terça-feira, 27 de abril de 2010

Subsídio de desemprego

A minha amiga Luisa encontrou na rua uma rapariga que trabalhava numa loja, lá na rua, que fechou. Manifestou-lhe solidariedade e a rapariga respondeu: "Até foi bom. Ganho mais 10,00 € com o subsídio de desemprego do que a trabalhar".
Se acabassem com o subsídio de desemprego, muito desempregado estaria a trabalhar.
Incentivar a preguiça é uma forma de aumentar o desemprego.

Sou a favor de um subsídio de emprego. Quem ficasse desempregado tinha duas alternativas - ficar em casa sem ganhar nada ou ir ajudar numa escola, num hospital, numa Cãmara, numa Junta de Freguesia, numa repartição, ... e, no fim do mês, receber um subsídio de emprego. Isso incentivava a procura de emprego.

Quem ganha mais no desemprego do que a trabalhar, nada fará para arranjar outro emprego.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ontem foi 25 de Abril

Ontem fiz uma pequena viagem com os meus netos mais velhos. Perguntei ao mais velho o que tinha aprendido na escola sobre o 25 de Abril. Das duas, uma. Ou o(a) professor(a) não sabe o que foi o antigo regime ou a sua opinião é política e não histórica. Acompanho o pouco que de bom e as moles de asneiras que se têm feito neste país. Não entro em euforias e tento ver os sinais que permitem prever como será no futuro. Quando se deu o 25 de Abril eu não vivia à custa dos pais. Não andava no liceu. Nem na universidade. Trabalhava e já era mãe de duas filhas e meia. Uma vida cheia de responsabilidades. Sei reconhecer o que de bom e mau tinha o antigo regime. Tinha muita coisa boa, contrariamente ao que se pretende passar às novas gerações. Mas a alegria com que vivi o 25 de Abril, começou a esmorecer no dia 26 e acabou por desaparecer. Os sinais estavam lá. Era de prever que o povo não tinha capacidade para lidar com a liberdade e que os políticos oportunistas recém-nascidos iam desbaratar a “pesada herança” em dois tempos. E assim foi. E continuamos a ver os políticos a enriquecer escandalosamente. Eles decidem as suas regalias e o povo, que dizem representar, é coisa que nem lhes passa pela cabeça.

A primeira grande asneira foi o lema “somos todos iguais”. Não éramos, não somos e nunca seremos todos iguais. Em educação, em cultura, em trabalho, em honestidade, em frontalidade. Mas para “sermos todos iguais” havia que nivelar. E os sucessivos governos foram nivelando. Cada vez mais por baixo. O que significa que somos cada vez mais diferentes já que, felizmente, houve quem resistisse sempre a esse nivelamento por baixo.

O regime político passou a chamar-se democracia. E nessa coisa a que chamam democracia, o país vive dos partidos políticos e os partidos políticos vivem de lugares para os seus amigos. Então esquartejou-se um país, que pouco maior é que uma quinta grande, em milhares e milhares de quintais, as freguesias, algumas com cerca de 1 km2 de área. Esse quadrado de 1 km de lado (que pode ser um grande pomar ou uma grande plantação de tomates) custa-nos um edifício para uma Junta de Freguesia, com todas as despesas de manutenção, uma série de adjuntos, secretários, … (eu sei lá!) que trabalham directa ou indirectamente para essa Junta. Não sei quanto gasta o Estado (todos nós) para sustentar esta chusma de gente perfeitamente desnecessária. E agora falam novamente em regionalização. Para quê? Para aumentar o número de tachos. Não tentem convencer-me que descentralizar é o mesmo que regionalizar. Qualquer Governo pode descentralizar mas, até hoje, nenhum o fez. Isso não dá mais empregos para os amigos. Regionalizar, isso sim. Aparecem os tachos. Portanto, a pergunta se é a favor ou contra a regionalização é demasiado simplista. Eu sou a favor da regionalização desde que se agrupem dezenas de freguesias numa só. Sou contra a regionalização se ela trouxer aumento da despesa.

