sendo assim, não pode ser preenchido no dia 15 porque a véspera é domingo e o computador não aceita. Terá de ser preenchido no dia 16 para figurar a data de 15.
Tudo isto num país onde, segundo li, o nosso primeiro se “licenciou” num domingo.
Neste país de filhos e enteados, os filhos são cada vez mais filhos e os enteados são cada vez mais enteados.
Fui aos serviços administrativos da minha escola entregar um documento necessário para completar o processo do pedido da reforma. Por lei podia pedi-la no dia 14 de Setembro. Como calha num domingo, seria espectável que o processo seguisse na segunda-feira, dia 15. Seria se eu estivesse na Dinamarca... O impresso que acompanha o processo tem que ser preenchido on-line. Depois de assinado por quem de direito, é anexado ao processo e enviado à Caixa Geral de Aposentações.
Mas o simplex tem coisas que nem ao diabo lembram. O impresso não aceita, no preenchimento on-line, a data do dia mas apenas a da véspera. Sendo assim, não pode ser preenchido no dia 15 porque a véspera é domingo e o computador não aceita. Terá de ser preenchido no dia 16 para figurar a data de 15.
Tudo isto num país onde, segundo li, o nosso primeiro se “licenciou” num domingo.
Neste país de filhos e enteados, os filhos são cada vez mais filhos e os enteados são cada vez mais enteados.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Roubar legalmente
Apresentei-me hoje ao serviço após as férias a que a lei me dá direito. Mas não pensem que chego ao serviço e começo a trabalhar. Não. Tenho de pagar para recomeçar o meu serviço após as férias. Sou obrigada a comprar, sem recibo, um impresso (cinco cêntimos, paguei hoje), do Ministério da Educação, que preencho. Só após a entrega desse impresso preenchido, eu estou efectivamente ao serviço.
Todos os anos é isto. Pago para ir trabalhar. E pago porque uma lei estúpida a tal me obriga. Mas pago sob protesto. E se tiver dois períodos de férias, são dois os impressos que compro, sem recibo.
Acho inaceitável ter de pagar para retomar o serviço depois das férias ou de um atestado médico. Quanto aos atestados, os que entreguei numa vida inteira de trabalho, não ultrapassaram a meia dúzia. Mas férias, gozo-as todos os anos.
A quantia em causa é insignificante mas o princípio, francamente, acho inadmissível. Tudo serve para nos roubarem dinheiro cujo destino nenhum de nós conhece pelo que temos o direito de fazer as nossas suposições. E, se multiplicarmos os 50 cêntimos por milhares de professores todos os anos, já dá uma quantia bastante razoável.
Será que os ministros e afins também compram um impresso para retomar o serviço?
É o país que temos. O Governo não aparece encapuçado, não vem armado mas rouba da mesma maneira. Oferece a si mesmo as leis que lhe permitem roubar legalmente.
Todos os anos é isto. Pago para ir trabalhar. E pago porque uma lei estúpida a tal me obriga. Mas pago sob protesto. E se tiver dois períodos de férias, são dois os impressos que compro, sem recibo.
Acho inaceitável ter de pagar para retomar o serviço depois das férias ou de um atestado médico. Quanto aos atestados, os que entreguei numa vida inteira de trabalho, não ultrapassaram a meia dúzia. Mas férias, gozo-as todos os anos.
A quantia em causa é insignificante mas o princípio, francamente, acho inadmissível. Tudo serve para nos roubarem dinheiro cujo destino nenhum de nós conhece pelo que temos o direito de fazer as nossas suposições. E, se multiplicarmos os 50 cêntimos por milhares de professores todos os anos, já dá uma quantia bastante razoável.
Será que os ministros e afins também compram um impresso para retomar o serviço?
É o país que temos. O Governo não aparece encapuçado, não vem armado mas rouba da mesma maneira. Oferece a si mesmo as leis que lhe permitem roubar legalmente.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Os pequenos déspotas
Em cada ano lectivo que começa, e está mais um a começar, a minha desmotivação é maior. Sinto-me cada vez mais sem chão nesta sociedade onde o desmoronar de valores chegou ao limite. A instrução que deveria ser dada na escola não faz sentido sem antes ter havido a educação que pertence aos pais e à sociedade. Porque resumir educação a instrução é extremamente limitativo.
