segunda-feira, 30 de março de 2009

Pergunto eu

Se todos sabemos como vai acabar a investigação ao caso Freeport, valerá a pena ocupar tantos profissionais e gastar tanto dinheiro nosso?

Pergunto eu

Quando Isaltino Morais, à saída do Tribunal, diz que fugiu ao fisco como todos os políticos, haverá algo a fazer para credibilizar a classe política?

quarta-feira, 18 de março de 2009

Questiono-me

Não falo da crise. Os órgãos de comunicação social bombardeiam-nos com ela a toda a hora. Mas há um assunto que suscita a minha interrogação. O desemprego. Duvido que haja os desempregados que se propalam. Há, sim, milhares a receber o subsídio de desemprego. O que não é a mesma coisa.
Há dias, uns amigos meus quiseram contratar uma empregada doméstica. Ouviram as candidatas e escolheram uma. Quando lhe puseram as condições – ordenado, descontos para a Caixa, horário, … - a dita senhora disse que não queria Caixa porque estava a receber o subsídio desemprego. Eliminaram esta e contrataram outra.
Em quantas casas haverá empregadas que acumulam o seu ordenado com o subsídio de desemprego?

E situações destas são aos milhares.
Há uns meses chamei um canalizador. Depois do serviço realizado apresentou-me a conta. Pedi-lhe a factura. Olhou para mim como se eu fosse um ser raro e disse logo que, então, tinha que acrescentar o IVA. Claro, disse eu. Alegou que não tinha facturas mas que a mesma viria por correio. Como se passaram 15 dias e a factura sem chegar, telefonei a informar que, se não recebesse a factura dentro de uma semana, fazia uma participação. Como não veio, escrevi ao Director Geral de Contribuições e Impostos. Passado dias tinha a factura em causa e um telefonema a saber se o problema tinha sido resolvido.

Quantos portugueses exigem factura de cada vez que fazem um pagamento?

Se todos pedíssemos factura, haveria menos gente a receber subsídios. E esses subsídios são pagos por todos os que declaram os rendimentos do seu trabalho e pagam os seus impostos. Andam os honestos a ajudar os desonestos. Será ou não assim?

sábado, 7 de março de 2009

Magalhanês

Sócrates dirijiu-se a todos noz, com um surrizo de urelha a urelha, para anunssiar a entrega de milhoins de compotadores Magalhães aos noços piquenos. Eles nem cábem em ci de contestes. Básicamente tem um instromento didatico grátiz, ou quasi. Aos pais, vutantes, tambaim câem os queichos de felessidade.
Uma crianssa, pega no prugrama de teisto. Lá está “Acabas-te? Podes fechar-lo e guardar-lo”. Isto é mesmo májico! Depois pega num jogo e lá está “Copía …”. Marabilha! E istu é um instromento didatico pra ajudare as crianssas na escola.
Botem didatico niço!!!
Dis que queim fês a tradossão foi um imigrante que çó teim a cuarta clace. Mas o noço primeiro num tínha ditu que o Magalhães era um compotador sem pur sento portuguêz? Intão o que é que tradoziram?

Tratar assim a nossa linga materna é crime mas desvalorizar completamente o problema, como fez Jorge Pedreira, não o é menos. Que figura triste este Governo fês (parafraseando o Magalhães)!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Calimero

José Sócrates disse hoje que o PS é um partido sem «excluídos, perseguidos ou silenciados». Já me palpitava... Os excluídos, os perseguidos e os silenciados são os cidadãos que não dizem ámen com o PS.
Também fiquei a saber que a comunicação social, e não alguma comunicação social, também está envolvida na campanha negra. Esta calimerice já ultrapassa o aceitável. Talvez Daniel Sampaio conseguisse resolver esta mania da perseguição…
Só lamento que neste país a Justiça não funcione.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Os pequenos déspotas