A política, depois do 25 de Abril, serviu para tudo. Até para colocar no Parlamento um número de deputados perfeitamente idiota por exagerado. Que nos gastam uma fortuna e pouco fazem. Basta ir visitar o Parlamento num qualquer dia. Eu estive lá em Janeiro e fiquei chocada. Saem, entram, lêem o jornal, vêem o correio electrónico, actualizam os facebooks, h5 e afins, jogam nos computadores. Uma vergonha. Quando o deputado que tem a palavra, termina a sua exposição, os do seu grupo parlamentar, que não ouviram rigorosamente nada, batem palmas. Para um país como o nosso, 50 deputados chegavam e sobravam. E a desculpa de que os políticos têm que ser bem pagos para se minimizar a corrupção, até assusta. Mostra bem o conceito que eles têm dos seus valores éticos.

Aqui há uns anos, ainda no tempo do escudo, estava a almoçar num restaurante e ouvi a conversa de dois cavalheiros da mesa contígua. Um deles tinha entrado para o parlamento numa substituição. O presidente da bancada sugeriu-lhe que fizesse parte da Comissão da Agricultura. O dito cavalheiro disse que, sendo advogado, não fazia sentido pertencer a uma Comissão de que nada sabia. Mas o presidente insistiu. Como não havia vagas noutra Comissão, ele devia aceitar a da Agricultura porque, por cada assinatura, recebia 20 contos. É esta a ética dos parlamentares. Roubar o mais que podem. E ainda têm a lata de dizer que estão lá por Portugal e pelos Portugueses. Estão lá por eles e para eles.

O PEC, cuja finalidade tenta ser tirar-nos do buraco onde dezenas de Governos nos meteram, só aponta no sentido de prejudicar os que não estão ligados à política. Ninguém fala do que podíamos poupar se reduzíssemos significativamente o número de freguesias ou o número de deputados. Reduzir o número de tachos não agrada aos políticos, mesmo para bem do país que eles dizem representar.

Portugal não merece os séculos de história que tem. Comporta-se como um emergente novo-rico sem princípios. Mas isto vai acabar na rua, não com cravos mas com sangue. Já faltou mais.

(Tudo o que disse não se aplica a qualquer político honesto que eventualmente exista)


sábado, 17 de abril de 2010

Os mortos não falam

As escutas que envolviam o nosso primeiro foram destruídas.
A Independente foi fechada.
Os papeis da Covilhã (Guarda?) desapareceram.
...
Os mortos não falam. Quanto aos vivos com responsabilidades que, no Parlamento, dizem "manso é a tua tia, pá" deviam ser calados.

A carreira política é a única onde se pode entrar sem qualquer habilitação, educação, qualificação, ... e onde se é patrão de si mesmo. Daí a qualidade deplorável da maioria.

É o país que um povo de analfabetos, mesmo que qualificados, quer que tenhamos. E, em democracia, a opinião de dez patetas insensatos vale mais que a de dois inteligentes sensatos.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Até que enfim

Um pai que, em vez de lutar por condições que lhe permitam estar mais tempo com os seus filhos, luta para que os infantários e escolas estejam abertos o maior número de horas possível, para mim, é um pai que ou não aprecia a companhia do filho, ou não está para o aturar. Esta tem sido a posição da CONFAP, presidida pelo Sr. Albino Almeida. Não tenho estado de acordo com as posições que a CONFAP tem tomado. A sensação que tenho é que para as Associações de Pais, o papel dos Pais termina no dia em que, pela primeira vez, depositam o seu rebento no infantário. A partir daí, quem tem a obrigação de os educar, ensinar e inserir na sociedade são as Educadoras de Infância e os Professores. “A educação compete aos Pais, a instrução às escolas e a cultura aos Avós” – uma verdade que li há muito tempo.

Finalmente vejo uma atitude do Sr. Albino Almeida com a qual estou completamente de acordo. Os pais dos alunos que pratiquem bullying devem ser responsabilizados. O bullying tem sido encarado com alguma leviandade e foi preciso ocorrer um caso muito grave em Mirandela para que este assunto começasse a ser encarado como um problema muito sério.

Há vários países europeus onde, por muito menos do que isso, os Pais são responsabilizados. Espero que a Ministra da Educação, ao menos no caso do bullying, comece a punir a irresponsabilidade de tantos Pais.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Solidariedade com a Madeira e o Haiti

põe-te a mexer…


solidariedade com a madeira e o haiti

28 de março – marginal de leça da palmeira – 10h00

vamos caminhar e ajudar a madeira e o haiti.

contribua e vista a t-shirt desta causa

o valor será enviado na íntegra para a madeira e o haiti, através dos lions e rotary.

locais de inscrição:
postos de turismo de matosinhos e leça da palmeira
juntas de freguesia do concelho de matosinhos
contactos:
clubes rotary do concelho de matosinhos
clubes lions do concelho de matosinhos



Os Clubes Lions da Divisão 5 do Distrito 115 CN e os Clubes Rotary de Matosinhos, em colaboração com a Câmara Municipal de Matosinhos e a Matosinhosport, vão levar a cabo esta iniciativa para angariar fundos para a Madeira e o Haiti.


