sábado, 30 de maio de 2009

Morreu a escola democrática

Os professores estiveram mais uma vez em luta. Para governos como o que temos e que se julgam donos da verdade e tratam os outros todos como mentecaptos, isto não significa nada. Mas a vida de Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, enquanto governantes, é curta e os professores continuarão nas escolas para sempre.

Disse, aqui há tempos, a Ministra que os professores devem confiar nos seus colegas mais competentes (refere-se aos professores titulares). A Ministra considera que os professores competentes são as titulares. No entanto, o Decreto-Lei nº 75/2008 e a Portaria nº 604/2008 diz que, podem ser opositores ao procedimento concursal para Director de uma Escola tem que obedecer a alguns um requisitos mas nenhum o obriga a ser professor titular. A competência, que a Ministra associa aos professores titulares, cai. Qualquer incompetente, para a Ministra, pode ser Director de uma escola.

Esse Director corresponde exactamente ao Reitor do tempo em que eu andei na Liceu. Acabaram-se eleições nas escolas. O Director é dono e senhor da escola. Tem poderes ilimitados. É o Director que designa todos os Coordenadores da Escola, todos os Coordenadores dos Departamentos curriculares e intervém no processo de avaliação de desempenho do pessoal docente. O Conselho Pedagógico é, assim, escolhido por ele.

Está instalada a ditadura do Director. Morreu a escola democrática. Oxalá ainda possa ser ressuscitada quando os que constituem este Governo estejam no Banco de Portugal ou na Administração de qualquer empresa.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A justiça para os do poder e a justiça para os outros

Assisti, com indignação, à posição tomada pela professora de História de uma escola de Espinho. Atitude inaceitável de uma docente quer pelo conteúdo das palavras quer pelas ameaças que fez aos alunos. Claro que há bons e maus profissionais em todas as profissões. Esta faz parte dos maus profissionais. À professora foi aberto um processo de inquérito e imediatamente foi suspensa pela DREN. Tudo como deve ser. Vai ser tudo averiguado mas, apesar da presunção de inocência, a professora foi suspensa. Preservam-se, assim, os alunos.

O Dr. Lopes da Mota exerceu pressão sobre magistrados do Caso Freeport utilizando o nome do Ministro da Justiça e do Primeiro-ministro e, como a professora, também exerceu ameaças. Não se sabe, nem nunca se saberá se o fez com ou sem conhecimento, ou ordem, dos mesmos. A Lopes da Mota foi, igualmente, aberto um processo de inquérito. Só que, neste caso, a presunção de inocência, leva a que os responsáveis o mantenham no seu posto que, por acaso tem a ver com o processo Freeport. Neste caso, preservar a isenção da Justiça está fora de questão.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Menos uma dúvida

Este ano vou ter que ir votar três vezes. Ter que escolher, por três vezes, entre o mau e o péssimo, é dose. Já tenho dado comigo a pensar onde hei-de colocar as cruzinhas. É que votar eu vou. Só que não sei em quem.

Hoje, os partidos com assento parlamentar vieram dar-me uma ajudinha que eu agradeço. Retiraram-me uma dúvida. Com a votação que hoje teve lugar, nenhum deles terá o meu voto. Já eliminei o PS, o PSD, o CDS, o BE, o PCP e Os Verdes. Bem sei que além do "branco" ainda tenho muitos na lista. Mas, eliminar seis já ajuda.

E estiveram todos os partidos de acordo! Algo nunca visto. Terá sido milagre de S. Nuno Álvares Pereira?

Primeiro, em pré-campanha, os deputados vêm mostrar uma enorme preocupação com o combate à corrupção. Pura demagogia. Hoje votam um caldo óptimo para ela crescer e se reproduzir. E o Alberto Martins, ainda tem a cara de pau de vir dizer que o fizeram para resolver um problema ao PCP. Será que ele pensa que nós acreditamos? Desde quando o PS está preocupado com os adversários. Nem com o povo o elegeu e que ele (des)governa!