Sinto-me cada vez mais sem chão nesta sociedade onde o desmoronar de valores chegou ao limite. A instrução que deveria ser dada na escola não faz sentido sem antes ter havido a educação que pertence aos pais e à sociedade.
Os jovens nascem e crescem numa sociedade onde grassa a mediocridade. Onde o sucesso não está associado ao trabalho; os fura-vidas é que vencem. Onde todos se sentem cheios de direitos mas muito poucos olham para os seus deveres. Onde a exigência é uma palavra vã. Onde não compensa ser cumpridor. Onde o crime compensa desde o atestado médico falso ou da fuga aos impostos à irresponsabilidade dos políticos. Onde a corrupção anda à solta. Os exemplos que as crianças e os jovens vêem à sua volta são lamentáveis e não são minimamente educativos.
Depois do 25 de Abril, assumiu-se que tudo traumatizava as crianças e os jovens. Em casa e na escola. Passaram a ser tratados como uns seres esquisitos susceptíveis a traumas pela mais pequena coisa. Nada lhes pode ser exigido mas eles podem exigir tudo. A palavra não deixou de fazer parte do vocabulário dos pais. Aqueles que ainda ousam pronunciar essa palavra, rapidamente a transformam num nim e depois num sim ou num silêncio permissivo. Quem manda em casa são os filhos. Os pequenos déspotas. Não se lhes ensina que há tempos de trabalho e tempos de lazer. Tudo para eles tem que ser a brincar. As novas pedagogias assim o determinam.
As crianças crescem a não dar valor a nada. Tudo o que têm é-lhes dado. Aparece. Sem mais. Nada é conquistado e por isso nada é valorizado. Quando chegam à escola querem uma aprovação ou uma determinada avaliação sem terem feito o esforço necessário para a conquistar. Em casa têm a televisão, o computador, as playstations a que recorrem quando lhes apetece sem qualquer limitação ou regra. Não são habituados, desde pequeninos a ter hábitos de disciplina e de trabalho. Sem uma educação exigente não se formam cidadãos competentes.
Quando eu era miúda, havia uma prenda no Natal. Uma. À qual eu dava um valor incomensurável. Durante meses o meu brinquedo era explorado até à exaustão. Hoje as crianças têm tantos brinquedos que se limitam a rasgar o papel de embrulho e pôr para o lado para rasgar o papel da próxima que voltam a pôr para o lado. Podem-me dizer que os tempos são outros. É verdade. Mas não precisar de se fazer nada para ter tudo, tira o valor das coisas e não é educativo.
Comprava-se uma pasta de couro que durava toda a primária. Hoje têm – exigem – uma mochila, no mínimo, por cada ano escolar. E todo o material escolar tem que ser de uma determinada marca, mais cara evidentemente. Os portugueses não têm a noção das prioridades. Desde o mais humilde cidadão ao mais conceituado membro do Governo. Vemos isso em muitos alunos subsidiados pelos Serviços da Acção Social Escolar que vão para a escola com o seu telemóvel. Vemos isso no que se gasta com coisas não prioritárias nos gabinetes ministeriais ou nas autarquias, ou em tantas obras públicas. Os pais deviam explicar às crianças, desde pequeninas, que se tem o que é necessário, e se pode ter, não o que se quer.
Para não ficarem comprometidas as gerações futuras era necessário agir já. Era preciso que cada um de nós fosse mais exigente consigo e com todos os que se vão cruzando na sua vida.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O casamento dos homossexuais

No frente a frente a que assisti há pouco, na SIC Notícias, Alberto Martins atacou a igreja católica a propósito dos casamentos homossexuais. Encheu a boca para frisar, mais do que uma vez, que à Igreja o que é da Igreja e ao Estado o que é do Estado.
Mas o Estado somos todos nós. Os católicos e os não católicos. Os socialistas e os não socialistas. …

O PS não é o Estado. O PS é um partido político livre de aconselhar os seus filiados e simpatizantes a serem a favor do casamento de homossexuais, apresentando os seus argumentos. Não pode obrigá-los a votar a favor porque o voto, em caso de referendo, é secreto. Aqui, a maioria absoluta não lhe dá o poder absoluto que o PS julga ter. Os socialistas votarão de acordo com a sua consciência.
Mas a Igreja Católica tem igualmente o direito de aconselhar os seus fiéis a votarem não e eles farão o que a sua consciência lhes ditar.


Os que não pensam pela sua cabeça (socialistas, católicos, …) votarão naquilo que lhe mandarem. É uma das desvantagens da democracia.
A democracia é um sistema político que me não agrada, que acho ultrapassado, mas é o menos mau que temos. E em democracia todas as associações legalmente instituídas têm o direito a manifestar a sua opinião sobre qualquer assunto e a convencer, argumentando, os seus seguidores a manifestarem essa mesma opinião.


Senhor Dr. Alberto Martins! A democracia não é só para quando dá jeito. É em todas as situações. E o senhor é um democrata. Ou não?

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Palhaçada

Tive a triste ideia de ver hoje o debate no Parlamento. Sócrates igual a si mesmo. Mantém o meu sorrido sarcástico de quem tudo pode porque tem uma maioria absoluta. Aquele sorriso cínico que me deixa com pele de galinha. Continua a querer convencer-nos que a verdade é uma só e é a dele. Que o Governo que lidera teve sempre uma actuação 100% correcta. Que Portugal está agora a anos-luz (para melhor, claro) do que estava antes dele ter sido eleito. Que o dinheiro da CGD não é dos portugueses. Que temos uma justiça respeitável. Que o caso do BPN só podia ser resolvido como o Governo fez. Que a posição do Presidente do Banco de Portugal foi irrepreensível. Que os partidos da oposição o perseguem. Esta mania da perseguição já rasa o patológico...
Que triste país este em que tive a desdita de nascer.

É no que dá haver maiorias absolutas. O poder corrompe. Sempre e em qualquer instituição.

Suponho que chamar palhaço ao Primeiro-ministro não deve ser um insulto que mereça grande castigo. Afinal Alberto Martins chamou palhaço ao Presidente da República, em 1969, e ocupa o lugar que ocupa. Aliás, o meu Pai fazia parte das individualidades a quem esses insultos foram dirigidos.

Tantos séculos de humanidade e ainda não se arranjou nada melhor do que a democracia. Que diabo de homens constituem esta humanidade!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Haja bom senso, Senhora Ministra!

Há dias chegou-me, por mail, um projecto de Despacho do Ministério da Educação para a contratação de professores voluntários para as escolas. Pensei tratar-se de brincadeira e pedi mais esclarecimento a quem me enviou essa notícia. Hoje deparo-me com a notícia www.educare.pt.

“Professores reformados para trabalho voluntário nas escolas

O Ministério da Educação pretende recrutar professores reformados para, em regime de voluntariado, colaborarem no apoio aos alunos nas salas de estudo, em projectos escolares ou no funcionamento das bibliotecas.

Segundo um projecto de despacho do secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, a que a Lusa teve acesso, as escolas definem no início de cada ano lectivo as suas necessidades, estabelecendo o perfil dos candidatos a recrutar e elaboram um programa de voluntariado.O programa tem a duração de um ano lectivo, sendo renovável por iguais períodos de tempo. O trabalho do professor voluntário implica um mínimo de três horas por semana. (…)”


Para ler tudo clique aqui.

