segunda-feira, 24 de agosto de 2009

As voltas das estatísticas

O Primeiro-ministro e a Ministra da Educação encheram a boca com a redução do insucesso e do abandono escolar. Em termos de valores estatísticos eles são verdadeiros. Mas atenção! As estatísticas dão para o que cada um quiser fazer delas. Vitor Constâncio ganha cerca de 18.000,00 € e eu tenho de reforma perto de 2000,00 €. Em termos estatísticos ganhamos, em média, 10.000,00 €, o que não implica que eu não tenha que contar os tostões e ele não.

Este Governo resolveu acabar com os cursos tecnológicos e implementar os Cursos Profissionais e os Cursos de Educação e Formação para os jovens. Há, para além dos Cursos Gerais (7º ao 12º ano), as vias alternativas com cujos princípios eu estou de acordo.

No entanto, as Direcções Regionais de Educação, obrigaram (obrigaram mesmo) as escolas a abrir muitos cursos CEF e CP para atingir a meta do Governo de, em 2010, ter metade dos alunos do secundário a frequentar a via qualificante. De qualquer maneira. E isso foi conseguido. Abriram-se cursos de Qualidade e Controlo Alimentar em escolas em que não havia, nos laboratórios, fogão, frigorífico, etc. Abriu-se todo o tipo de curso sem sequer verificar se as escolas possuíam recursos materiais e humanos. Os professores dão o que se pode, como podem mas com uma condição emanada das DREs. Nesses cursos não pode haver reprovações. Logo aí, estamos a obrigar as estatísticas a chegar onde o Governo quer.

Para o ensino básico ainda não há essa obrigação. Ainda não passou de orientação. Mas já há escolas onde os Presidentes dos Conselhos Executivos, hoje Directores e da cor do Governo, aboliram a classificação, que por lei é de 1 a 5 para um “legislação interna” de 2 a 5. Assisti a Conselhos de Turma em que isso se passou.
Esses Directores caem em cima de professores que dão níveis negativos que são obrigatoriamente justificados. Mas se um professor der 5 a todos os alunos, ninguém lhe pede qualquer justificação.

Agora, em que as Câmaras se empenharam na eleição do Director para tudo fazerem para eleger pessoas da “cor”, as estatísticas poderiam melhorar ainda mais se este Governo não tivesse os dias contados. Estamos num novo PREC em que o medo impera e as passagens administrativas estão quase legalizadas.

Espero que o próximo Governo não continue por este caminho. É preciso ensinar aos jovens que as boas classificações se conseguem com trabalho.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Bem me parecia

Aqui há tempos mandaram-me um mail com uma página onde eu podia ver as músicas que se cantavam no ano em que eu nasci. Achei piada e fui lá. A primeira música que me saltou aos olhos chamava-se “Falta um zero no meu ordenado”. Eu sempre soube que ganhava pouco. Eu sempre achei que faltava um zero no meu ordenado. O que eu não sabia é que o meu problema era de nascença.

Há pouco, o fiscalista Diogo Leite Campos disse, na Sic Notícias, que um ordenado de 2000 € não era classe média. Era tão baixo que, em certos países, eu teria direito a um subsídio. E eu que sempre pensei pertencer à classe média!? Bem sei que a classe média é algo em extinção mas, o pertencer à classe média já era bom para o meu ego. Agora, tenho o ego na lama. E tirei eu um Curso Superior! E fiz estágio! E trabalhei 36 anos!

Diogo Leite Campos não disse em que países eu teria direito a um subsídio. Alguém me sabe dizer quais são?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Medina Carreira

Fiquei contente por ver que a confiança que Sócrates pediu e eu não dou, Medina Carreira também não dá (ver aqui). É que eu de economia, só conheço bem a doméstica mas Medina Carreira conhece a outra.
Disse que a política é negócio para arranjar tachos para os familiares e amigos. Falou dos ex pilha-galinhas que hoje são milionários porque passaram pela política e falou também no problema das autarquias. Um tema de que eu falei há tempos e que hoje recordo.

