segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Pela imprensa

"Humanos esgotarão a 21 de Agosto recursos naturais do planeta para 2010

Os habitantes da Terra esgotarão a 21 de Agosto os recursos naturais que o planeta lhes proporciona anualmente, pelo que a partir daquela data passaremos a consumir e a viver dos créditos respeitantes ao próximo ano.


O alerta foi deixado hoje, segunda-feira, pela organização não-governamental Global Footprint Network (GFN), que anualmente calcula o dia em que o consumo da humanidade esgota os recursos naturais que o planeta é capaz de fornecer cada ano.

O limite em 2010 ou "Dia do Excesso" ("Earth Overshoot Day", em inglês) será atingido no sábado 21 de Agosto, refere a organização que trabalha para promover a sustentabilidade através do uso do conceito de Pegada Ecológica, uma ferramenta de contabilidade dos recursos naturais. ..." (Jornal de Notícias)

O Homem tudo tem feito para destruir a Terra. Era bom que todos pensássemos nisto.

domingo, 15 de agosto de 2010

Mais uma vez a justiça

Passos Coelho disse, e bem, que o governo interfere politica na justiça e nos seus agentes. Alberto Martins não sabe onde teria havido essa interferência.

O Sr. Dr. Alberto Martins deve estar com os óculos muito mal graduados. Não enxerga o que qualquer português vê.

Mas eu digo-lhe, Sr. Ministro. Tem interferido sempre que o Primeiro-ministro aparece envolvido em qualquer assunto menos claro. E isso tem acontecido amiudadas vezes. A justiça para o PM é a “dos mortos não falam”. A Independente morreu. As escutas morreram. E… por aí fora.

Precisa-se de um oftalmologista para Alberto Martins.


Crise para esquecer a crise

O PS ainda não entendeu que vivemos em democracia e, nessas condições, o PSD e qualquer outro partido têm poder para votar a favor ou contra o orçamento de estado. Sempre assim foi e nunca o facto de se falar num voto contra o OE abriu uma crise política. Bolas! O Passos Coelho tem um poder do caneco!

Se Sócrates e Passos Coelho trocassem de lugar, Sócrates faria exactamente o mesmo que Passos Coelho.

Presumo que esta pseudo crise é para esquecermos a que vamos pagar (e de que maneira!) quando acabarem as férias estivais.

Haja paciência!

sábado, 14 de agosto de 2010

O ego do PM

Quando as coisas não lhe correm de feição, é vê-lo, qual Calimero, a queixar-se das campanhas negras.

Quando correm mal aos outros, neste caso ao país com os incêndios, é vê-lo feliz a dizer que estamos no paraíso. Que quase não ardeu nada, que estamos super preparados para qualquer incêndio. Que tudo vai de vento em popa.

Vá lá a gente entender este ego!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Pela imprensa

"Uma semana depois do chumbo da segunda avaliação do impacto ambiental do Freeport, a 6 de Dezembro de 2001, tudo estava decidido: o gabinete de arquitectos Promontório, que trabalhava há ano e meio no projecto, era dispensado e o trabalho era entregue ao atelier do arquitecto Capinha Lopes, que nessa altura participava, graciosamente, na montagem das campanhas eleitorais socialistas em Alcochete e noutros concelhos da margem sul.

Como foi tomada essa decisão, que deixou estupefactos os altos quadros da Freeport e o gabinete de arquitectos inglês Benoy - principal parceiro da empresa nessa área -, é qualquer coisa que os investigadores não conseguiram apurar, tanto mais que a investigação foi encerrada por decisão hierárquica antes de ser concluída."


(Público, 5 de Agosto de 2010)

Palavras para quê? São 'artistas' portugueses.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

PGR versus SMMP e vive-versa

Pinto Monteiro acusa Sindicato dos Magistrados do Ministério Público de actuar "como pequeno partido político". O problema é que esse partido não é o do Pinto Monteiro. Se fosse não havia qualquer problema.

Primeiro manda destruir as provas e agora, que o “morto não fala”, Pinto Monteiro canta de galo.