Vamos ser solidários com os que precisam de nós.


Apareçam! Divulguem!

Informações neste blogue

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O poder de um cartão

Conheci uma rapariga cujo namorado ganhou 10.000 contos num qualquer jogo da Santa Casa, num dos últimos anos da década passada. Nem ela nem ele estavam preparados para ter tanto dinheiro. O deslumbramento foi a desgraça deles. Fizeram uma bonita festa de casamento. Compraram um carro pequeno mas com todos os extras que imaginar se possa. Comeram e pagaram aos amigos grandes mariscadas. Enfim. Esbanjaram até ficarem sem nada. Agora vivem do seu trabalho numa casinha alugada. Para quem não tem uma formação muito sólida, o dinheiro deslumbra.

O poder é como o dinheiro. Também deslumbra. Há muita gente, diria mesmo, a maioria das pessoas não tem preparação para ter poder. Fica deslumbrada e quanto mais poder tem, mais poder quer ter. E utiliza esse poder de maneiras muito pouco éticas. A palavra “Ética” deveria sair dos dicionários e ser praticada pelos cidadãos. Todos.

É uma pena que qualquer português possa ser político mesmo que seja ignorante, mal formado, mal educado, trapaceiro, burlão, pouco mais que analfabeto,… Apenas tem quer ter um cartão partidário. Não será exigência a menos para quem devia ter a seu cargo o futuro dos seus concidadãos?

O valor que tem um cartão que nada vale!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Separação de poderes

A separação de poderes é uma treta. Basta vermos que o Procurador-geral da República, Pinto Monteiro, foi nomeado pelo Presidente da República, sob proposta do Governo. Ou seja, o PGR é um homem da confiança do Governo.

Não discuto a legitimidade que o jornal Sol tinha para publicar as escutas. O que é facto é que neste momento elas são públicas e graves. Ainda bem que o Sol as publicou. As dúvidas que ficaram pendentes na altura tinham razão de ser.

José Sócrates nada diz sobre o conteúdo das conversas telefónicas. Agarra-se com unhas e dentes à separação de poderes e vira advogado de defesa de Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento. Mal fora que ele não defendesse o seu “escolhido”.

Em Portugal nenhum juiz, em tempo algum, terá coragem para condenar um poderoso. Nem os advogados do jet-set o deixariam. Aliás os políticos só se lembram dos problemas da justiça quando um deles está no “barulho”.
São os juízes que temos, os advogados que temos e ao políticos que temos.

Talvez Nossa Senhora de Fátima ainda vá a tempo de nos acudir. E esteja disposta a isso.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Parabéns Paula

Mandaram-me estes despachos pela internet. Vou supor que são verdadeiros.


Tanto tempo que se tem demorado com a avaliação da função pública. Afinal pode avaliar-se uma pessoa em 5 (cinco) dias. Mas há mais. Cinco dias dão para avaliar a lealdade a competência, a dedicação e as qualidades pessoais e profissionais. A Paula deve ser mesmo uma profissional fora de série. Parabéns Paula! Continue assim que vai longe na vida.
Quanto terá ganho a Paula nestes dias? Para onde terá ido? Para longe?