O país está perfeitamente esquartejado em “quintas” que são Concelhos e que se dividem em pequenos “quintais” que são as Freguesias. As quintas e cada um desses quintais custam a todos nós uma quantidade de dinheiro perfeitamente evitável. Refiro-me especificamente à região Norte onde habito e trabalho.Deixo aqui, e apenas como exemplo, o caso concreto do Concelho de Vizela que tem, no total 24 km2, ou seja o equivalente a um quadrado de 4,9 km de lado. Habitam aqui 22.595 portugueses dos quais 16.460 são eleitores. Em todo esse concelho há duas escolas com 2º e 3º ciclos do ensino básico e uma escola com ensino secundário. Há, obviamente, um Presidente da Câmara, um Vice-presidente e não sei quantos vereadores.Esse pedacinho de Portugal está dividido em sete (7) freguesias.

Santa Eulália – 5,4 km2, equivalente a um quadrado com 2,3 km de lado. 3584 habitantes sendo 5200 eleitores.
S. Miguel – 5,2 km2, equivalente a um quadrado com 2,3 km de lado. 6280 habitantes sendo 5022 eleitores.
Santo Adrião – 3,5 km2, equivalente a um quadrado com 1,8 km de lado. 2460 habitantes sendo 1847 eleitores.
S. Paio – 2,3 km2, equivalente a um quadrado com 1,5 km de lado. 1394 habitantes sendo 1152 eleitores.
Tagilde – 2,7 km2, equivalente a um quadrado com 1,5 km de lado. 1777 habitantes sendo 1229 eleitores.
Infias – 1,9 km2, equivalente a um quadrado de 1,4 km de lado. 1765 habitantes sendo 1441 eleitores
S. João – 2,9 km2, equivalente a um quadrado com 1,7 km de lado. 3719 habitantes sendo 3432 eleitores.

Todos estes “quintais” custam-nos mensalmente, uma renda do edifício da Junta de Freguesia bem como água, luz, telefone, Internet, etc. para a sua manutenção, o ordenado do Presidente da Junta bem como os ordenados de todos os funcionários dessa mesma Junta. Acrescente-se o edifício da Câmara Minicipal e tudo quanto a faz "mover", o ordenado do Presidente da Câmara, do Vice-presidente, dos vereadores e todos os funcionários que lá trabalham. Considerando que isto se passa num Concelho da zona Norte e que todo o país está esquartejado desta maneira, no global estamos a falar de quantias astronómicas e de um número incontável de funcionários públicos.

Será que um país pequenino e pobre, como o nosso, precisa de ser transformado num puzzle com peças deste tamanho? Que interesses estão por trás desta situação?
Isto merecia ser investigado ao pormenor para que todos os portugueses pudessem saber o número de funcionários públicos que trabalham em cargos políticos, directa ou indirectamente. É que se fala muito do número excessivo de funcionários públicos e, certamente, em funções políticas, ou a ela ligadas, haverá muitos.
Era um serviço público que a comunicação social nos podia prestar.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O deputado

No início dos anos 80 dei aulas em Famalicão. A escola funcionava em dois edifícios. No antigo Hospital e na antiga Cadeia, ambos desocupados por não terem condições para funcionar como tal. Quando um edifício não servia para mais nada, servia sempre para uma escola.

Vem isto a propósito do deputado brasileiro, com um programa na televisão, que encomendava homicídios para aumentar a audiência do seu programa. Este homem pertenceu à polícia que o expulsou. Se não serve para a polícia, serve para a política.

A política, por cá, vai pelo mesmo caminho. Quem são singra noutra profissão, vai para a política. E também os fins justificam os meios. Ainda não chegámos à fase de encomendar assassinatos físicos porque profissionais já estão em vigor.

Podíamos vender este jardim à beira mar plantado a um povo de gente honesta e trabalhadora. Não haverá nenhum? Claro que o valor da compra servia para pagar a dívida pública, ou parte dela, dependendo do que oferecessem por este rectângulo.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Confiança em quem?