Que valores transmite esta sociedade às crianças e aos jovens? Os jovens nascem e crescem numa sociedade onde grassa a mediocridade. Onde o sucesso não está associado ao trabalho. Onde todos se sentem cheios de direitos mas muito poucos olham para os seus deveres. Onde a exigência é uma palavra vã. Onde não compensa ser cumpridor. Onde quem não cumpre, se gaba de o não fazer. Onde o crime compensa desde o atestado médico falso ou da fuga aos impostos à irresponsabilidade dos políticos. Os exemplos que as crianças e os jovens vêem à sua volta são lamentáveis e não são minimamente educativos.
Ouvimos os empregadores queixarem-se da falta de preparação dos recém licenciados. Os professores do superior sacodem a culpa para os do secundário. Os do secundário para os do básico. Os do básico para os do primeiro ciclo. E, possivelmente, estes para os pais. Todos têm razão e todos fazem parte do problema e da solução.
O que se tem investido na educação nos últimos 30 anos não tem resultado. Mudar programas e currículos não tem sido mais do que desperdiçar dinheiros públicos. É preciso mudar pessoas. Professores, pais, alunos e políticos. Depois do 25 de Abril, assumiu-se que tudo traumatizava as crianças e os jovens. Em casa e na escola. Passaram a ser tratados como uns seres esquisitos susceptíveis a traumas pela mais pequena coisa. Nada lhes pode ser exigido mas eles podem exigir tudo. A palavra não deixou de fazer parte do vocabulário dos pais. Aqueles que ainda ousam pronunciar essa palavra, rapidamente a transformam num nim e depois num sim ou num silêncio permissivo. Quem manda em casa são os filhos. Os pequenos déspotas. Não se lhes ensina que há tempos de trabalho e tempos de lazer. Tudo para eles tem que ser a brincar. As novas pedagogias assim o determinam. As aulas não deviam ser tempos de lazer mas momentos de trabalho. Trabalho sério. A geração do pós 25 de Abril não aprendeu nem conteúdos programáticos nem a mais elementar cultura geral. A geração que hoje anda na casa dos trintas. Geração dos novos pais, dos novos professores, dos novos políticos.
Os portugueses não dão valor à aprendizagem. Toda e qualquer aprendizagem. As estatísticas mostram que metade dos portugueses não quer qualquer formação ao longo da vida. As crianças crescem a ver e viver isso. Crescem também a não dar valor a nada. Tudo o que têm é-lhes dado. Aparece. Sem mais. Quando chegam à escola querem uma aprovação ou uma determinada avaliação sem terem feito o esforço necessário para a conquistar. Em casa têm a televisão, os DVDs, as playstations a que recorrem quando lhes apetece sem qualquer limitação ou regra. Não são habituados, desde pequeninos a ter hábitos de disciplina, de esforço, de trabalho. Sem uma educação exigente não se formam cidadãos competentes. E com cidadãos incompetentes não pode haver uma educação exigente. Estamos num círculo vicioso.
Quando eu era miúda, havia uma prenda no Natal. Uma. À qual se dava um valor incomensurável. Durante meses o brinquedo era explorado até à exaustão. Hoje as crianças têm tantos brinquedos que se limitam a rasgar o papel de embrulho e pôr para o lado para rasgar o papel da próxima que voltam a pôr para o lado.
Comprava-se uma pasta de couro que durava toda a primária. Hoje têm – exigem – uma mochila, no mínimo, por cada ano escolar. E todo o material escolar tem que ser de uma determinada marca, mais cara evidentemente. Os portugueses não têm a noção das prioridades. Desde o mais humilde cidadão ao mais conceituado membro do Governo. Os pais deviam explicar às crianças, desde pequeninas, que se tem o que é necessário e não o que se quer.