O Procurador-geral da República não devia ser escolhido pelo Governo. Tal como está, não falem na independência da Justiça nem na separação dos poderes.


domingo, 1 de agosto de 2010

O absurdo

Antes das últimas eleições legislativas, eu escrevi aqui o seguinte:
‘Se o PS ganhar as eleições, o sucesso escolar passará para os 100%. E Sócrates vai encher a boca com essa estatística que nos coloca na pool position da Europa.’

Ora aí está o que disse. A ideia peregrina do Governo, que felizmente não tem a maioria absoluta, vem completar as loucuras que há uma série de anos têm conduzido a educação ao estado comatoso.

“A ministra da Educação quer alterar as actuais regras de avaliação. Para Isabel Alçada, os chumbos quase nunca são benéficos e devem, por isso, ser substituídos por medidas alternativas.
A intenção da ministra foi revelada em entrevista ao Expresso, com Alçada a defender que raramente as reprovações contribuem para melhorar a qualidade do ensino. Em alternativa, a ministra propõe o estudo acompanhado e o reforço das aulas de apoio, bem como o desenvolvimento de projectos especiais, envolvendo mais professores, de forma a permitir dar mais atenção aos alunos com maiores dificuldades de aprendizagem.”

A Ministra vai, na secretaria, colocar o sucesso escolar nos 100%. Nada mais fácil. Acabam-se as reprovações e incentiva-se a preguiça. Claro que as reprovações não contribuem para melhorar a qualidade do ensino, como a Ministra disse. Como a proibição de reprovações também não contribui para melhorar a qualidade do ensino. Toda a gente o sabe. Mas o aluno que não estuda, que não se aplica, que não participa positivamente, que falta, que não realiza as actividades propostas pelos professores, que não quer aprender nem deixa que os outros aprendam, têm que receber a justa paga do seu não trabalho – a reprovação. Isto parece a lógico para qualquer pessoa com dois dedos de testa. Mas não é lógico para o Ministério. Para o Governo.

A cultura da mediocridade continua. O número de analfabetos aproxima-se rapidamente dos valores de antes do 25 de Abril. A diferença é que nessa altura os analfabetos eram apenas analfabetos e agora os analfabetos são qualificados. Vai viver-se a mesma situação mas em clima de “faz de conta”. Os goversos socialistas t~em sido de “faz de conta”. Mais. As classes mais desfavorecidas são novamente as mais prejudicadas. Os analfabetos qualificados vão ser, na sua maioria, dessas classes. Mas esse povo aceita, com a maior das felicidades, estes presentes envenenados. Não conseguem entender que estão a ser ludibriados. Que o seu futuro está cada vez mais comprometido.

Mas para o disparate ser completo a Ministra propõe que os professores dêem aulas de apoio e estudo acompanhado a estes preguiçosos. Será que a Ministra não sabe que todos os professores têm no seu horário aulas de apoio aos seus alunos, aulas essas a que os alunos necessitados não comparecem?

E, com essas aulas para fingir que se recupera quem se está nas tintas para a recuperação tanto mais que sabe que nunca pode ser reprovado, os professores ficam sem tempo para as aulas de substituição. Os professores ainda não têm o dom da ubiquidade nem que o Ministério lhes dê ordens para tal.

O alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano, ainda vem agravar esta situação. Vamos ter toda a maralha com o 12º ano mesmo que nunca tenham merecido sair da iniciação.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Pergunto eu...

Quando Sócrates disse que esperava não voltar a falar do processo Freeport, estava a falar connosco ou era um recado para os procuradores que tiveram a seu cargo a investigação?

Afinal o Procurador Geral da República, por coincidência escolhido por Sócrates, estipulou ou não um prazo para conclusão do processo?

Esse prazo teria sido alargado se os procuradores do processo o tivessem pedido alegando a necessidade de ouvir Sócrates?

Esse eventual limite de prazo, foi ou não o responsável por não se ter ouvido Sócrates? Os procuradores do processo queriam mesmo interrogar Sócrates de uma forma livre e imparcial?