Se esta atitude fosse tomada por um Ministro que tudo tivesse feito pela educação, que tivesse valorizado o trabalho que os professores fazem, e nas condições em que têm de o fazer, eu até poderia concordar.
Mas com esta equipa ministerial, é impensável. Esta atitude do Ministério, nesta altura, é absolutamente inqualificável. Trata os professores por professorzecos, chama-lhes madraços, implementa um concurso para professor titular que envergonha qualquer pessoa de bom senso, enche-lhes os dias com burocracias que nada interessam, atira-lhes para cima toneladas de legislação, impõe-lhes uma avaliação na qual a competência está ausente e tantos, tantos maus tratos. Quatro anos de inferno que levaram milhares de docentes a pedir a aposentação antecipada, a maior parte deles com penalização. E agora quer que eles vão, “de borla”, trabalhar para as escolas?


Só faltava realmente chamar-nos burros. Já não falta mesmo nada.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Escolaridade obrigatória até ao 12º ano

José Sócrates falou mais uma vez. Veio dizer ao país aquilo que qualquer cidadão, inocente ou culpado diria – que está inocente. Confio tanto em José Sócrates como em Isaltino Morais, ou Valentim Loureiro, ou quase todos os outros. Não confio na justiça que, se até hoje levou ao fim algum caso que envolvesse poderosos, os inocentou. Confio tanto nos juízes como nos advogados. Estão lá para ganhar o deles. Deus nos livre de precisar da justiça ou dos serviços públicos de saúde!
Por isso não me interessam as últimas palavras de José Sócrates. Que a corrupção existe, existe. Ninguém, com ordenado de ministro, presidente de Câmara ou qualquer cargo político (excepção feito aos cargos de confiança política como presidente da CGD, director do BP, etc.) enriquece a trabalhar e há milhares de políticos que enriqueceram. Adiante.

Mas, de uma das vezes que José Sócrates falou, levantou a bandeira da escolaridade obrigatória até ao 12º ano. Disso tenho conhecimentos para falar.
O alargamento da escolaridade obrigatória até ao 9º ano já foi há tempo suficiente para se poder fazer uma avaliação dessa medida. Para mim traduziu-se na passagem da quarta classe para o 9º ano.
Alice Vieira disse, no dia 19 de Janeiro de 2009, ao Público: “Eu comecei a ir às escolas há 30 anos, para apresentar o meu primeiro livro “Rosa, minha irmã Rosa” e ia falar com os alunos de 3.º e 4.º anos. Agora vou, exactamente com o mesmo livro falar a alunos dos 7.º e 8.º anos. Alguma coisa está mal. É assustador! Outra coisa assustadora é a utilização da Internet.” Estas palavras só vêem corroborar a minha opinião.
José Sócrates, em campanha eleitoral, enche a boca com o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano. Até me arrepia esta ideia. Assim. Isolada. Vamos mudar a 4ª classe para os 18 anos? Depois é só fazer exames compatíveis com as estatísticas que o Governo quer. E como o povo não quer exigência estará tudo bem.
É tão fácil ser um “bom” Ministro da Educação para o povo e para as estatísticas! Dificil é sê-lo para os jovens deste país.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A postura da DECO

Aqui há tempos, o Governo considerou haver arredondamentos dos juros à habitação cobrados indevidamente. O meu banco comunicou-me que os contratos de crédito se encontravam dentro da Lei em vigor na data de assinatura dos mesmos. Pelo que não há arredondamentos a pagar
Para saber se o meu banco estava a agir conforme a lei, enviei um mail para a DECO que respondeu:
“Na sequência da sua comunicação, e através dos dados que transmitiu, não conseguimos verificar a sua condição de sócio. Nessa medida, agradecemos-lhe que nos dê conhecimento do seu número de sócio através de resposta a este mail e juntando o seu primeiro mail ou, em alternativa, usando a Linha Azul* 808 200 145, de 2ª a 6ª, entre as 9.00 e as 13.00 e entre as 14.00 e as 18.00 (6ªs feiras só até às 17.00).
Agradecendo desde já a sua colaboração, subscrevemo-nos, com os melhores cumprimentos,
O Serviço de Informação da Deco Proteste”
Como não sou sócia, optei pela alternativa de ligar para a linha azul. Estive minutos infindos a ouvir publicidade da DECO e, depois de muita espera veio uma gravação de uma menina pedindo para carregar na tecla 1 se soubesse o número de sócio ou aguardar se não soubesse esse número ou não fosse sócia. Esperei. Mais umas musicas e veio uma menina a quem fiz a pergunta. Respondeu-me que só davam resposta a sócios.
Fiquei sem resposta para a minha pergunta e danada por ter sido ludibriada pela DECO. Se não dão qualquer esclarecimento a não sócios, por que razão, no serviço telefónico de informação, mandam esperar os não sócios? É só para os cidadãos pagarem a longa chamada telefónica? Será que a DECO também tem ligação à PT? Não seria mais honesto, logo no início da chamada, avisar que a linha se destina exclusivamente a sócios?
Claro que, de uma empresa destas, nunca serei sócia.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Era... mas já não é.

Os deputados Alegres deixaram cair a máscara e votaram a mesma suspensão da avaliação dos professores em sentido contrário ao da última vez. Se calhar, parafraseando Augusto Santos Silva, foram chamados à pedra.
Os Alegres querem estar de bem com Deus e com o Diabo. A política e os políticos que temos são estes. Sem valor e sem valores.