Odeio que me tratem como atrasada mental.

domingo, 26 de abril de 2009

Informações incorrectas na página da EDP

(clique na imagem para ler)
Soube que a EDP tinha criado um novo tarifário para a energia eléctrica. Consultei a página www.edp.pt. Lá está um PDF com a página que aqui mostro. Existe um novo tarifário tri-horário que pode ser diário ou semanal.
Analisei os meus consumos, analisei o documento da página da EDP, fiz as contas e achei que deveria alterar o meu tarifário actual para o tri-horário diário.
Como diz o documento, este tarifário aplica-se a todas as potências a partir de 3,45 kVA. Correcto? Então, se a potência contratada comigo é de 6,9 kVA, eu posso pedir alteração para este tarifário.

Telefonei a pedir essa alteração. Pasme-se. A informação que dão é que esse tarifário só se aplica a potências contratadas de 20,7 kVA. Argumentei com o que está no documento que a EDP fornece na sua página e que tem como título “Tarifários 2009”. Não adiantei nada. O cavalheiro que me atendeu disse que esse tarifário deverá ser alargado a outras potências mas, para já só se aplica à potência referida.
Considero lamentável esta postura da EDP. Para uma empresa credível, as informações fornecidas na sua página da internet têm que ser correctas.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Não titulares a avaliar titulares

Os Directores das escolas ou foram já escolhidos ou estão a sê-lo nesta altura. O Decreto-Lei 75/2008 de 22 de Abril e a Portaria 604/2008 de 9 de Julho são os documentos que regem e regulamentam o procedimento concursal para a eleição dos Directores das escolas.
A Ministra da Educação, possivelmente numa noite de insónia, decidiu dar à luz a avaliação dos professores. Mas para essa avaliação precisava definir quais os professores que teriam funções de avaliação perante os seus pares. Assim, noutra noite de insónia, lembrou-se do primeiro concurso para professor titular. A partir daí tinha o cozinhado feito. Elegeu os professores titulares como os “competentes”.
Então, se o Director de uma escola ou agrupamento de escolas vai ter funções de avaliação de professores, aquilo que a lógica diria é que os candidatos teriam que ser titulares. Mas não. A lógica da Ministra é só dela e ninguém a entende. Nem ela possivelmente. Pois é. A legislação referida não deixa a menor dúvida. Um professor não titular, “menos competente” para a Ministra, pode ser Director de uma escola e vai avaliar os professores desse estabelecimento de ensino. E, para não variar na educação, temos mais uma contradição. Vamos ter não titulares a avaliar titulares.
É pena que os portugueses não se apercebam destas contradições. Mas se nem os deputados as conhecem…

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A pensão do Padre Melícias

“O padre Vítor Melícias, ex-alto comissário para Timor-Leste e ex-presidente do Montepio Geral, declarou ao Tribunal Constitucional, como membro do Conselho Económico e Social (CES), um rendimento anual de pensões de 104 301 euros. (…) o sacerdote, (…) tem uma pensão mensal de 7450 euros. (…)
(…)
Com 71 anos, Vítor Melícias declarou, em 2007, ao Tribunal Constitucional um rendimento total de 111 491 euros, dos quais 104 301 euros de pensões e 7190 euros de trabalho dependente. 'Eu tenho uma pensão aceitável mas não sou rico', diz o sacerdote.
Melícias frisa que exerceu funções com 'remuneração acima da média, que corresponde a uma responsabilidade acima de director-geral', no Montepio Geral, na Misericórdia de Lisboa, no Serviço Nacional de Bombeiros e noutros organismos.”
Sérgio Lemos


O Padre Melícias é que franciscano e eu é que levo vida de franciscana? Se a pensão dele é "aceitável", vou já à sopa dos pobres.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A crise e a escola