O, ainda, nosso primeiro utilizou o JN para fazer propaganda eleitoral.
“… se o PS apresenta um programa, a direita esconde o seu.” Não sei o que é pior. Se não dizer nada, se propagandear e não cumprir.
Quanta aldrabice! Quanta demagogia!
Se há PM que não pode falar do espírito do salazarismo é José Sócrates. Vivi vinte e tal anos antes do 25 de Abril de Abril. Sabíamos com o que contávamos. Com este Governo vivemos uma ditadura encapotada. Uma coisa é certa. Aos políticos do tempo da chamada ditadura eu agradeço o não terem utilizado o dinheiro dos meus impostos em proveito próprio. Tal não posso dizer aos políticos de hoje.

Que dizer de um Governo que colocou na prateleira dois técnicos de uma Comissão de Coordenação que “tiveram a ousadia” de dar um parecer desfavorável a um troço do TGV? Um deles, em final de carreira, pediu a reforma antecipada com penalização.
Que dizer de um Governo que, em tempo de crise, e tendo criado duas categorias de professores por razões economicistas, compra os Conselhos Executivos das Escolas duplicando as suas gratificações para que a sua mensagem pudesse chegar aos professores?
Que dizer de um Governo que reduz o abandono e o insucesso escolar obrigando a transitar de ano os alunos dos Cursos de Educação e Formação e dos Cursos Profissionais?
Que dizer de um Governo que fez de ignorantes sábios em Matemática pondo-lhes à frente provas de uma facilidade extrema?
Que dizer de um Governo que trabalhou quatro anos para as estatísticas a qualquer preço?

“Confiança, nunca desistir da confiança.” – diz o PM. Mas confiança em quem? Nos políticos que nestes 35 anos pouco mais fizeram que destruir a “pesada herança”? Nos políticos que por aí pululam e que se esgadanham por um tacho qualquer? Nos homens e mulheres sem valor e sem valores que são a grande maioria dos políticos do meu país? Nos políticos que cometem as maiores barbaridades e que nunca são responsabilizados? Nos políticos que se servem do país em vez de servirem o país? Nos deputados, quantos deles advogados, que nem legislar sabem? Nos políticos que enriquecem à custa dos dinheiros públicos?
Nesta Europa que serviu para arranjar milhares de tachos e onde se pagam ordenados escandalosos? Nesta Europa que faz de conta que é útil?

Não, Senhor Primeiro-ministro. Não confio nos políticos de nenhum partido. Como escreveu, há anos um Senhor de Espinho, eu “exerço sempre o meu dever cívico de votar e finjo acreditar que isso mudará algo”.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ainda está para nascer...

...um Primeiro-ministro que consiga causar tantos danos na Educação em tão pouco tempo como conseguiu José Sócrates.

Inconsoláveis

A minha mãe e a minha tia estão inconsoláveis.
O solar brasonado dos meus bisavós, referido no livro “As mais belas vilas e aldeias de Portugal”, onde nasceu e viveu a minha avó materna é em Aguiar da Beira. Era a chamada “casa do fundo de Vila”. Foi nessa terra que a minha mãe e a minha tia nasceram e cresceram.

Aguiar da Beira é uma terra da Beira Alta que se pode orgulhar de possuir três monumentos nacionais num pequeno espaço: o Pelourinho manuelino, a Torre do Relógio e a tribuna do antigo senado municipal. Tirando o solar dos meus bisavós, nada na terra é hoje bonito.

Lá morava também um casal humilde e com enormes qualidades morais. Era o Sr. Albano caiador (assim o tratavam) que tinha uma lojinha de tudo e onde também era tanoeiro. O Sr. Albano e a mulher tinham um filho de nome Manuel Joaquim Dias Loureiro.

A minha mãe e a minha tia lamentam-se: “Coitadinhos do Sr. Albano e da mulher. Oxalá já tenham morrido que eles não aguentavam a vergonha de terem cá deixado um filho assim.” Dias Loureiro pouco deve ter herdado dos pais. Foi presidente da Assembleia Municipal de Aguiar da Beira entre 1997 e 2005, teve cargos no Governo e foi Conselheiro de Estado. Não me parece que esses cargos tenham feito dele milionário. Mas o que é facto é que chegou a declarar rendimentos superiores a Belmiro de Azevedo. Quis comprar (e insistiu) o solar dos meus bisavós que uma das primas direitas da minha mãe restaurou.