Tantas vezes fico estupefacta ao ver a maneira como as crianças e os jovens tratam os pais. Não os respeitam possivelmente porque eles não lhes incutiram a noção do respeito pelos outros. Como não lhes incutem o prazer pelo saber. A grande maioria dos jovens não tem interesse pelo saber. Não manifesta qualquer curiosidade intelectual. Quer apenas passar. Querer esse que é partilhado pelos pais.
Para não ficarem comprometidas as gerações futuras era necessário agir já. Exigindo de todos. Todos mesmo.
(Adaptação de uma crónica publicada em Setembro de 2004)
Que valores transmite esta sociedade às crianças e aos jovens? Os jovens nascem e crescem numa sociedade onde grassa a mediocridade. Onde o sucesso não está associado ao trabalho. Onde todos se sentem cheios de direitos mas muito poucos olham para os seus deveres. Onde a exigência é uma palavra vã. Onde não compensa ser cumpridor. Onde quem não cumpre, se gaba de o não fazer. Onde o crime compensa desde o atestado médico falso ou da fuga aos impostos à irresponsabilidade dos políticos. Os exemplos que as crianças e os jovens vêem à sua volta são lamentáveis e não são minimamente educativos.
Ouvimos os empregadores queixarem-se da falta de preparação dos recém licenciados. Os professores do superior sacodem a culpa para os do secundário. Os do secundário para os do básico. Os do básico para os do primeiro ciclo. E, possivelmente, estes para os pais. Todos têm razão e todos fazem parte do problema e da solução.
O que se tem investido na educação nos últimos 30 anos não tem resultado. Mudar programas e currículos não tem sido mais do que desperdiçar dinheiros públicos. É preciso mudar pessoas. Professores, pais, alunos e políticos. Depois do 25 de Abril, assumiu-se que tudo traumatizava as crianças e os jovens. Em casa e na escola. Passaram a ser tratados como uns seres esquisitos susceptíveis a traumas pela mais pequena coisa. Nada lhes pode ser exigido mas eles podem exigir tudo. A palavra não deixou de fazer parte do vocabulário dos pais. Aqueles que ainda ousam pronunciar essa palavra, rapidamente a transformam num nim e depois num sim ou num silêncio permissivo. Quem manda em casa são os filhos. Os pequenos déspotas. Não se lhes ensina que há tempos de trabalho e tempos de lazer. Tudo para eles tem que ser a brincar. As novas pedagogias assim o determinam. As aulas não deviam ser tempos de lazer mas momentos de trabalho. Trabalho sério. A geração do pós 25 de Abril não aprendeu nem conteúdos programáticos nem a mais elementar cultura geral. A geração que hoje anda na casa dos trintas. Geração dos novos pais, dos novos professores, dos novos políticos.
Os portugueses não dão valor à aprendizagem. Toda e qualquer aprendizagem. As estatísticas mostram que metade dos portugueses não quer qualquer formação ao longo da vida. As crianças crescem a ver e viver isso. Crescem também a não dar valor a nada. Tudo o que têm é-lhes dado. Aparece. Sem mais. Quando chegam à escola querem uma aprovação ou uma determinada avaliação sem terem feito o esforço necessário para a conquistar. Em casa têm a televisão, os DVDs, as playstations a que recorrem quando lhes apetece sem qualquer limitação ou regra. Não são habituados, desde pequeninos a ter hábitos de disciplina, de esforço, de trabalho. Sem uma educação exigente não se formam cidadãos competentes. E com cidadãos incompetentes não pode haver uma educação exigente. Estamos num círculo vicioso.
Quando eu era miúda, havia uma prenda no Natal. Uma. À qual se dava um valor incomensurável. Durante meses o brinquedo era explorado até à exaustão. Hoje as crianças têm tantos brinquedos que se limitam a rasgar o papel de embrulho e pôr para o lado para rasgar o papel da próxima que voltam a pôr para o lado.
Comprava-se uma pasta de couro que durava toda a primária. Hoje têm – exigem – uma mochila, no mínimo, por cada ano escolar. E todo o material escolar tem que ser de uma determinada marca, mais cara evidentemente. Os portugueses não têm a noção das prioridades. Desde o mais humilde cidadão ao mais conceituado membro do Governo. Os pais deviam explicar às crianças, desde pequeninas, que se tem o que é necessário e não o que se quer.