sábado, 30 de janeiro de 2010

A cantiga do costume

Em 2002, quando Durão Barroso tomou posse de primeiro-ministro, declarou que o PS de Guterres tinha deixado o país de tanga. E estivemos três anos a apertar o cinto.
Em 2005, José Sócrates não usou o termo tanga mas a conversa foi a mesma a mandou apertar o cinto.
Em 2009, José Sócrates é novamente primeiro-ministro e manda apertar o cinto.
Convenhamos que estas medidas custam muito a aceitar, principalmente quando nos dizem que os mais de sete anos em que apertámos o cinto não serviram rigorosamente para nada. Que é feito da poupança para a qual nós contribuímos? Será que não se fazem furos em cintos Prada ou Versace? Só se fazem nos cintos da feira ou do comércio de bairro?
O ministro das Finanças disse que aceitaria diminuir o seu salário se fosse preciso. Mas não vai ser, por Deus. Estão tantos a apertá-lo que a vez dele não chegará.
Se eu ganhasse o que ganham os políticos (alcavalas incluídas) ou os colocados por eles, estava-me nas tintas para estas bagatelas destas medidas. O meu dia-a-dia continuava a ser rigorosamente o mesmo. Assim, terei que apertar o cinto, do comércio de bairro, mais uma vez não sei por quanto tempo. Uma coisa sei. Não vai servir de nada.

O próximo PM, está bem de ver, vai-nos mandar apertar o cinto.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Na Assembleia da República

Estive na Assembleia da República. Antes da visita guiada, que valeu a pena, estivemos a assistir aos trabalhos a que se seguia uma votação. Fiquei chocada com a postura dos deputados. Enquanto um falava, os outros saíam, entravam, falavam, faziam barulho, liam o jornal, viam o correio electrónico, actualizavam o facebook, viam os jornais on-line, riam, telefonavam,… eu sei lá. Uma balbúrdia inaceitável. Uma falta de respeito por quem estava a falar que eu nunca admitiria numa sala de aula. Limitavam-se a bater palmas quando o porta-voz do seu partido acabava de falar, apesar de não terem ouvido uma só palavra.
Estas senhoras e estes senhores, que decidiram que os professores têm que prestar provas quando iniciam a sua carreira, estão ali sem terem prestado qualquer prova e o exemplo que dão é perfeitamente lamentável. Apenas possuem o cartão de um partido.
Começarei a respeitar os políticos quando eles decidirem diminuir a quantidade de gente que deambula pelos corredores da política. Ali e nos milhares de autarquias em que Portugal está retalhado. Um país pouco maior que uma quinta e que, ainda por cima está falido, não justifica 230 deputados. 50 chegavam e sobravam. Como não há nada que justifique que haja freguesias, maioritariamente rurais, que têm um quilómetro quadrado.
Mas o objectivo de todos os partidos é arranjar o maior número de tachos para os seus filiados e amigos.
Que moral têm estes portugueses para decidirem do futuro dos seus concidadãos?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Adeus Red Bull Air Race

No estado comatoso a que os políticos conseguiram levar o nosso país, o Red Bull Air Race não é nada. Mas mostra mais uma vez que, para os políticos, Portugal é Lisboa e o resto é paisagem. Os governantes não aguentaram ver o sucesso de uma prova de renome mundial nas zonas ribeirinhas do Porto e Gaia. Por coincidência duas autarquias PSD. E toca a “roubá-lo” para Lisboa.
Não entro em disputas Lisboa-Porto e, embora seja tripeira de corpo e alma, tenho muitos e bons familiares e amigos em Lisboa. Tenho lá quase todas as grandes amigas que comigo viveram cinco anos de internato no Instituto de Odivelas.


O poder centralista do Governo deste país raia o foro patológico. O mesmo Governo que propagandeia a regionalização. Não haverá aqui alguma incongruência?


Mas Senhores governantes, há coisas que o poder e o dinheiro não compram. Por muito que isso vos doa. O vinho do Porto será sempre do Porto, os lenços dos namorados serão sempre do Minho, os doces de ovos de Amarante serão sempre de Amarante, os galos de Barcelos serão sempre de Barcelos, os bordados de Tibaldinho serão sempre de Tibaldinho, o Castelo de Guimarães será sempre de Guimarães, o Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima será sempre de Ponte de Lima, as barricas de ovos moles serão sempre de Aveiro, os covilhetes de Vila Real serão sempre de Vila Real, as clarinhas de Fão serão sempre de Fão, os espigueiros do Soajo serão sempre do Soajo,…
E poderia ficar aqui dias a enumerar tantas e tantas coisas que nunca irão para a capital. Que nos levem o Red Bull Air Race. Continuaremos a ser imensamente ricos.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Mais amigo do Godinho que do Sócrates

Não se pode admitir que um cidadão, para saber onde é uma determinada instituição, se veja obrigado a ir perturbar o Sr. Vara quando se encontra muito competentemente a trabalhar no seu gabinete. O Sr. Vara até foi bem querido em atender o Sr. Godinho e em lhe dar ensinado o caminho. Eu teria dito ao porteiro para lhe explicar. “Tadinho” do Sr. Vara! Ser perturbado por uma porcaria destas! Nem um polícia para tirar a dúvida ao Sr. Godinho?!!
Se o Sr. Godinho chegar a ser preso, para se dar por concluído o processo das faces ocultas (bem pouco ocultas, por sinal) sem beliscar nenhum poderoso, podíamos quotizar-nos e comprar-lhe um GPS para quando saísse.