Ainda não há muito tempo que o Senhor Albino Almeida veio pedir que as escolas estivessem abertas desde o romper do dia até à hora do jantar. Começo por questionar a moralidade dos pedidos da Confap enquanto esta receber dinheiro do Ministério da Educação.
Os pais trabalham ambos e alguns precisam de se ver livres dos filhos o máximo tempo possível. Estes não reivindicam tempo para os filhos. Estes querem é alguém em quem delegar a responsabilidade de lhes educar e vigiar os filhos durante todo o dia. Faço minhas as palavras de Daniel Sampaio “A nível da família, constato muitas vezes uma diminuição do prazer dos adultos no convívio com as crianças: vejo pais exaustos, desejosos de que os filhos se deitem depressa, ou pelo menos com esperança de que as diversas amas electrónicas os mantenham em sossego durante muito tempo. Também aqui se impõe uma reflexão sobre o significado actual da vida em família: para mim, ensinado pela Psicologia e Psiquiatria de que é fundamental a vinculação de uma criança a um adulto seguro e disponível, não faz sentido aceitar que esse desígnio possa alguma vez ser bem substituído por uma instituição como a escola, por melhor que ela seja. Gostaria, pois, que os pais se unissem para reivindicar mais tempo junto dos filhos depois do seu nascimento, que fizessem pressão nas autarquias para a organização de uma rede eficiente de transportes escolares, ou que sensibilizassem o mundo empresarial para horários com a necessária rentabilidade, mas mais compatíveis com a educação dos filhos e com a vida em família.”


Há pais que não ensinam os filhos é ter uma postura correcta adequada às circunstâncias? Remete-se para a escola. Há pais que não ensinam os filhos a respeitá-los e a respeitar os outros? Remete-se para a escola. Há pais que não dão aos filhos educação sexual? Remete-se para a escola. Há pais que não ensinam noções de higiene aos filhos? Remete-se para a escola. Há pais que não ensinam os filhos a mínima noção de civismo? Remete-se para a escola. Tudo contribui para a desresponsabilização dos pais.
Pobres filhos cujos pais consideram que o seu papel termina no dia do parto!

Hoje veio a lume o caso de crianças que apresentam uma alimentação deficiente. Que fazer? Nada mais simples. Remete-se para a escola. A DGS contactou o Ministério da Educação para que as cantinas das escolas estejam abertas mais tempo, incluindo nas férias, a servir refeições equilibradas.
A crise já chegou ao estômago de muitos portugueses. A maioria teve que fazer cortes. Eu fiz os meus. Possivelmente há portugueses que não hierarquizaram os seus problemas e cortaram na alimentação mas não no telemóvel, no pequeno-almoço no café ou na marca das roupas. Mas muitos cortaram na alimentação quando já não podiam cortar em mais nada.
Isto no dia em que se soube que os 4 administradores da Galp ganharam, no ano passado, 4 milhões de euros e tantos, tantos ordenados escandalosos, que não fixei, quando no país se passa fome. É isto a democracia? É isto o socialismo? E é a escola que vai resolver este problema?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Por trás daquela janela...

... estão os deputados, o nosso primeiro e alguns governantes a fazer que fazem. Já tirei o som à televisão porque o tom sobranceiramente ditatorial do PM põe-me os nervos em franja.

Num país que pouco maior é que um quintal, justifica-se que haja 230 deputados? Um terço chegava e sobrava. Bastava que os deputados levassem o seu trabalho full time a sério.

"Não se paga aos deputados o suficiente para que sejam todos apenas profissionais. Quanto às justificações para as faltas, é verdade que a sexta-feira é, em si própria uma justificação, porque é véspera de fim-de-semana. Eu compreendo isso. Talvez esteja errado que as votações sejam à sexta-feira. Não julguemos também que ser deputado é uma escravatura, porque não é, nem pode ser. É preciso é arranjar horas para a votação que não sejam as horas em que normalmente seja mais difícil e mais penoso estar na Assembleia da República". - julgo que são palavras de Almeida Santos.