Tantas vezes fico estupefacta ao ver a maneira como as crianças e os jovens tratam os pais. Não os respeitam possivelmente porque eles não lhes incutiram a noção do respeito pelos outros. Como não lhes incutem o prazer pelo saber. A grande maioria dos jovens não tem interesse pelo saber. Não manifesta qualquer curiosidade intelectual. Quer apenas passar. Querer esse que é partilhado pelos pais.
Para não ficarem comprometidas as gerações futuras era necessário agir já. Exigindo de todos. Todos mesmo.
(Adaptação de uma crónica publicada em Setembro de 2004)
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
A ida à urgência
Felizmente a minha saúde tem-me poupado a idas às urgências dos hospitais públicos. São locais que me deixam em pânico essencialmente pela desumanização que sei que vou encontrar como já encontrei quando tive uma filha internada com uma gravidez de risco que, depois de muitos maus momentos, acabou bem. Ontem lá tive que ir à urgência do hospital da minha residência. O tempo de espera até à chamada para a triagem foi bastante razoável. Às 11:39 h, com uma pulseira verde, lá fui enviada para outra sala de espera onde estava este enorme quadro na parede.
Como não estava muita gente (e eu sou inocente nestas coisas, felizmente) pensei que os 120 minutos de espera eram um exagero. Entretanto começaram a entrar pulseiras amarelas umas atrás das outras. Lá passavam à frente, chamados por vozes brasileiras e espanholas. E eu a vê-las passar. O ar condicionado estava fortíssimo e eu já tiritava esticando, em vão, as mangas curtas da camisa. Os 120 minutos passaram e resolvi telefonar a uma das filhas para me levar lá um casaco quente, um livro para ajudar a passar o tempo, uma garrafa de algo que se bebesse e umas bolachas para não cair redonda de frio e fome. Lá vesti o casaco de lã, bem quente, e alimentei minimamente o físico. Às 17 h, a médica brasileira acabou por chamar o meu nome, fez o diagnóstico, medicou-me logo e mandou-me embora com uma receita para aviar. Às 17:45 h voltei, finalmente, a ver a luz do dia. Conclui, então, que “tempo alvo” significa “tempo mínimo”. Estamos sempre a aprender.
Já não temos médicos portugueses para nos atenderem nas urgências. Estamos agora e pagar o resultado da contínua cedência à classe profissional que mais lutou pelo seu feudo. E que sempre o conseguiu. A contínua limitação das entradas para medicina, tinha que ter o seu preço e cá estamos nós a pagá-lo.
Começou a aumentar a procura da língua espanhola para os nossos jovens irem tirar o curso de medicina em Espanha. E os médicos portugueses têm os seus postos nos hospitais públicos em part-time e os seus lucros chorudos nos consultórios no outro meio tempo. A classe médica foi sempre muitíssimo favorecida. É a única que tem o seu emprego garantido no final do curso e a que tem aumento de ordenado se optar por trabalhar em regime de exclusividade. Algo que foi muitíssimo útil (não sei ainda assim é) para passar uma vida inteira a trabalhar no público e no privado e, a meia dúzia de anos do fim da carreira, pedir e exclusividade para garantir uma maior reforma.
Em 2004, a Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior sugeriu que o acesso a todos os cursos de Medicina e Medicina Dentária públicos fosse sujeito a uma prova nacional de acesso cujo peso na nota de candidatura ao ensino superior será de 50%. Depois de testada essa ideia foi, pura e simplesmente abandonada. Perguntei a um aluno meu que estava em medicina (depois de ter concluído o curso de enfermagem) o que pensava dessa prova “Concordo e acho que uma prova como essa devia existir para todos os cursos. Era uma garantia que entravam os melhores para a área específica a que se candidatavam. No entanto na experiência feita, a média nacional andou à volta de 7. Por uma questão de imagem não querem implementá-la. A média de acesso a Medicina passava a ser mais baixa do que muitos outros cursos. Eu acho que para o acesso a cursos da área da saúde era necessário, além de uma prova que testasse conhecimentos, a realização de provas, isentas e transparentes, que avaliassem as qualidades humanas do candidato. Não nos podemos esquecer que nestes cursos trabalhamos com pessoas. Pessoas que, ainda por cima, estão fragilizadas. É a saúde das pessoas que está em jogo.” Que bom seria se houvesse muitos médicos a pensar assim!