Enquanto eu fazia as rabanadas e os sonhos, Santana Castilho escrevia:

"Era mas já não é. O que é?

Era necessário observar aulas de professores avaliados, mas já não é. Só a pedido, para quem aspire a ser muito bom ou excelente.
Era necessário observar três aulas, mas já não é. Duas chegam, a pedido.
Era o coordenador que avaliava os colegas de departamento, mas já não é. Agora pode vir alguém de fora, rigor científico protegido.
Era muito importante cumprir objectivos previamente definidos, mas já não é. Os resultados escolares e as taxas de abandono deixaram de contar.
Era necessário fazer reuniões entre avaliadores e avaliados, mas já não é. Basta que estejam de acordo.

Era um processo para todos, mas já não é. Ficam de fora os contratados para determinadas áreas tecnológicas e artísticas, não pertencentes aos grupos de recrutamento, e os que se reformarão até 2011. Tudo somado, uns belos milhares.
Era preciso desdobrar um monte de fichas numa montanha de parâmetros para chegar a uma avalanche de itens, mas já não é. Caiu o número quê bê.

O que é? A saga da avaliação do desempenho no seu melhor, a política a descer ao charco. A juventude socialista foi para a porta das escolas doutrinar os alunos com manifestos apelativos. Nos jornais, os de distribuição gratuita incluídos, em prática antes nunca vista, publicam-se anúncios, pagos com o dinheiro dos nossos impostos, para arregimentar o pagode. Os endereços electrónicos dos professores, facultados para outros fins, protegidos pela ética da protecção de dados, ora mandada às malvas, são usados pelo Ministério da Educação, para manipular e pressionar. A remuneração complementar dos futuros directores das escolas, os peões que a visão napoleónica de Sócrates começa a colocar no terreno, subiu quase 50 por cento. Aos saltimbancos da profissão acenou-se com um generoso aumento de vagaspara o próximo concurso. O que é? A investida do Governo para dividir e desmobilizar os professores, no sentido de esvaziar a greve marcada para 19 de Janeiro.

Já aqui escrevi que a avaliação é um epifenómeno menor de uma política desastrosa para a qualidade da educação. Neste conflito, já perdeu o país. Já perderam os alunos. Já perdeu o Governo, o primeiro-ministro e a ministra da Educação. Podem agora perder os professores se não perceberem, como classe com responsabilidade social particular, que é a dignidade deles e a qualidade da escola pública que estão em jogo.
Talvez possamos ser indulgentes para com os pobres que vendem o voto por electrodomésticos distribuídos porta a porta. Mas não esperem os professores indulgência se cederem às primeiras facilidades e aceitarem sinecuras sem princípios.…"


Vieram as ameaças aos professores que recusem a avaliação, com processos, e aos Conselhos Executivos, com demissão. Os Conselhos Executivos, futuras Direcções, que já estavam, na sua grande maioria, de cócoras perante a Ministra, agora não vão querer perder os brutais aumentos das suas remunerações complementares. Associar o poder pelo poder, a um outro poder (o de compra) e, ainda por cima sem ter horário lectivo ou tê-lo reduzido, é ouro sobre azul. Assim a Ministra compra as direcções das escolas...
Coitados dos professores que não puderam reformar-se! Agora têm que lutar contra uma série de Ministros - a central e os locais.

"A violência, seja qualquer for a maneira como se manifesta, é sempre uma derrota"
Jean-Paul Sartre

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Obrigada Senhor Primeiro-ministro

Obrigada Senhor Primeiro-ministro por ter criado as condições para termos passado um Natal com sol.
Obrigada Senhor Primeiro-ministro por ter criado as condições para que a prestação da minha casa vá baixar.
Obrigada Senhor Primeiro-ministro por ter criado as condições para nem todos tenham passado o Natal com gripes ou viroses.
Obrigada Senhor Primeiro-ministro por ter criado as condições para que, apesar da tosse, eu tenha podido fazer as rabanadas e os sonhos.
Obrigada por tudo, Senhor Primeiro-ministro. Que Deus faça por si o que o Senhor tem feito pelos portugueses. Principalmente pela educação dos portugueses.

Era uma vez…

- Meninos, Vamos a comer a sopa! – ordena a mãe
- Mas a sopa está estragada, dizem os filhos
- Mas quem manda aqui sou eu. Por isso, comam a sopa.
- Mas a sopa não se pode comer como está.
- O pai e eu já vos mandámos comer a sopa.
A mãe e o pai acabaram por provar a sopa e verificaram que estava efectivamente estragada. Mas já tinham dado ordem para comer a sopa e assumir que estavam errados ao mandar os filhos comer uma sopa que tinha azedado, era, para eles, perder autoridade e isso nunca. Quem mandava ali eram eles. Eles eram os ditadores.
- Realmente a sopa não presta e amanhã faço uma sopa boa mas só a comem se comerem a estragada hoje.
- Mas nós não queremos comer esta sopa estragada.
- Então vamos pôr um pouco de mel na sopa para tirar o gosto do azedo.
- Mas esta sopa vai fazer-nos mal.
- Paciência. Ponham também um bocadinho de caril na sopa que passa a ter outro sabor.
- Mas nós não conseguimos comer esta sopa.
- Quem comer esta sopa, depois come um assado, feito agora, que está uma maravilha.
- Mas nós não comemos esta sopa estragada.
- Quem comer a sopa, pode comer depois um prato de mousse de chocolate.
- Mas esta sopa está intragável.
- A sopa está estragada mas deixar de comer a sopa está fora de questão. O pai e eu já mandámos comer esta sopa e quem manda aqui somos nós. Não esqueçam isso.
- Nós não vamos comer uma sopa que já todos vimos que está estragada. – reclamam os filhos.
- Quem comer esta sopa, amanhã tem direito a um gelado.