Aqui há uns bons anos, já Dias Loureiro era “cão grande” a minha mãe foi ao Hospital de Viseu porque tinha sido internada a caseira. Veio uma Senhora cumprimentá-la e disse-lhe: “Sra. Dra. Já não se lembra de mim. Eu fui criada sua mãe.” Esta Senhora simples era a mãe do arrogante Dias Loureiro.Por que enriquecem todos os políticos de hoje?

Eu já era casada e mãe de duas filhas e meia quando se deu o 25 de Abril. Vivi o chamado fascismo durante vinte e tal anos. Salazar nasceu numa pequena casa em Santa Comba Dão e morreu com a mesma casa. Os políticos serviam o país. Hoje servem-se do país. É isto a democracia? Para eles enriquecerem tem que haver os que empobrecem.
O que se passa nos bastidores da política, e nós só conhecemos um milionésimo, é perfeitamente escandaloso e inaceitável e, até hoje, nunca nenhum político foi preso. Por alguma razão eles se esgadanham todos para ir para o poder.

Se pudesse haver uma investigação séria e imparcial a todos os políticos, poucos ficariam em liberdade. Mas os advogados e os juízes também querem estar de bem com o poder.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Os números de Sócrates (2)

A validação de competências, que dá diplomas sem jeito com muita pompa e a presença do Primeiro-ministro e da Ministra da Educação ou de um dos seus Secretários de Estado (entre os dois venha o diabo e escolha), é também uma das medidas com que o PM mais enche a boca. É mais um embuste e eu remeto para um artigo que publiquei aqui há tempos. Já tomei conhecimento de mais uns quantos do mesmo teor.
Esta equipa governativa não mente quando diz que entregou milhares de diplomas de qualificação a milhares de portugueses. Efectivamente entregou os diplomas mas a portugueses sem qualquer qualificação.

http://destramar.blogspot.com/2008/07/novas-oportunidades.html

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Os números de Sócrates

Quando Sócrates faz os elogios às suas políticas desta legislatura, vem sempre com a diminuição brutal do abandono e insucesso escolar, com os milhares de pessoas que adquiriram qualificações através das Novas Oportunidades, do RVCC e com a diminuição das faltas dos alunos.
Os números que Sócrates e a sua Ministra divulgam são verdade mas vamos ver em que se baseia essa verdade. Hoje debruço-me sobre os Cursos Profissionais e os Cursos de Educação e Formação.
Em 1989 foram criadas as Escolas Profissionais vocacionadas para a formação de técnicos intermédios de nível III. Surge uma alternativa de formação de nível secundário. As Escolas Profissionais merecem toda a minha consideração por terem tido a capacidade de ultrapassar todos os obstáculos que foram surgindo, acabando por conseguir que, dentro do Ensino Secundário, o Ensino Profissional conseguisse os melhores resultados escolares. O facto de as Escolas profissionais serem, na sua maioria, pequenas, terem uma organização pedagógica baseada numa autonomia flexível e inovadora e uma grande ligação às empresas, à comunidade e às instituições, permite um acompanhamento mais personalizado e um maior sucesso escolar. Claro que há Escolas Profissionais a funcionar mal mas, a grande maioria funciona muito bem. O saber acumulado pelas Escolas Profissionais, exemplo de boas práticas, deveria ter sido passado para as escolas públicas para, com tempo, estas se prepararem para oferecer também cursos profissionais. As Escolas Profissionais por si só, não têm possibilidade de formar os técnicos de que o país precisa. O princípio em que baseia o Programa das novas Oportunidades nada tem a ver com o ensino clássico. Os professores das escolas públicas tinham necessidade de formação e as escolas de instalações e equipamentos. Não foi esse o entendimento do Governo. As estatísticas sempre falaram mais alto. No ano lectivo 2004/2005 implementou-se o ensino profissional em algumas escolas públicas. No ano seguinte, pelo menos na DREN, as escolas foram obrigadas a abrir Cursos Profissionais e Cursos de Educação e Formação mesmo que desconhecessem em absoluto o espírito, as exigências e o perfil de saída dos alunos destes cursos. Depois foi alargado, exponencialmente e de uma maneira atabalhoada a oferta voluntária “à força” de cursos profissionais nas escolas públicas sem que as mesmas tivessem tido a preparação necessária no que se refere a recursos humanos e materiais. Mas este Governo vive de metas que cumpre a qualquer preço.
“O Governo propunha-se atingir a meta de, em 2010, ter metade dos alunos do secundário a frequentar a via qualificante e, actualmente, à entrada no 10º ano, já alcançámos o objectivo", afirmou Maria de Lurdes Rodrigues, em declarações à agência Lusa, a propósito das comemorações públicas, que se iniciaram em Janeiro. (Imprensa, 4 de Janeiro de 2004).
E assim temos milhares de Cursos Profissionais e Cursos de Educação e Formação em escolas públicas de qualidade mais do que duvidosa. Incentiva-se e autoriza-se a abertura de qualquer curso em qualquer escola sem que as DRES verifiquem se as escolas possuem as condições para a sua leccionação. Temos, por exemplo, um Curso Profissional de Controlo e Qualidade Alimentar numa escola que não tem uma cozinha, um frigorífico, um fogão e uma série de equipamentos necessários ao tratamento de alimentos. Exemplos como este são aos milhares. Ou seja, as escolas desenrascam fingindo que leccionam um curso eminentemente prático. Em muitas escolas temos mais do mesmo com outro nome.
Tenho um amigo que tem um restaurante/bar e já me disse que quando lhe aparece um candidato a cozinheiro, empregado de mesa/bar ou técnico de cozinha/pastelaria com um curso profissional tirado numa escola pública, nem perde tempo. A resposta é logo não. A experiência mostrou-lhe a diferença entre a formação dos alunos qualificados pelas escolas públicas e pelas escolas privadas.
Realmente os números que o Governo propagandeia são correctos. Temos milhares de analfabetos qualificados a quem a Ministra ou o Primeiro-ministro entregam diplomas frente às câmaras da televisão e muitos dos que vêm não sabem como estes jovens ali chegaram e como vão pagar caro aquele diploma.