O que paga aos deputados é isto.
Fiquei a saber que sexta-feira não é um dia normal de trabalho mas "é véspera de fim de semana". Se, para os deputados, é penoso trabalhar à sexta-feira, para os outros trabalhadores também o é. Mas trabalham que não têm outro remédio.
É esta a noção de democracia que têm os políticos.

Razão tinha o meu Pai que dizia que só acreditava em democracia quando lhe provassem que, num cesto com 10 laranjas, dez podres e uma boa, as dez podres valem mais que boa.

terça-feira, 7 de abril de 2009

A palavra de deputado faz fé

E a dos seus concidadãos?

sábado, 4 de abril de 2009

Adivinha

Pinto da Costa foi absolvido no "caso do envelope". Mas alguém esperava o contrário?
O que eu faria com o dinheiro que se gastou!...
Será que Isaltino Morais também vai ser absolvido? Quem adivinha?
Eu sei mas não digo...

segunda-feira, 30 de março de 2009

Pergunto eu

Se todos sabemos como vai acabar a investigação ao caso Freeport, valerá a pena ocupar tantos profissionais e gastar tanto dinheiro nosso?

Pergunto eu

Quando Isaltino Morais, à saída do Tribunal, diz que fugiu ao fisco como todos os políticos, haverá algo a fazer para credibilizar a classe política?

quarta-feira, 18 de março de 2009

Questiono-me

Não falo da crise. Os órgãos de comunicação social bombardeiam-nos com ela a toda a hora. Mas há um assunto que suscita a minha interrogação. O desemprego. Duvido que haja os desempregados que se propalam. Há, sim, milhares a receber o subsídio de desemprego. O que não é a mesma coisa.
Há dias, uns amigos meus quiseram contratar uma empregada doméstica. Ouviram as candidatas e escolheram uma. Quando lhe puseram as condições – ordenado, descontos para a Caixa, horário, … - a dita senhora disse que não queria Caixa porque estava a receber o subsídio desemprego. Eliminaram esta e contrataram outra.
Em quantas casas haverá empregadas que acumulam o seu ordenado com o subsídio de desemprego?

E situações destas são aos milhares.
Há uns meses chamei um canalizador. Depois do serviço realizado apresentou-me a conta. Pedi-lhe a factura. Olhou para mim como se eu fosse um ser raro e disse logo que, então, tinha que acrescentar o IVA. Claro, disse eu. Alegou que não tinha facturas mas que a mesma viria por correio. Como se passaram 15 dias e a factura sem chegar, telefonei a informar que, se não recebesse a factura dentro de uma semana, fazia uma participação. Como não veio, escrevi ao Director Geral de Contribuições e Impostos. Passado dias tinha a factura em causa e um telefonema a saber se o problema tinha sido resolvido.

Quantos portugueses exigem factura de cada vez que fazem um pagamento?

Se todos pedíssemos factura, haveria menos gente a receber subsídios. E esses subsídios são pagos por todos os que declaram os rendimentos do seu trabalho e pagam os seus impostos. Andam os honestos a ajudar os desonestos. Será ou não assim?

sábado, 7 de março de 2009

Magalhanês

Sócrates dirijiu-se a todos noz, com um surrizo de urelha a urelha, para anunssiar a entrega de milhoins de compotadores Magalhães aos noços piquenos. Eles nem cábem em ci de contestes. Básicamente tem um instromento didatico grátiz, ou quasi. Aos pais, vutantes, tambaim câem os queichos de felessidade.
Uma crianssa, pega no prugrama de teisto. Lá está “Acabas-te? Podes fechar-lo e guardar-lo”. Isto é mesmo májico! Depois pega num jogo e lá está “Copía …”. Marabilha! E istu é um instromento didatico pra ajudare as crianssas na escola.
Botem didatico niço!!!
Dis que queim fês a tradossão foi um imigrante que çó teim a cuarta clace. Mas o noço primeiro num tínha ditu que o Magalhães era um compotador sem pur sento portuguêz? Intão o que é que tradoziram?