Os médicos são imprescindíveis mas Deus nos livre de precisar deles.
Como não estava muita gente (e eu sou inocente nestas coisas, felizmente) pensei que os 120 minutos de espera eram um exagero. Entretanto começaram a entrar pulseiras amarelas umas atrás das outras. Lá passavam à frente, chamados por vozes brasileiras e espanholas. E eu a vê-las passar. O ar condicionado estava fortíssimo e eu já tiritava esticando, em vão, as mangas curtas da camisa. Os 120 minutos passaram e resolvi telefonar a uma das filhas para me levar lá um casaco quente, um livro para ajudar a passar o tempo, uma garrafa de algo que se bebesse e umas bolachas para não cair redonda de frio e fome. Lá vesti o casaco de lã, bem quente, e alimentei minimamente o físico. Às 17 h, a médica brasileira acabou por chamar o meu nome, fez o diagnóstico, medicou-me logo e mandou-me embora com uma receita para aviar. Às 17:45 h voltei, finalmente, a ver a luz do dia. Conclui, então, que “tempo alvo” significa “tempo mínimo”. Estamos sempre a aprender.Já não temos médicos portugueses para nos atenderem nas urgências. Estamos agora e pagar o resultado da contínua cedência à classe profissional que mais lutou pelo seu feudo. E que sempre o conseguiu. A contínua limitação das entradas para medicina, tinha que ter o seu preço e cá estamos nós a pagá-lo.
Começou a aumentar a procura da língua espanhola para os nossos jovens irem tirar o curso de medicina em Espanha. E os médicos portugueses têm os seus postos nos hospitais públicos em part-time e os seus lucros chorudos nos consultórios no outro meio tempo. A classe médica foi sempre muitíssimo favorecida. É a única que tem o seu emprego garantido no final do curso e a que tem aumento de ordenado se optar por trabalhar em regime de exclusividade. Algo que foi muitíssimo útil (não sei ainda assim é) para passar uma vida inteira a trabalhar no público e no privado e, a meia dúzia de anos do fim da carreira, pedir e exclusividade para garantir uma maior reforma.
Em 2004, a Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior sugeriu que o acesso a todos os cursos de Medicina e Medicina Dentária públicos fosse sujeito a uma prova nacional de acesso cujo peso na nota de candidatura ao ensino superior será de 50%. Depois de testada essa ideia foi, pura e simplesmente abandonada. Perguntei a um aluno meu que estava em medicina (depois de ter concluído o curso de enfermagem) o que pensava dessa prova “Concordo e acho que uma prova como essa devia existir para todos os cursos. Era uma garantia que entravam os melhores para a área específica a que se candidatavam. No entanto na experiência feita, a média nacional andou à volta de 7. Por uma questão de imagem não querem implementá-la. A média de acesso a Medicina passava a ser mais baixa do que muitos outros cursos. Eu acho que para o acesso a cursos da área da saúde era necessário, além de uma prova que testasse conhecimentos, a realização de provas, isentas e transparentes, que avaliassem as qualidades humanas do candidato. Não nos podemos esquecer que nestes cursos trabalhamos com pessoas. Pessoas que, ainda por cima, estão fragilizadas. É a saúde das pessoas que está em jogo.” Que bom seria se houvesse muitos médicos a pensar assim!
Os médicos são imprescindíveis mas Deus nos livre de precisar deles.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Os milagreiros
Maria de Lurdes Rodrigues conseguiu o milagre fácil de transformar alunos que nada sabem de Matemática, em génios matemáticos. Mandou elaborar provas que até os mais ignorantes conseguissem fazer. Foi o milagre da multiplicação das avaliações.
Agora é a vez de José Sócrates fazer o seu milagre.