sábado, 27 de junho de 2009

Farrah Fawcet

Farrah Fawcet e Michael Jackson morreram no mesmo dia.
Farrah Fawcet morreu com um cancro, o que pode acontecer a qualquer um de nós. Teve uma vida difícil com o companheiro e com o filho. Lutou muito pela vida. E sofreu até ao fim. A comunicação social limitou-se a anunciar a morte e não houve qualquer manifestação de pesar em lado algum. Fica aqui a minha homenagem pelo que ela representou, numa fase da minha vida, com Os Anjos de Charlie.
Michael Jackson, que, lamentavelmente, nunca aceitou o facto de ser preto, tornou-se um produto químico em forma de gente. Tudo nele era “postiço” e um desfecho destes era de esperar. Não se passa impunemente de preto para branco. Mas a ele, todo o mundo rendeu homenagem e os canais televisivos não se cansam de no-las mostrar todas.
Até no dia da morte Farrah Fawcet teve azar.

Lembrei-me de quando morreu Madre Teresa de Calcutá. Foi na altura em que morreu a Princesa Diana. O realce que se deu à morte da Madre Teresa ficou a anos-luz do que aquela GRANDE MULHER merecia. Em compensação durante dias inteiros os canais televisivos encheram-nos de directos, diferidos, repetidos e afins sobre Diana.
Madre Teresa de Calcutá também teve azar no dia em que morreu.
Até para o dia da morte é preciso ter sorte.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Para que servem os professores titulares?

“O secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, assumiu esta tarde, em conferência de imprensa, que não vai ser possível chegar a acordo com os sindicatos dos professores sobre a revisão do Estatuto da Carreira Docente,O secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, assumiu esta tarde, em conferência de imprensa, que não vai ser possível chegar a acordo com os sindicatos dos professores sobre a revisão do Estatuto da Carreira Docente,Ontem, o Ministério formalizou a sua proposta de revisão estrutura da carreira docente, mas não abdicou da divisão em duas categorias. Pedreira reconheceu que esta posição torna inviável um acordo. "Para os sindicatos tudo o que não seja a abolição das duas categorias não é valorizado", disse.” (Público)