Mas, se louvei a atitude do Sr. Vara por ter recebido e ensinado o caminho para a EDP (Julgo eu) ao Sr. Godinho, que ele mal conhecia, já não acho bem que tenha omitido do seu grande amigo Sr. Sócrates a carta que o avisava que o primeiro-ministro estava a ser escutado. Se fosse muito amigo, tê-lo-ia avisado mesmo dizendo-lhe que era uma brincadeira sem interesse nenhum.

Termino perguntando. Será que esta gente quando diz estas patranhas pensa que nós acreditamos? Será que pensam que nos comem por lorpas? Será que não vêm o ridículo em que caem?

Que o Menino Jesus nos acuda!

sábado, 5 de dezembro de 2009

As escutas

Podem-me escutar à vontade. Ouvirão apenas o que qualquer cidadão realista dirá no que se refere à desgraça deste país. Ouvir-me-ão dizer mal de muitos políticos. Ouvir-me-ão dizer que a justiça está subjugada à política. Ouvir-me-ão dizer muitas outras coisas que me magoam porque sou portuguesa e tenho vergonha de tanta e tanta coisa que se passa no meu país. Não ouvem certamente calão porque, pura e simplesmente, não o uso. Não me ouvem achincalhar ninguém porque não fui educada a fazê-lo.
Mas já estou cheia das escutas do Sr. Vara, do Sr. Sócrates & Companhia. Já todos sabemos que, se este caso, por milagre, chegar ao fim, o Sr. Godinho vai pagar por todos. Pressinto muita podridão nisto tudo. Pressinto que nenhum juiz será capaz de punir um poderoso deste país. Pressinto que os advogados mediáticos utilizarão todo e qualquer método para “safar” um poderoso.
Acabemos com os desperdícios dos dinheiros públicos em processos que me parecem de faz de conta. Faz de conta que se continua a investigar quando, na prática, o processo está acabado.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Educação

A quem me dizia que dava a Isabel Alçada o benefício da dúvida, aqui fica a resposta.
Este Governo continua a dizer que esta avaliação tem em vista a competência. Onde? Por favor mostrem-me onde. É que eu não consigo ver em nenhuma fase da avaliação a competência. Os professores andam preocupados com "os lindos" e a burocracia e a deixar para último a preparação das aulas. É que isso não conta para a avaliação. E agora, em que o Director (ainda que não seja titular) é que escolhe os avaliadores, a avaliação corre o risco de ser política. Nalgumas escolas sei que o será.A quem me dizia "vamos ver o que pensa Isabel Alçada", aqui temos o que eu disse. Isabel Alçada, como todos os outros Ministros, não estão lá para pensar. Estão para fazer e dizer o que o chefe manda.
Não há Salazar mas há salazaritos...
Continuamos a ter os políticos que merecemos. E o país que merecemos. É a outra face da democracia.

Faces ocultas

Desde que vivemos em democracia já houve dezenas de casos de “faces ocultas” que foram assunto de dias semanas ou meses na comunicação social, e isto é uma milionésima parte do que passa nos bastidores da política.
Há corrupção em abundância e, para isso, tem que haver os que corrompidos e os que corrompem que são igualmente trafulhas.


Mas a justiça portuguesa é de uma previsibilidade que incomoda. Todos sabemos, logo no início como acabam os processos que dá jeito não prescreverem.
Todos sabemos que havendo um Bibi na questão, esse paga por todos. Se só há gente graúda, há sempre os advogados da moda para conduzirem tudo no sentido da prescrição ou da “não prova”. É que eles também ganham o seu quinhão…
Neste país, desde que se tenha poder, o crime compensa.
Quanto à comunicação social só fala enquanto vende. A partir daí deixa cair no esquecimento.