Tratar assim a nossa linga materna é crime mas desvalorizar completamente o problema, como fez Jorge Pedreira, não o é menos. Que figura triste este Governo fês (parafraseando o Magalhães)!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Calimero

José Sócrates disse hoje que o PS é um partido sem «excluídos, perseguidos ou silenciados». Já me palpitava... Os excluídos, os perseguidos e os silenciados são os cidadãos que não dizem ámen com o PS.
Também fiquei a saber que a comunicação social, e não alguma comunicação social, também está envolvida na campanha negra. Esta calimerice já ultrapassa o aceitável. Talvez Daniel Sampaio conseguisse resolver esta mania da perseguição…
Só lamento que neste país a Justiça não funcione.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Os pequenos déspotas

Sinto-me cada vez mais sem chão nesta sociedade onde o desmoronar de valores chegou ao limite. A instrução que deveria ser dada na escola não faz sentido sem antes ter havido a educação que pertence aos pais e à sociedade.
Os jovens nascem e crescem numa sociedade onde grassa a mediocridade. Onde o sucesso não está associado ao trabalho; os fura-vidas é que vencem. Onde todos se sentem cheios de direitos mas muito poucos olham para os seus deveres. Onde a exigência é uma palavra vã. Onde não compensa ser cumpridor. Onde o crime compensa desde o atestado médico falso ou da fuga aos impostos à irresponsabilidade dos políticos. Onde a corrupção anda à solta. Os exemplos que as crianças e os jovens vêem à sua volta são lamentáveis e não são minimamente educativos.
Depois do 25 de Abril, assumiu-se que tudo traumatizava as crianças e os jovens. Em casa e na escola. Passaram a ser tratados como uns seres esquisitos susceptíveis a traumas pela mais pequena coisa. Nada lhes pode ser exigido mas eles podem exigir tudo. A palavra não deixou de fazer parte do vocabulário dos pais. Aqueles que ainda ousam pronunciar essa palavra, rapidamente a transformam num nim e depois num sim ou num silêncio permissivo. Quem manda em casa são os filhos. Os pequenos déspotas. Não se lhes ensina que há tempos de trabalho e tempos de lazer. Tudo para eles tem que ser a brincar. As novas pedagogias assim o determinam.
As crianças crescem a não dar valor a nada. Tudo o que têm é-lhes dado. Aparece. Sem mais. Nada é conquistado e por isso nada é valorizado. Quando chegam à escola querem uma aprovação ou uma determinada avaliação sem terem feito o esforço necessário para a conquistar. Em casa têm a televisão, o computador, as playstations a que recorrem quando lhes apetece sem qualquer limitação ou regra. Não são habituados, desde pequeninos a ter hábitos de disciplina e de trabalho. Sem uma educação exigente não se formam cidadãos competentes.
Quando eu era miúda, havia uma prenda no Natal. Uma. À qual eu dava um valor incomensurável. Durante meses o meu brinquedo era explorado até à exaustão. Hoje as crianças têm tantos brinquedos que se limitam a rasgar o papel de embrulho e pôr para o lado para rasgar o papel da próxima que voltam a pôr para o lado. Podem-me dizer que os tempos são outros. É verdade. Mas não precisar de se fazer nada para ter tudo, tira o valor das coisas e não é educativo.
Comprava-se uma pasta de couro que durava toda a primária. Hoje têm – exigem – uma mochila, no mínimo, por cada ano escolar. E todo o material escolar tem que ser de uma determinada marca, mais cara evidentemente. Os portugueses não têm a noção das prioridades. Desde o mais humilde cidadão ao mais conceituado membro do Governo. Vemos isso em muitos alunos subsidiados pelos Serviços da Acção Social Escolar que vão para a escola com o seu telemóvel. Vemos isso no que se gasta com coisas não prioritárias nos gabinetes ministeriais ou nas autarquias, ou em tantas obras públicas. Os pais deviam explicar às crianças, desde pequeninas, que se tem o que é necessário, e se pode ter, não o que se quer.
Para não ficarem comprometidas as gerações futuras era necessário agir já. Era preciso que cada um de nós fosse mais exigente consigo e com todos os que se vão cruzando na sua vida.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O casamento dos homossexuais