Se não há um único cargo na estrutura de uma escola para o qual seja obrigatório o candidato ser professor titular e se o próprio Director, que exerce funções de avaliação de docentes, não tem de ser titular, para que servem os professores titulares?
Mais grave ainda. Agora, a renascida figura do Reitor, mascarada de Director, é quem escolhe todos os professores para todas as Coordenações. A escola está toda na mão de uma pessoa que pode ser compreensiva ou ditadora, ou até não dar uma aula há décadas. O socialismo matou a escola democrática. É precisa dar o mesmo fim ao PS.

domingo, 7 de junho de 2009

Sócrates está a colher o que semeou

Estou contente. A maioria absoluta do PS começou a morer hoje.
Finalmente os professores vão ver-se livres de Maria de Lurdes Rodrigues. VIVA!

Os eurodeputados

Já fui votar. Escolher entre o mau e o péssimo é uma decisão extremamente difícil. Mas, por princípio vou sempre votar.
A bem da verdade, entendo muito bem os que decidem não se deslocar às urnas. Para a grande maioria dos cidadãos, é um escândalo que, numa altura em que nos dizem que estamos em crise, em que nos dizem que não há dinheiro, os deputados europeus vão ganhar o dobro do que ganhavam. A módica quantia de 7665,00 € brutos, sem esquecer todos os outros subsídios. Com a agravante de que a maioria dos eurodeputados portugueses (os outros não me interessam) não teve uma única intervenção durante a anterior legislatura. E ainda dizem que estão lá por Portugal e pelos portugueses. Tretas…
Vamos, portanto eleger 22 portugueses que vão enriquecer à nossa custa. Para quem trabalhou uma vida inteira e ganha uma reforma de miséria, isto dói.

sábado, 30 de maio de 2009

Morreu a escola democrática

Os professores estiveram mais uma vez em luta. Para governos como o que temos e que se julgam donos da verdade e tratam os outros todos como mentecaptos, isto não significa nada. Mas a vida de Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, enquanto governantes, é curta e os professores continuarão nas escolas para sempre.

Disse, aqui há tempos, a Ministra que os professores devem confiar nos seus colegas mais competentes (refere-se aos professores titulares). A Ministra considera que os professores competentes são as titulares. No entanto, o Decreto-Lei nº 75/2008 e a Portaria nº 604/2008 diz que, podem ser opositores ao procedimento concursal para Director de uma Escola tem que obedecer a alguns um requisitos mas nenhum o obriga a ser professor titular. A competência, que a Ministra associa aos professores titulares, cai. Qualquer incompetente, para a Ministra, pode ser Director de uma escola.

Esse Director corresponde exactamente ao Reitor do tempo em que eu andei na Liceu. Acabaram-se eleições nas escolas. O Director é dono e senhor da escola. Tem poderes ilimitados. É o Director que designa todos os Coordenadores da Escola, todos os Coordenadores dos Departamentos curriculares e intervém no processo de avaliação de desempenho do pessoal docente. O Conselho Pedagógico é, assim, escolhido por ele.

Está instalada a ditadura do Director. Morreu a escola democrática. Oxalá ainda possa ser ressuscitada quando os que constituem este Governo estejam no Banco de Portugal ou na Administração de qualquer empresa.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A justiça para os do poder e a justiça para os outros

Assisti, com indignação, à posição tomada pela professora de História de uma escola de Espinho. Atitude inaceitável de uma docente quer pelo conteúdo das palavras quer pelas ameaças que fez aos alunos. Claro que há bons e maus profissionais em todas as profissões. Esta faz parte dos maus profissionais. À professora foi aberto um processo de inquérito e imediatamente foi suspensa pela DREN. Tudo como deve ser. Vai ser tudo averiguado mas, apesar da presunção de inocência, a professora foi suspensa. Preservam-se, assim, os alunos.