(a história está neste pé… não sei como acaba…)
Mãe – Maria de Lurdes Rodrigues
Pai – Sócrates
Filhos - Professores

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Carta Aberta à Ministra da Educação

Excelentíssima Senhora Ministra da Educação

Ao fim de três décadas e meia de docência, as políticas educativas do Governo do meu país levaram-me a pedir a aposentação antecipada e com penalização. Fugi da escola pública de hoje. A escola do facilitismo, da mediocridade, da desautorização dos professores, da desumanização, da irresponsabilidade, das estatísticas, da entrega dos deveres aos professores e dos direitos aos alunos,… Não foi para esta escola que dei tantos anos da minha vida. Nem foi assim que pensei terminar uma longa carreira de que gostei muito.
De Amarante a Matosinhos passando por Lisboa, Figueira da Foz, Porto, Espinho, Bragança, Marco de Canavezes, Vila Real, Barcelinhos, Penafiel, Famalicão e S. Pedro da Cova, ajudei a formar milhares de jovens. Foram muitos quilómetros percorridos quando não havia uma única auto-estrada. Mais do que uma vez tive que me sujeitar a ver as minhas três filhas pequeninas apenas aos fins-de-semana para ir, para longe, ensinar os filhos dos outros. Sem nada que me ajudasse a suportar as despesas. Tudo isto fiz com muito sacrifício mas muito gosto. Durante anos e anos amei o que fiz.
Para minha actualização frequentei mais de 50 acções de formação/seminários quer na área de informática, quer na minha área específica.
Fui Directora de Instalações, Representante de Disciplina, Delegada de Grupo, Directora de Turma, Vice-presidente do Conselho Executivo, Presidente do Conselho Administrativo, Representante de Área Disciplinar, Coordenadora de Departamento, Responsável pela Sala de Estudo, Presidente da Assembleia de Escola.
Leccionei todos os níveis de ensino desde o 5º ao 12º ano.
Orgulho-me do trabalho que sempre desenvolvi apesar do desânimo aumentar ano após ano. Nunca aspirei aos prémios que o Ministério atribui anualmente. Os meus prémios são as mensagens que recebo dos meus ex-alunos.
“Boa tarde professora, Não sei se ainda tem esta conta de email activa, mas espero que sim. Eu sou o seu antigo aluno Eduardo …, fui seu aluno de química no ano lectivo de 2004/2005, não sei se ainda se lembra de mim. Eu estou a acabar o meu curso na faculdade, estou já no ultimo ano e sou finalista, como tal, temos a tradição de assinar as fitas e eu gostava que a professora me assinasse a fita, uma vez que a considero a melhor professora que tive até hoje, pois sempre acreditou em mim e fez todos os possíveis para me ensinar, não só a matéria correspondente a sua disciplina, mas também a ser um homem decente. Para além de excelente professora, foi também uma grande amiga, que é algo que muitos professores não são e por isso gostava que me desse a honra de me assinar a fita. A minha queima das fitas é já esta semana e tenho de ter as fitas no dia 27, por isso peço resposta a este email o mais rápido possível, caso a professora não possa assinar-me as fitas antes dessa data, não há problema, assina depois pois o que conta para mim é que a fita seja assinada, independentemente da data. Gostava também de lhe pedir um favor…
Peço desculpa pelo incómodo e espero atentamente uma resposta.
Beijos e abraços, do seu antigo aluno e amigo,
Eduardo …”

Ou como esta recebida há dias quando chegou a minha aposentação.
“Soube ontem ao último tempo que a professora tinha recebido a carta da reforma. Vou ser sincero, fiquei muito triste por perder uma das melhores professoras de sempre.Paciente, simpática, honesta, humilde.... são muitas das características que a professora tem.A escola perdeu uma das melhores professoras ao serviço.Pessoalmente n estou triste por perder uma professora mas sim estou triste por ter perdido uma grande amiga que me ajudou sempre.Toda a turma ficou um bocado triste (embora querendo disfarçar através de sorrisos e risos), pois tem a consciência que vai ser difícil substituir uma professora como a s'tora.Diz-se que ninguém é insubstituível, mas a professora é das poucas pessoas que não podem substituídas por nada deste mundo.Aqui está á minha despedida muito humilde, não é que desejaria dar á professora pois o que lhe queria dar está para além dos meus alcances.Só deixo votos de felicidade e desejos que um dia nos voltemos a encontrar.Muitos beijos e abraços:Bruno …”
Pelos Eduardos, pelos Brunos e por todos os alunos que já me passaram pelas mãos, e que me atribuíram “medalhas”, aguentei enquanto pude. Agora, acabou.
Numa quinta-feira de Novembro fui chamada para uma substituição. Não havia plano de aula. A professora em causa tinha acabado de receber a sua aposentação antecipada e com penalização. Uma professora que já estava na escola quando para lá fui e eu estive lá 20 anos. Dirigi-me à sala de aula. Estavam os (talvez) 28 alunos de uma turma do 7º ano que não conhecia. Muitos choravam e diziam "A Professora M. era nossa amiga. Ensinava bem e ajudava-nos muito".