“O primeiro-ministro acredita que o actual Governo vai conseguir concluir a promessa de criar 150 mil novos postos de trabalho até ao final do mandato, tendo em conta que desde Março de 2005 até agora houve criação líquida de 133 mil empregos, afirmou hoje José Sócrates, nas primeiras declarações após o regresso de férias.” – escreve o Público.
Detesto que me tomem por parva e esta rentrée do primeiro-ministro vai nesse sentido. Todos sabemos que o desemprego está muito maior do que quando este Governo tomou posse. Fábricas a fechar ou a despedir pessoal são aos montes. Licenciados nas caixas dos hipermercados, a conduzir táxis, … são inúmeros. E não vale a pena continuar porque todos os que não fazem parte do Governo conhecem a realidade do país.
Ou os postos de trabalho são "líquidos" (como diz a notícia) e escorregam pelos dedos ou o milagre é tão simples quanto isto: se eu despedir 40 trabalhadores e arranjar emprego para 30, consegui criar 30 postos de trabalho.
Valham-nos os Santos milagrosos a sério!
Agora é a vez de José Sócrates fazer o seu milagre.
“O primeiro-ministro acredita que o actual Governo vai conseguir concluir a promessa de criar 150 mil novos postos de trabalho até ao final do mandato, tendo em conta que desde Março de 2005 até agora houve criação líquida de 133 mil empregos, afirmou hoje José Sócrates, nas primeiras declarações após o regresso de férias.” – escreve o Público.
Detesto que me tomem por parva e esta rentrée do primeiro-ministro vai nesse sentido. Todos sabemos que o desemprego está muito maior do que quando este Governo tomou posse. Fábricas a fechar ou a despedir pessoal são aos montes. Licenciados nas caixas dos hipermercados, a conduzir táxis, … são inúmeros. E não vale a pena continuar porque todos os que não fazem parte do Governo conhecem a realidade do país.
Ou os postos de trabalho são "líquidos" (como diz a notícia) e escorregam pelos dedos ou o milagre é tão simples quanto isto: se eu despedir 40 trabalhadores e arranjar emprego para 30, consegui criar 30 postos de trabalho.
Valham-nos os Santos milagrosos a sério!
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
O jornalismo que temos
Ontem assistimos pelas televisões a uma história de terror ao vivo. Dois criminosos mantiveram como reféns, durante horas e horas, dois portugueses que estavam no seu posto de trabalho. Uma situação perfeitamente inaceitável que foi, a meu ver, muito bem gerida pela polícia. Felizmente acabou com os inocentes a salvo.
Mas não quero falar do caso. Apenas lamentar a maneira como as televisões acompanharam o caso. Horas e horas de emissão. Repetição exaustiva das mesmas informações. Descrição pormenorizada de pormenores sem interesse absolutamente nenhum. A cor das luvas, do calçado, sei lá... dos assaltantes! Entre frases o irritante ammm ammm para entreter que o texto não dá para mais de dois minutos. Um voyerismo bacoco. Lamentável.
Lembrei-me de um artigo com que me deliciei em 2004 e que não resisto a deixar aqui. Com um humor delicioso, Joaquim Fidalgo, fala-nos de um jornal que, por acaso era da TVI, mas podia ser de qualquer outra estação televisiva.
Que É do Terço?...
O caso é sério: alguém roubou o terço da santinha de Balazar. Exactamente. O terço. Não um terço qualquer. O terço da santinha. Da santinha de Balazar. Roubado, o terço. Surripiado. Subtraído. Levado. De Balazar. Da casa da santinha, da sua própria casa. Por estes dias, talvez num domingo.
O caso é sério, já se vê. Tão sério que chegou ao Jornal Nacional da TVI, como podia não ter chegado?..., ao principal noticiário do dia, ao telejornal de maior audiência, no período de maior audiência, no "prime time", que é como se chama àquela meia dúzia de horas em que podemos assistir a uma telenovela, depois a outra telenovela, depois a uma série de pequenas telenovelas (sim, há quem lhe chame "Jornal Nacional", mas isso é do hábito...), depois a outra telenovela e depois a outra telenovela. E chega, que já passa da meia-noite, acabou o "prime time", é altura de dar um filme qualquer, senão a gente nunca mais vai dormir.