O Dr. Lopes da Mota exerceu pressão sobre magistrados do Caso Freeport utilizando o nome do Ministro da Justiça e do Primeiro-ministro e, como a professora, também exerceu ameaças. Não se sabe, nem nunca se saberá se o fez com ou sem conhecimento, ou ordem, dos mesmos. A Lopes da Mota foi, igualmente, aberto um processo de inquérito. Só que, neste caso, a presunção de inocência, leva a que os responsáveis o mantenham no seu posto que, por acaso tem a ver com o processo Freeport. Neste caso, preservar a isenção da Justiça está fora de questão.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Menos uma dúvida

Este ano vou ter que ir votar três vezes. Ter que escolher, por três vezes, entre o mau e o péssimo, é dose. Já tenho dado comigo a pensar onde hei-de colocar as cruzinhas. É que votar eu vou. Só que não sei em quem.

Hoje, os partidos com assento parlamentar vieram dar-me uma ajudinha que eu agradeço. Retiraram-me uma dúvida. Com a votação que hoje teve lugar, nenhum deles terá o meu voto. Já eliminei o PS, o PSD, o CDS, o BE, o PCP e Os Verdes. Bem sei que além do "branco" ainda tenho muitos na lista. Mas, eliminar seis já ajuda.

E estiveram todos os partidos de acordo! Algo nunca visto. Terá sido milagre de S. Nuno Álvares Pereira?

Primeiro, em pré-campanha, os deputados vêm mostrar uma enorme preocupação com o combate à corrupção. Pura demagogia. Hoje votam um caldo óptimo para ela crescer e se reproduzir. E o Alberto Martins, ainda tem a cara de pau de vir dizer que o fizeram para resolver um problema ao PCP. Será que ele pensa que nós acreditamos? Desde quando o PS está preocupado com os adversários. Nem com o povo o elegeu e que ele (des)governa!

Odeio que me tratem como atrasada mental.

domingo, 26 de abril de 2009

Informações incorrectas na página da EDP

(clique na imagem para ler)
Soube que a EDP tinha criado um novo tarifário para a energia eléctrica. Consultei a página www.edp.pt. Lá está um PDF com a página que aqui mostro. Existe um novo tarifário tri-horário que pode ser diário ou semanal.
Analisei os meus consumos, analisei o documento da página da EDP, fiz as contas e achei que deveria alterar o meu tarifário actual para o tri-horário diário.
Como diz o documento, este tarifário aplica-se a todas as potências a partir de 3,45 kVA. Correcto? Então, se a potência contratada comigo é de 6,9 kVA, eu posso pedir alteração para este tarifário.

Telefonei a pedir essa alteração. Pasme-se. A informação que dão é que esse tarifário só se aplica a potências contratadas de 20,7 kVA. Argumentei com o que está no documento que a EDP fornece na sua página e que tem como título “Tarifários 2009”. Não adiantei nada. O cavalheiro que me atendeu disse que esse tarifário deverá ser alargado a outras potências mas, para já só se aplica à potência referida.
Considero lamentável esta postura da EDP. Para uma empresa credível, as informações fornecidas na sua página da internet têm que ser correctas.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Não titulares a avaliar titulares

Os Directores das escolas ou foram já escolhidos ou estão a sê-lo nesta altura. O Decreto-Lei 75/2008 de 22 de Abril e a Portaria 604/2008 de 9 de Julho são os documentos que regem e regulamentam o procedimento concursal para a eleição dos Directores das escolas.
A Ministra da Educação, possivelmente numa noite de insónia, decidiu dar à luz a avaliação dos professores. Mas para essa avaliação precisava definir quais os professores que teriam funções de avaliação perante os seus pares. Assim, noutra noite de insónia, lembrou-se do primeiro concurso para professor titular. A partir daí tinha o cozinhado feito. Elegeu os professores titulares como os “competentes”.
Então, se o Director de uma escola ou agrupamento de escolas vai ter funções de avaliação de professores, aquilo que a lógica diria é que os candidatos teriam que ser titulares. Mas não. A lógica da Ministra é só dela e ninguém a entende. Nem ela possivelmente. Pois é. A legislação referida não deixa a menor dúvida. Um professor não titular, “menos competente” para a Ministra, pode ser Director de uma escola e vai avaliar os professores desse estabelecimento de ensino. E, para não variar na educação, temos mais uma contradição. Vamos ter não titulares a avaliar titulares.
É pena que os portugueses não se apercebam destas contradições. Mas se nem os deputados as conhecem…