Estes alunos só conheciam esta professora desde meados de Setembro.Em contraste com isto, a professora estava num sino. Irradiava felicidade e até as lágrimas lhe vieram aos olhos de tanta alegria. Finalmente estava livre do inferno que se vive hoje nas escolas. Analisando esta situação, só se pode concluir que algo está errado. Uma pessoa que dedicou uma vida ao ensino, uma professora de quem os alunos gostam ao ponto de chorar a sua saída, abandona a profissão de uma vida sem tristeza e com penalização na sua reforma. A debandada é geral e os que estão a sair são os mais experientes.
Vi e ouvi, com tristeza e uma revolta imensa, as posições inqualificáveis de membros do Governo perante a manifestação de 85% dos docentes do meu país. Não consigo aceitar que me apelidem de chantagista com uma leviandade sem nome. Não sou sindicalizada nem filiada em nenhum partido. Sempre pensei pela minha cabeça, disse o que penso, escrevi o que disse e assumi o que escrevo. Durante anos escrevi uma crónica mensal num semanário e insurgi-me contra a avaliação em vigor na altura. Realmente tinha que ser substituída. Mas por uma melhor, o que não é o caso. A mobilização que se conseguiu em Março e em Novembro não foi conseguida pelos sindicatos. Eles não têm capacidade para tal. A internet e o telemóvel são hoje os melhores meios de mobilização. A Senhora Ministra conseguiu, pela primeira vez, unir os professores e pô-los em contacto permanente uns com os outros.
O dia a dia de um professor é inimaginável por quem não o vive, como é o caso da Senhora Ministra. Pede-se aos professores que sejam, para além de transmissores de conhecimentos, mães, pais, psicólogos, assistentes sociais, amigos, ...
“Os professores têm, cada vez mais, à sua frente um conjunto de órfãos de pais vivos.” – uma verdade que li aqui há tempos.
Mas pede-se mais. Pede-se aos professores que apliquem um ensino individualizado a turmas com 28 alunos num número de aulas que não chega para leccionar os conteúdos programáticos estupidamente extensos. Pede-se o impossível. “Dar aulas, de facto, é tão simples como falar trinta e cinco línguas ao mesmo tempo ou cantar sozinho uma partitura para trinta e cinco vozes”. (Bernard Houot)
Para esta super-escola eram precisos super-homens e super-mulheres e isso só existe na banda desenhada.
“Nós somos como somos, com altos e baixos. Com momentos de entusiasmo e momentos de quebra. Com rasgos de génio e sombras travessias do deserto. E ninguém poderá nunca tornar-nos perfeitos. Se nos pedem para sermos perfeitos é, pois, abusivamente porque o sistema que se encontra acima de nós não o é.” (Bernard Houot)
Que posso eu exigir de um aluno que vive com uma mãe com problemas mentais que lhe diz que o odeia e que o quer matar? E de uma jovem que chega às aulas da tarde sem ter comido absolutamente nada? E de uma jovem que vive, a meias com a mãe, com outro homem que não o pai? E de uma criança que dorme na sala e só pode descansar quando os pais resolvem deitar-se? E da jovem que fica a trabalhar no café dos pais até às tantas da madrugada? E poderia ficar aqui um tempo infindo a pôr a nu as situações com que os professores se debatem. Esta é a escola real. Uma escola cheia de problemas cuja resolução compete ao Estado mas com os quais os professores vivem diariamente. Estes jovens não podem ter o rendimento desejável mas, pressionar o professor a passá-los, não lhes resolve os seus problemas. Como não lhes resolve os seus problemas um computador oferecido pelo Governo. Ou o TGV. Ou um novo aeroporto na capital. Mas quem pode manda e define as prioridades que entende. Não são as minhas e não as entendo.
Para juntar a tudo isto, a Senhora Ministra elaborou um modelo de avaliação perfeitamente inaceitável. Diz a Senhora Ministra que os professores devem confiar nos seus colegas mais competentes (refere-se aos professores titulares) mas quem lhes atribuiu essa competência foi a Senhora Ministra ao pôr em prática o mais escandaloso dos concursos – o primeiro concurso para professor titular. “Há coisa mais injusta do que uma avaliação que não premeia o mérito?” – perguntou um dia destes a Senhora Ministra. Claro que não. Mas, pergunto eu, há maior injustiça do que o primeiro concurso para professor titular? E foi com base neste concurso, eivado de injustiças e arbitrariedades, que foi construído este modelo de avaliação. Sobre alicerces podres. Por mais voltas que lhe dêem, será sempre um modelo de avaliação em que a competência estará ausente.
Para o acesso ao cargo de professor titular não era preciso ser competente em nada. Bastava ter tido muitos cargos entre 1999 e 2006. Por que razão foram escolhidos estes anos e não todo o percurso dos docentes? Só a Senhora Ministra sabe. No meu caso, professora do topo de carreira, a Senhora Ministra deitou-me, pura e simplesmente, ao lixo mais de 25 anos da minha carreira. Consegui, apesar disso, ser provida como professora titular. Por acaso, como todos, e não por mérito, como gostaria. É a isto que a Senhora Ministra chama justiça? É a isto que a Senhora Ministra chama competência? Este concurso criou nas escolas situações inaceitáveis.
Um professor com 100 pontos, numa Área Disciplinar, ascende a professor titular e, na mesma escola, outro professor com 140 pontos, numa outra Área Disciplinar, não o consegue.
Um professor do 10º escalão que tenha exercido todos os cargos possíveis numa escola antes de 1999 mas que entre 1999 e 2006 foi apenas professor, por melhor que tenha sido, não ascende a professor titular.
Um professor do oitavo escalão que, por exemplo, por não ter horário na sua Área Disciplinar, integrou um cargo no Conselho Executivo mesmo que o tenho exercido sem competência, foi provido como professor titular.
Neste momento, este último professor pode ser avaliador do anterior.
Um professor que foi orientador de estágio pode vir a ser avaliado pelo seu avaliando de estágio, desde que o segundo tenha conseguido ascender a professor titular e o primeiro não.
Mas o descalabro a que a educação chegou não se limita a estes problemas.
A Lei 3/2008 de 18 de Janeiro é uma perfeita aberração. Trata da mesma maneira um aluno que falta por doença e outro que falta porque lhe apetece. No Despacho do domingo, dia 16 de Novembro de 2008, a Senhora Ministra, mais uma vez remete as culpas para os professores quando diz “que a adaptação dos regulamentos internos das escolas ao disposto no Estatuto do Aluno nem sempre respeitou o espírito da Lei, permitindo dúvidas nos alunos e nos pais acerca das consequências das faltas justificadas designadamente por doença ou outros motivos similares.” A lei é clara pelo que não é aceitável estar no despacho “Tendo em vista clarificar os termos de aplicação do disposto no Estatuto do Aluno…”. Sejamos honestos, o Despacho altera a Lei, se é que juridicamente isso é possível.
O Programa Novas Oportunidades é outro embuste. Por aquilo que vejo, e pelas pressões das DREs para aprovar todos os alunos dos Cursos de Educação e Formação, dos Cursos Profissionais e Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, estão a qualificar-se milhares de analfabetos. Será isto que o país precisa, Senhora Ministra?
Segundo a Senhora Ministra, a implementação das aulas de substituição, que tanta polémica gerou, hoje faz-se confortavelmente. Engano, Senhora Ministra. Os professores que conheço, e são muitos, fazem-no porque a tal são obrigados mas fazem-no sem o mínimo de conforto e com o máximo descontentamento dos alunos.
O ambiente que se vive nas escolas é de uma tensão imensa. O desalento e a desmotivação são gerais e o clima de medo está instalado. E ainda vai piorar quando aparecer a figura do director prevista na lei.
O que se fez da escola pública? Como se pode ter toda uma classe profissional desmotivada? Eu saio sem conseguir perdoar a este Governo o ter-me roubado o prazer que eu tinha em exercer a profissão que escolhi. Nestes últimos anos foi muito penoso ir trabalhar. Muito penoso, mesmo.