Para os ex pilha galinhas, como lhes chamou o Medina Carreira, estes juízes, estes advogados e esta comunicação social é uma bênção.
Só não percebo por que é que se gasta tanto tempo e dinheiro em anos de investigações quando já todos sabemos como tudo termina.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Felizmente está a acabar

No domingo acaba de se gastar uma fortuna dos dinheiros públicos para nada mudar. Não se mudam mentalidades nas urnas de voto. Nem as do povo nem as dos políticos.
Mas eu lá estarei. A colocar uma cruz algures. Em branco não fica já que pode haver a tentação de alguém colocar lá uma.
Mais uma vez não vou votar em ninguém mas contra aquele que me parece que já enriqueceu o suficiente à nossa custa.

Nestas eleições vamos distribuir milhões de tachos a milhões de políticos, a maior parte deles de qualidade duvidosa, que se esgadanham por um lugarzito. Para os partidos terem oportunidade de colocar muitos amigos a enriquecer à nossa custa, o país está perfeitamente esquartejado.

O Concelho do nosso Primeiro é exemplo disso como aqui mostrei em Julho do ano passado.
Uma freguesia com 94 (noventa e quatro) habitantes. Se calhar, com jeitinho, têm todos lugar na Junta de Freguesia.
Uma freguesia rural de 2 Km2. Isto corresponde a um quadrado com 1,4 Km. Para se fazer uma caminhada de uma hora tem que se dar a volta à freguesia toda duas vezes.

Isto é tão escandaloso que não me ocorre dizer nada. Limito-me a pedir aos portugueses que lerem isto, o favor de meditarem um pouco sobre como se desbaratam (também) os nossos dinheiros.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Em jeito de rescaldo

Todos ganharam menos eu. Eu e os meus concidadãos.
Os portugueses têm, definitivamente, os políticos que merecem.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Vou votar contra

No próximo domingo vou votar. Tarefa difícil. A escolha entre o mau e o péssimo é sempre muito complicada.

O meu voto não é favor de ninguém. O meu voto é contra Sócrates.

Em Setembro do ano passado vi-me forçada a abandonar a profissão que escolhi em nova e da qual gostei imenso. Não teria passado o que passei se assim não fosse. A minha reforma veio no final de Novembro e a 9 de Dezembro de 2008 escrevi esta carta aberta à Ministra da Educação. Este o principal motivo porque voto contra Sócrates. Não perdoo que a Ministra me tenha impedido de não fazer greve, requisitando-me civilmente como não perdoo que me tenham roubado o prazer que eu tinha em exercer a profissão que escolhi.
O estado a que este Governo deixou chegar a Educação é a principal razão por que voto contra Sócrates. Mas há mais. Muitas mais.

Não perdoo que, por motivos políticos, o senhor que está à frente da CCDR Centro tenha colocado na prateleira, até pensar noutro destino a dar-lhe, um cunhado meu, Engenheiro Civil e Técnico Superior, que fez o estudo de impacte ambiental de um troço do TGV e lhe deu parecer negativo. Ousou dar um parecer que ia contra a vontade expressa do Governo. Claro que o mesmo chefe arranjou, posteriormente, um parecer favorável, assinado ou não por um Técnico Superior. Ao meu cunhado só restou pedir e reforma antecipada com penalização. A minha irmã, também do mesmo serviço, ficou em fila de espera para ter o mesmo destino. Também só lhe restou pedir a reforma antecipada com penalização. Isto lembra muito o que se passava com Salazar. Também ele não aceitava que alguém ousasse pensar diferente.

De gente desta quero distância. Quero o PS longe. Os outros não serão muito melhores mas piores não podem ser.

Que raio de país é este onde após 35 anos do 25 de Abril ainda não houve um partido que ganhasse umas eleições por mérito próprio. Todos os que vencem conseguem-no por demérito dos outros.

E o pior é que, em democracia, tem que se viver dos partidos políticos.

Vou votar e fazer de conta que acredito que algo vai mudar.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Prioridades

“A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, confessou hoje que a decisão de prolongar a escolaridade obrigatória até ao 12º ano foi "a mais importante" que o Governo tomou na área da educação.” – jornal Público

Esta ideia do alargamento da escolaridade até ao 12º ano foi “dada à luz” por Durão Barroso. Mas apareceu-lhe um lugar com vencimento apetecível e ele, deixou a ideia e o resto e foi-se embora. Se calhar a pensar no nosso bem… ihihih

Quando se alargou a escolaridade obrigatória para o 9º ano, a única coisa que se fez foi passar a quarta classe para os 15 anos. Até essa idade não se chumba sem o Encarregado de Educação se pronunciar e, se se optar pelas Novas Oportunidades é mesmo proibido reter alunos. Nas escolas em que o Director foi “eleito” com ajuda do representante da Câmara socialista, as coisas tornam-se ainda mais fáceis. As estatísticas vão sempre ao encontro da vontade da Ministra nem que para isso se altere a escala das avaliações.