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A pensão do Padre Melícias

“O padre Vítor Melícias, ex-alto comissário para Timor-Leste e ex-presidente do Montepio Geral, declarou ao Tribunal Constitucional, como membro do Conselho Económico e Social (CES), um rendimento anual de pensões de 104 301 euros. (…) o sacerdote, (…) tem uma pensão mensal de 7450 euros. (…)
(…)
Com 71 anos, Vítor Melícias declarou, em 2007, ao Tribunal Constitucional um rendimento total de 111 491 euros, dos quais 104 301 euros de pensões e 7190 euros de trabalho dependente. 'Eu tenho uma pensão aceitável mas não sou rico', diz o sacerdote.
Melícias frisa que exerceu funções com 'remuneração acima da média, que corresponde a uma responsabilidade acima de director-geral', no Montepio Geral, na Misericórdia de Lisboa, no Serviço Nacional de Bombeiros e noutros organismos.”
Sérgio Lemos


O Padre Melícias é que franciscano e eu é que levo vida de franciscana? Se a pensão dele é "aceitável", vou já à sopa dos pobres.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A crise e a escola

Ainda não há muito tempo que o Senhor Albino Almeida veio pedir que as escolas estivessem abertas desde o romper do dia até à hora do jantar. Começo por questionar a moralidade dos pedidos da Confap enquanto esta receber dinheiro do Ministério da Educação.
Os pais trabalham ambos e alguns precisam de se ver livres dos filhos o máximo tempo possível. Estes não reivindicam tempo para os filhos. Estes querem é alguém em quem delegar a responsabilidade de lhes educar e vigiar os filhos durante todo o dia. Faço minhas as palavras de Daniel Sampaio “A nível da família, constato muitas vezes uma diminuição do prazer dos adultos no convívio com as crianças: vejo pais exaustos, desejosos de que os filhos se deitem depressa, ou pelo menos com esperança de que as diversas amas electrónicas os mantenham em sossego durante muito tempo. Também aqui se impõe uma reflexão sobre o significado actual da vida em família: para mim, ensinado pela Psicologia e Psiquiatria de que é fundamental a vinculação de uma criança a um adulto seguro e disponível, não faz sentido aceitar que esse desígnio possa alguma vez ser bem substituído por uma instituição como a escola, por melhor que ela seja. Gostaria, pois, que os pais se unissem para reivindicar mais tempo junto dos filhos depois do seu nascimento, que fizessem pressão nas autarquias para a organização de uma rede eficiente de transportes escolares, ou que sensibilizassem o mundo empresarial para horários com a necessária rentabilidade, mas mais compatíveis com a educação dos filhos e com a vida em família.”


Há pais que não ensinam os filhos é ter uma postura correcta adequada às circunstâncias? Remete-se para a escola. Há pais que não ensinam os filhos a respeitá-los e a respeitar os outros? Remete-se para a escola. Há pais que não dão aos filhos educação sexual? Remete-se para a escola. Há pais que não ensinam noções de higiene aos filhos? Remete-se para a escola. Há pais que não ensinam os filhos a mínima noção de civismo? Remete-se para a escola. Tudo contribui para a desresponsabilização dos pais.
Pobres filhos cujos pais consideram que o seu papel termina no dia do parto!

Hoje veio a lume o caso de crianças que apresentam uma alimentação deficiente. Que fazer? Nada mais simples. Remete-se para a escola. A DGS contactou o Ministério da Educação para que as cantinas das escolas estejam abertas mais tempo, incluindo nas férias, a servir refeições equilibradas.
A crise já chegou ao estômago de muitos portugueses. A maioria teve que fazer cortes. Eu fiz os meus. Possivelmente há portugueses que não hierarquizaram os seus problemas e cortaram na alimentação mas não no telemóvel, no pequeno-almoço no café ou na marca das roupas. Mas muitos cortaram na alimentação quando já não podiam cortar em mais nada.
Isto no dia em que se soube que os 4 administradores da Galp ganharam, no ano passado, 4 milhões de euros e tantos, tantos ordenados escandalosos, que não fixei, quando no país se passa fome. É isto a democracia? É isto o socialismo? E é a escola que vai resolver este problema?