Maria da Graça Pimentel

9 de Dezembro de 2008

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Professores em greve

Numa crónica minha, publicada num jornal semanário em Julho de 2005, escrevi:

“Não foi com optimismo que vi ser escolhida a Dra. Maria de Lurdes Rodrigues para o Ministério da Educação. Tinha duas razões: uma objectiva e outra subjectiva. É professora do ensino superior, estando portanto a anos-luz da realidade do ensino que tutela e tem os lábios finos, estando assim no grupo de más pessoas que já cruzaram a minha vida.”

Infelizmente não me enganei. O tempo provou que esta Senhora não conhece minimamente a realidade dos estabelecimentos de ensino não superior. Em questão de maldade superou, de longe, todas as outras más pessoas que comigo se cruzaram.
Nesse ano foi marcada a greve aos exames do 12º ano. Não concordei com essa greve e não fazia tensões de aderir. Mas, nessa altura, a Ministra impediu-me de não fazer greve. Requisitou civilmente os professores para os exames. Esta não lhe perdoo. Impediu-me de não fazer greve.
Hoje faria greve sem a menor hesitação. Infelizmente já não posso. A minha aposentação antecipada e com penalização chegou. A Senhora dos lábios finos roubou-me o prazer que eu tinha em exercer a profissão que escolhi. Ao fim de 36 anos de docência vi-me forçada a sair. Esta também não lhe perdoo. A Ministra está preocupada com o abandono dos alunos; não dos professores. E a debandada é geral.
Este Governo desesperado, depois de tentar defender, de uma maneira esfarrapada, este modelo de avaliação, optou por uma persuasão agressiva. Escrever a todos os professores sensibilizando-os para esta avaliação e chamar os professores socialistas fazendo deles seus parceiros na mentalização dos seus colegas. É possível que alguns tenham sido convencidos mas a grande maioria ainda pensa pela sua cabeça. Curioso que eu recebi duas mensagens: uma da DGRHE e outra da Ministra sendo que o Outlook enviou esta última para Junk e-mail. Correcto. Publicidade. Enganosa.

A minha solidariedade para todos os professores que hoje estão em luta e de luto. Luto pela morte lenta a que este Governo votou a escola pública.

A todos os que ainda não conseguiram ver isso, o tempo provar-lhes-á que os professores estão com a razão toda.
Será tarde demais.

domingo, 30 de novembro de 2008

Competência das professores

Diz a Ministra que os professores devem confiar nos seus colegas mais competentes (refere-se aos professores titulares) mas quem lhes atribuiu essa competência foi a própria Ministra ao pôr em prática o mais escandaloso dos concursos – o primeiro concurso para professor titular. E foi com base neste concurso, eivado de injustiças e arbitrariedades, que foi construído este modelo de avaliação. Sobre alicerces podres. Por mais voltas que lhe dêem, será sempre um modelo de avaliação em que a competência estará ausente.