No frente a frente a que assisti há pouco, na SIC Notícias, Alberto Martins atacou a igreja católica a propósito dos casamentos homossexuais. Encheu a boca para frisar, mais do que uma vez, que à Igreja o que é da Igreja e ao Estado o que é do Estado.
Mas o Estado somos todos nós. Os católicos e os não católicos. Os socialistas e os não socialistas. …

O PS não é o Estado. O PS é um partido político livre de aconselhar os seus filiados e simpatizantes a serem a favor do casamento de homossexuais, apresentando os seus argumentos. Não pode obrigá-los a votar a favor porque o voto, em caso de referendo, é secreto. Aqui, a maioria absoluta não lhe dá o poder absoluto que o PS julga ter. Os socialistas votarão de acordo com a sua consciência.
Mas a Igreja Católica tem igualmente o direito de aconselhar os seus fiéis a votarem não e eles farão o que a sua consciência lhes ditar.


Os que não pensam pela sua cabeça (socialistas, católicos, …) votarão naquilo que lhe mandarem. É uma das desvantagens da democracia.
A democracia é um sistema político que me não agrada, que acho ultrapassado, mas é o menos mau que temos. E em democracia todas as associações legalmente instituídas têm o direito a manifestar a sua opinião sobre qualquer assunto e a convencer, argumentando, os seus seguidores a manifestarem essa mesma opinião.


Senhor Dr. Alberto Martins! A democracia não é só para quando dá jeito. É em todas as situações. E o senhor é um democrata. Ou não?

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Palhaçada

Tive a triste ideia de ver hoje o debate no Parlamento. Sócrates igual a si mesmo. Mantém o meu sorrido sarcástico de quem tudo pode porque tem uma maioria absoluta. Aquele sorriso cínico que me deixa com pele de galinha. Continua a querer convencer-nos que a verdade é uma só e é a dele. Que o Governo que lidera teve sempre uma actuação 100% correcta. Que Portugal está agora a anos-luz (para melhor, claro) do que estava antes dele ter sido eleito. Que o dinheiro da CGD não é dos portugueses. Que temos uma justiça respeitável. Que o caso do BPN só podia ser resolvido como o Governo fez. Que a posição do Presidente do Banco de Portugal foi irrepreensível. Que os partidos da oposição o perseguem. Esta mania da perseguição já rasa o patológico...
Que triste país este em que tive a desdita de nascer.

É no que dá haver maiorias absolutas. O poder corrompe. Sempre e em qualquer instituição.

Suponho que chamar palhaço ao Primeiro-ministro não deve ser um insulto que mereça grande castigo. Afinal Alberto Martins chamou palhaço ao Presidente da República, em 1969, e ocupa o lugar que ocupa. Aliás, o meu Pai fazia parte das individualidades a quem esses insultos foram dirigidos.

Tantos séculos de humanidade e ainda não se arranjou nada melhor do que a democracia. Que diabo de homens constituem esta humanidade!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Haja bom senso, Senhora Ministra!

Há dias chegou-me, por mail, um projecto de Despacho do Ministério da Educação para a contratação de professores voluntários para as escolas. Pensei tratar-se de brincadeira e pedi mais esclarecimento a quem me enviou essa notícia. Hoje deparo-me com a notícia www.educare.pt.