Mas o terço, então. É. Roubaram-no. O terço da santinha de Balazar. Não foi da santinha da Ladeira, não senhor. Nem da santinha de Arcozelo. Foi mesmo o terço da santinha de Balazar. O autêntico. O único. O dela. Eu sei, porque a TVI contou-me tudo tintim por tintim. No Jornal Nacional. Não foi a primeira notícia do dia (e por que não?...), mas também não foi a última, sim, que eu bem sei, o dito telejornal começou às oito e ainda não eram nove quando deu a reportagem do terço roubado, portanto ainda as notícias iam a meio, elas que agora, na TVI, vão sempre além das nove e meia, chegam quase às dez, às vezes até atrasam a telenovela seguinte, mas paciência, os senhores não têm culpa, acontece sempre tanta coisa todos os dias, tanto terço roubado e assim, tanto acidente na estrada, tanto pai que bate ao filho e tanta filha que bate à mãe, tanta casa sem água e tanta rua sem passeio, tanta abóbora de dez quilos e tanto peixe sem espinhas, sei lá, o ror de coisas que acontecem cá pela terra e que é preciso noticiar no Jornal Nacional, e isto para não falar do que acontece lá fora, sim, que o mundo lá fora também interessa, não é só por cá que os filhos batem nos pais e as mães batem nas filhas, não, coisas dessas acontecem em todo o mundo e é preciso noticiar.
Mas o terço, o terço, o terço é que não me sai da cabeça. Roubaram-no. O terço da santinha. Da santinha de Balazar. Eu vi tudo, foi lá o repórter e contou, e mostrou, e entrevistou, e fez voto de que tudo se resolva em breve, que o ladrão tenha um rebate de consciência e lá vá devolver o terço, oxalá, ele que deve andar com remorsos porque "a santinha sabe quem foi", lá dizia uma senhora, "a santinha vê tudo", é quase como nós a ver a TVI, também vemos tudo, dentro e fora das casas, dentro e fora da vida da gente, até vemos o terço, não, o terço não vimos, mas só porque o roubaram, essa é que é essa. Mas havemos de o ver, o terço, quando ele voltar. Eu, por mim, estou à espera. E, como eu, centenas. Milhares. Milhões.
Era bom que a TVI me fosse mantendo informado sobre o assunto.
Mas não quero falar do caso. Apenas lamentar a maneira como as televisões acompanharam o caso. Horas e horas de emissão. Repetição exaustiva das mesmas informações. Descrição pormenorizada de pormenores sem interesse absolutamente nenhum. A cor das luvas, do calçado, sei lá... dos assaltantes! Entre frases o irritante ammm ammm para entreter que o texto não dá para mais de dois minutos. Um voyerismo bacoco. Lamentável.
Lembrei-me de um artigo com que me deliciei em 2004 e que não resisto a deixar aqui. Com um humor delicioso, Joaquim Fidalgo, fala-nos de um jornal que, por acaso era da TVI, mas podia ser de qualquer outra estação televisiva.
Que É do Terço?...
O caso é sério: alguém roubou o terço da santinha de Balazar. Exactamente. O terço. Não um terço qualquer. O terço da santinha. Da santinha de Balazar. Roubado, o terço. Surripiado. Subtraído. Levado. De Balazar. Da casa da santinha, da sua própria casa. Por estes dias, talvez num domingo.
O caso é sério, já se vê. Tão sério que chegou ao Jornal Nacional da TVI, como podia não ter chegado?..., ao principal noticiário do dia, ao telejornal de maior audiência, no período de maior audiência, no "prime time", que é como se chama àquela meia dúzia de horas em que podemos assistir a uma telenovela, depois a outra telenovela, depois a uma série de pequenas telenovelas (sim, há quem lhe chame "Jornal Nacional", mas isso é do hábito...), depois a outra telenovela e depois a outra telenovela. E chega, que já passa da meia-noite, acabou o "prime time", é altura de dar um filme qualquer, senão a gente nunca mais vai dormir.