Para o acesso ao cargo de professor titular não era preciso ser competente em nada. Bastava ter tido muitos cargos entre 1999 e 2006. Por que razão foram escolhidos estes anos e não todo o percurso dos docentes? Só a Ministra sabe. No meu caso, professora do topo de carreira, a Ministra deitou-me, pura e simplesmente, ao lixo mais de 25 anos da minha carreira. Consegui, apesar disso, ser provida como professora titular. Por acaso, como todos, e não por mérito, como gostaria. Será aceitável que a competência seja medida por pontos adquiridos primeiramente pelo exercício, bom ou mau, de cargos? É a isto que a Ministra chama competência? Este concurso criou nas escolas situações impensáveis.

Um professor com 100 pontos, numa Área Disciplinar, ascende a professor titular e, na mesma escola, outro professor com 140 pontos, numa outra Área Disciplinar, não passa a professor titular. A medida da competência variou de escola para escola e, na mesma escola, de Área Disciplinar para Área Disciplinar.
Um professor do 10º escalão que tenha exercido todos os cargos possíveis numa escola antes de 1999 mas que entre 1999 e 2006 foi apenas professor, por melhor que tenha sido, não é professor titular.
Um professor do oitavo escalão que, por exemplo, por não ter horário na sua Área Disciplinar, integrou um cargo no Conselho Executivo mesmo que o tenho exercido sem competência, foi provido como professor titular.
Neste momento, este último professor pode ser avaliador do anterior.
Um professor que foi orientador de estágio pode vir a ser avaliado pelo seu avaliando de estágio, desde que o segundo tenha conseguido ascender a professor titular e o primeiro não.
E querem que eu considere aceitável este sistema de avaliação?

Seis meses sem democracia

A DGRHE e a Minsitra enviaram-me, no mesmo dia duas mensagens iguais.
Nada me liga a Manuela Ferreira Leite, muito pelo contrário, mas tanto alarido se fez, nomeadamente as palavras inaceitáveis de Alberto Martins, quando, afinal, os "seis meses sem democracia" já começaram.

"Exmo.(a) Senhor(a) Professor(a)

Prestam-se as seguintes informações relativamente ao processo de avaliação de desempenho dos docentes:

Um modelo de avaliação de desempenho que não prejudica nenhum professor

Com a classificação de Bom, para a qual não existem quotas, estão garantidas condições para uma normal progressão na carreira.
As classificações de Excelente e Muito Bom aceleram o ritmo da progressão.
Neste ciclo avaliativo eventuais efeitos negativos decorrentes das classificações de Insuficiente ou Regular estão suspensos e sujeitos a confirmação posterior.

Assim, este modelo protege os professores, dando-lhes condições mais vantajosas que à generalidade dos funcionários públicos, que não adquirem automaticamente condições de progressão com classificações isentas de quotas. Neste período transitório existe uma vantagem adicional para os professores, que decorre da não aplicação de efeitos das classificações negativas.

O que é, afinal, a avaliação de desempenho docente?
Este modelo de avaliação respeita a especificidade da função docente e o nível de qualificação que o seu exercício exige, ao contrário do que sucede com a larga maioria dos trabalhadores da administração pública - incluindo o pessoal não docente, que há dois anos é avaliado em todas as escolas.
É por isso que a avaliação do desempenho dos professores contempla duas vertentes e, consequentemente, é efectuada por avaliadores distintos:
- a avaliação funcional, que é assegurada pelo director ou presidente do conselho executivo e contempla dimensões inerentes ao desempenho de qualquer profissão, tais como o cumprimento dos objectivos individuais, a assiduidade, o cumprimento do serviço lectivo e não lectivo, a participação na vida da escola, entre outros.
- a avaliação científico-pedagógica, que é efectuada pelos professores coordenadores do respectivo departamento curricular ou outros professores titulares em quem tenha sido delegada a competência de avaliação, que são em regra os professores mais experientes.
Para que esta seja efectivamente uma avaliação de desempenho, e não uma análise documental baseada em registos administrativos, é fundamental, na vertente científico-pedagógica, a observação directa do desempenho em sala de aula.
É por esta razão que, embora esta vertente tenha sido tornada transitoriamente voluntária, ela permanece obrigatória para a atribuição das classificações que distinguem o mérito (Muito Bom e Excelente).

A avaliação dos professores e os resultados escolares dos alunos

Foi tomada a decisão de não considerar o parâmetro que avalia o contributo dos docentes para progresso dos resultados escolares e para a redução da taxa de abandono, na sequência, aliás, da recomendação do Conselho Científico de Avaliação de Professores, que considera a necessidade de uma maior consolidação técnica a este nível.

Esta medida decorre, fundamentalmente, da percepção de que se trata de um dos elementos de mais difícil operacionalização, dando, em muitas escolas, origem a instrumentos de registo e indicadores de medida muito complexos e induzindo uma forte carga burocrática, contribuindo, assim, para a simplificação do processo, que poderá prosseguir normalmente em todas as escolas.

Ministério da Educação"

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Saí

Eu faço parte dos professores que abandonaram.
(a imagem foi publicada não sei quando nem onde mas guardei-a no meu computador)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Inaceitável

Agora, que uma maioria significativa de escolas aprovou uma moção pedindo a suspensão deste modelo de avaliação, a Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação está a enviar por correio electrónico esta "mensagem" aos professores. Esta foi enviada ontem.
Esta atitude é tanto mais condenável quanto a legislação não permite que os documentos sobre a avaliação de qualquer docente sejam do conhecimento dos técnicos da DGRHE.
Isto tem um nome mas é tão feio que nem o escrevo.

O meu endereço de correio electrónico não deve constar na DGRHE...