Agora a Ministra encontrou a maneira de alterar as estatísticas dos resultados do ensino secundário. Como a escolaridade obrigatória até ao 12º ano, só os professores do ensino superior poderão pôr cobro a isto. É que os analfabetos saem com o 12º ano. Se o PS ganhar as eleições, o sucesso escolar passará para os 100%. E Sócrates vai encher a boca com essa estatística que nos coloca na pool position da Europa.

E os portugueses, que numa grande maioria são burros, ficam felizes e não pensam que os seus filhos têm o futuro comprometido. Já há empresas, que eu conheço, que não colocam nenhum jovem com um curso profissional tirado em nenhuma escola pública. Mas, para esses portugueses, as estatísticas são mais importantes que os filhos.

Prioridades…

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Uma bolacha aos professores

Logo no início da legislatura, José Sócrates disse que a classe docente era uma classe privilegiada e que tinha que perder esses privilégios. Será privilégio passar o dia a lidar com a má educação dos filhos dos outros? Será privilégio andar há décadas a saltar de reforma em reforma sabendo que nenhuma delas será, sequer, avaliada? Será privilégio ter uma ou duas faltas quando o atraso ultrapassa 5 minutos? Será privilégio ter que arranjar um atestado médico falso no caso, por exemplo, de encontrar um acidente rodoviário quando, atempadamente se sai para fazer uma vigilância? Será privilégio comprar um impresso cada vez que se retoma o serviço após as férias ou uma gripe? Será que é privilégio chegar ao topo de carreira com um ordenado inferior a um médico nas mesmas condições ou, muitíssimo menor que um profissional equivalente numa empresa? Será privilégio ser obrigado a passar todos os alunos dos CEFs e dos CPs? Será privilégio ter muros quase intransponíveis para reprovar um aluno do 1º, 2º ou 3º ciclo e, ainda, pedir ao Encarregado de Educação licença? Será que é privilégio ter reuniões que duram até às 22 horas, sem qualquer compensação?

Pena que José Sócrates não fale dos privilégios dos políticos, particularmente os dele.

Mas as pessoas escolhidas por José Sócrates também insultaram.

“admito que perdi os professores, mas ganhei a opinião pública” – Maria de Lourdes Rodrigues, Junho 2006.
“vocês (deputados) estão a dar ouvidos a esses professorzecos” – Valter Lemos, Janeiro 2008
“caso haja grande número de professores a abandonar o ensino, sempre se poderiam recrutar novos no Brasil” –
Jorge Pedreira, Novembro 2008
“quando se dá uma bolacha a um rato, ele a seguir quer o copo de leite” - Jorge Pedreira, Novembro 2008

Agora, que estão eleições à porta, Sócrates vem dizer que talvez tenha havido falta de delicadeza no tratamento com os professores e que é infantil pensar que o Governo trabalhou contra os professores.
Eu não esperava delicadeza de pessoas sem berço cuja vida se passou nos corredores imundos da política. Mas seriedade e justiça, essas tenho o direito de exigir enquanto cidadã que cumpre todos os seus deveres cívicos.
Infantil
é pensar que, depois da maneira como o Senhor Primeiro-ministro e a sua equipa tratou os professores nesta legislatura, algo vai mudar. A sua arrogância e falta de delicadeza tendem a piorar com a idade.

Depois de todos os nomes que nos chamaram e da maneira como nos trataram (o que me obrigou a fugir antecipadamente da profissão que escolhei, que adorei e que exerci 36 anos) só faltava o senhor chamar-nos atrasados mentais. Se quer sacudir as responsabilidades da sua acção governativa na educação para a Ministra e os Secretários de Estado da Educação, que o senhor escolheu e sempre defendeu com unhas e dentes, faço-o cara a cara com eles e não meta os professores nessas guerra. O que está a fazer é baixo. Muito baixo mesmo.