Mas o terço, então. É. Roubaram-no. O terço da santinha de Balazar. Não foi da santinha da Ladeira, não senhor. Nem da santinha de Arcozelo. Foi mesmo o terço da santinha de Balazar. O autêntico. O único. O dela. Eu sei, porque a TVI contou-me tudo tintim por tintim. No Jornal Nacional. Não foi a primeira notícia do dia (e por que não?...), mas também não foi a última, sim, que eu bem sei, o dito telejornal começou às oito e ainda não eram nove quando deu a reportagem do terço roubado, portanto ainda as notícias iam a meio, elas que agora, na TVI, vão sempre além das nove e meia, chegam quase às dez, às vezes até atrasam a telenovela seguinte, mas paciência, os senhores não têm culpa, acontece sempre tanta coisa todos os dias, tanto terço roubado e assim, tanto acidente na estrada, tanto pai que bate ao filho e tanta filha que bate à mãe, tanta casa sem água e tanta rua sem passeio, tanta abóbora de dez quilos e tanto peixe sem espinhas, sei lá, o ror de coisas que acontecem cá pela terra e que é preciso noticiar no Jornal Nacional, e isto para não falar do que acontece lá fora, sim, que o mundo lá fora também interessa, não é só por cá que os filhos batem nos pais e as mães batem nas filhas, não, coisas dessas acontecem em todo o mundo e é preciso noticiar.
Mas o terço, o terço, o terço é que não me sai da cabeça. Roubaram-no. O terço da santinha. Da santinha de Balazar. Eu vi tudo, foi lá o repórter e contou, e mostrou, e entrevistou, e fez voto de que tudo se resolva em breve, que o ladrão tenha um rebate de consciência e lá vá devolver o terço, oxalá, ele que deve andar com remorsos porque "a santinha sabe quem foi", lá dizia uma senhora, "a santinha vê tudo", é quase como nós a ver a TVI, também vemos tudo, dentro e fora das casas, dentro e fora da vida da gente, até vemos o terço, não, o terço não vimos, mas só porque o roubaram, essa é que é essa. Mas havemos de o ver, o terço, quando ele voltar. Eu, por mim, estou à espera. E, como eu, centenas. Milhares. Milhões.
Era bom que a TVI me fosse mantendo informado sobre o assunto.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Já lá vai o tempo...
Fui visitar o Museu da Carro Eléctrico, no Porto, que, inadmissivelmente, não conhecia. No sarrabiscos podem ver as fotografias de eléctricos desde 1872.
Além dos veículos, o Museu tem as fardas dos motoristas e revisores, os bilhetes da época, instrumentos vários e as instruções fornecidas aos funcionários.
Essas instruções estão aqui. Peço desculpa pela qualidade das fotografias mas os documentos estão envolvidos em plástico e dentro de estantes de vidro. De qualquer maneira dá para ler.
Nostalgia por ver, como objecto de museu, tanta coisa que conheci com "vida própria". Perda por ler palavras que, infelizmente, sairam dos dicionários dos portugueses: discreto, atencioso, zeloso, correcção, bom senso, delicadeza, respeito, paciência, bons modos, simpatia, ajuda, ...
"... manchar a reputação do STCP." A preocupação de incutir nos trabalhadores do STCP o respeito pela reputação da empresa é espantosa. Onde é que uma empresa, hoje, exige aos seus funcionários semelhante coisa? Os funcionários estão-se "nas tintas" para a empresa e os empresários estão-se "nas tintas" para os seus funcionários. Vive-se exclusivamente para o "ter".
Ontem, à vinda de Barcelos, vinha a ouvir a TSF no rádio do carro. Ouvi uma entrevista com o visconde de "qualquer coisa" sobre o livro "Sermão ao meu sucessor". Lamentava o referido senhor, a perda de alguns valores dos quais ele salientou o "bom gosto" e o "bom senso". Eu acrescentaria a "boa educação" (não instrução, que essa está morta; falta enterrar). A família, primeira responsável pela educação, é uma instituição em crise profunda. Nem sei se em extinção... Revezes do progresso...
Subscrever:
Mensagens (Atom)