“Professores reformados para trabalho voluntário nas escolas

O Ministério da Educação pretende recrutar professores reformados para, em regime de voluntariado, colaborarem no apoio aos alunos nas salas de estudo, em projectos escolares ou no funcionamento das bibliotecas.

Segundo um projecto de despacho do secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, a que a Lusa teve acesso, as escolas definem no início de cada ano lectivo as suas necessidades, estabelecendo o perfil dos candidatos a recrutar e elaboram um programa de voluntariado.O programa tem a duração de um ano lectivo, sendo renovável por iguais períodos de tempo. O trabalho do professor voluntário implica um mínimo de três horas por semana. (…)”


Para ler tudo clique aqui.

Se esta atitude fosse tomada por um Ministro que tudo tivesse feito pela educação, que tivesse valorizado o trabalho que os professores fazem, e nas condições em que têm de o fazer, eu até poderia concordar.
Mas com esta equipa ministerial, é impensável. Esta atitude do Ministério, nesta altura, é absolutamente inqualificável. Trata os professores por professorzecos, chama-lhes madraços, implementa um concurso para professor titular que envergonha qualquer pessoa de bom senso, enche-lhes os dias com burocracias que nada interessam, atira-lhes para cima toneladas de legislação, impõe-lhes uma avaliação na qual a competência está ausente e tantos, tantos maus tratos. Quatro anos de inferno que levaram milhares de docentes a pedir a aposentação antecipada, a maior parte deles com penalização. E agora quer que eles vão, “de borla”, trabalhar para as escolas?


Só faltava realmente chamar-nos burros. Já não falta mesmo nada.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Escolaridade obrigatória até ao 12º ano

José Sócrates falou mais uma vez. Veio dizer ao país aquilo que qualquer cidadão, inocente ou culpado diria – que está inocente. Confio tanto em José Sócrates como em Isaltino Morais, ou Valentim Loureiro, ou quase todos os outros. Não confio na justiça que, se até hoje levou ao fim algum caso que envolvesse poderosos, os inocentou. Confio tanto nos juízes como nos advogados. Estão lá para ganhar o deles. Deus nos livre de precisar da justiça ou dos serviços públicos de saúde!
Por isso não me interessam as últimas palavras de José Sócrates. Que a corrupção existe, existe. Ninguém, com ordenado de ministro, presidente de Câmara ou qualquer cargo político (excepção feito aos cargos de confiança política como presidente da CGD, director do BP, etc.) enriquece a trabalhar e há milhares de políticos que enriqueceram. Adiante.

Mas, de uma das vezes que José Sócrates falou, levantou a bandeira da escolaridade obrigatória até ao 12º ano. Disso tenho conhecimentos para falar.
O alargamento da escolaridade obrigatória até ao 9º ano já foi há tempo suficiente para se poder fazer uma avaliação dessa medida. Para mim traduziu-se na passagem da quarta classe para o 9º ano.
Alice Vieira disse, no dia 19 de Janeiro de 2009, ao Público: “Eu comecei a ir às escolas há 30 anos, para apresentar o meu primeiro livro “Rosa, minha irmã Rosa” e ia falar com os alunos de 3.º e 4.º anos. Agora vou, exactamente com o mesmo livro falar a alunos dos 7.º e 8.º anos. Alguma coisa está mal. É assustador! Outra coisa assustadora é a utilização da Internet.” Estas palavras só vêem corroborar a minha opinião.
José Sócrates, em campanha eleitoral, enche a boca com o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano. Até me arrepia esta ideia. Assim. Isolada. Vamos mudar a 4ª classe para os 18 anos? Depois é só fazer exames compatíveis com as estatísticas que o Governo quer. E como o povo não quer exigência estará tudo bem.
É tão fácil ser um “bom” Ministro da Educação para o povo e para as estatísticas! Dificil é sê-lo para os jovens deste país.