Os portugueses devem ter vergonha de alguma coisa menos correcta que façam, se a Justiça é esta vergonha completa e mantém-se como se nada se passasse?

O Procurador Geral da República, tal como Sócrates, não estará na situação de “cada cavadela, cada minhoca?

Onde está a independência da Justiça?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A justiça que temos

O Ministério Público deu por terminada a investigação do caso Freeport. Manuel Pedro e Charles Smith são os únicos, dos sete arguidos, que irão a julgamento.

Sócrates, que faz e desfaz o que muito bem entende da nossa vida e dos nossos impostos sem nos dar a mínima satisfação, achou por bem vir falar ao país dizendo que a justiça o ilibou de qualquer culpa no caso Freeport. Como se todos nós já não soubéssemos que o Ministério Público nunca terá coragem para considerar culpado qualquer político do que quer que seja. Quanto mais um primeiro-ministro!?

Na minha opinião, o que devia estar em causa não era o licenciamento ambiental do empreendimento Freeport mas o facto de, dias antes de eleições, o Conselho de Ministros ter aprovado o DL que alterou os limites da Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo. Depois dessa alteração, qualquer Ministro podia aprovar o projecto sem cometimento de qualquer ilícito criminal.

Os grandes já estão de fora. Agora vão a julgamento apenas estes dois. E na minha opinião devem ser punidos porque são lorpas. Eles eram intermediários do negócio entre Inglaterra e Portugal. Em vez de intermediarem directamente, deveriam tê-lo feito através do Primeiro-ministro. A esta hora as conversas já estavam reduzidas a cinza e eles estariam ilibados também. Não são uns pacóvios quaisquer. Eles têm conhecimentos nas “altas instâncias”, pelo que esse erro não tem perdão.

Ainda há quem acredite na justiça deste país!? Eu acredito tanto na justiça como nos políticos.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Ponte Europa

‘Num relatório de 2004, o Tribunal de Contas (TC) diz que "o valor da adjudicação da empreitada foi de 38,65 milhões de euros". E acrescentou que "o custo da solução rodoviária" cifrou-se em 111,3 milhões, fazendo contas a nós de acesso e a uma derrapagem de 288%.’

JN 2009-11-18

A Ponte da derrapagem lá está para por ela passarmos e os responsáveis pela derrapagem, passam por ela como qualquer um de nós.
Neste país que teima em dizer-se do primeiro mundo, a responsabilidade pelo gasto dos nossos dinheiros, morrerá sempre solteira. É que quando o Estado precisa de mais dinheiro, tem uma solução super simples. Vem buscá-lo aos nossos bolsos.

domingo, 25 de julho de 2010

Salazar

“A agência Bloomberg escreve hoje que o antigo ditador António de Oliveira Salazar poderia ser recordado como o melhor investidor que Portugal já teve, caso o banco central português autorizasse o país a beneficiar das suas reservas de ouro.
Em proporção com o tamanho da economia, Portugal armazena mais ouro que qualquer outro país na Europa, a maioria do qual acumulada durante os 36 anos da ditadura de Salazar com poupanças e o dinheiro das exportações portuguesas, incluindo volfrâmio (tungsténio) e da indústria conserveira.”


Afinal a “pesada herança” valeu a pena.

A Salazar tenho que estar grata por não ter usado o dinheiro dos meus impostos em proveito próprio nem ter permitido o mesmo aos que o rodeavam. O mesmo não posso dizer dos políticos de hoje.


quinta-feira, 22 de julho de 2010

Escolha fácil

Entre brincar às Constituições ou brincar aos Governos, prefiro que brinquem às Constituições. É que esta última brincadeira ainda é anteprojecto e as brincadeiras do Governo estão-nos a sair muito caras.
Que Nosso Senhor ilumine estas cabeças!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O Estado do País

Calamitoso!

Sócrates resolveu fazer Mega-Agrupamentos de Escolas. Vai “despedir” umas dezenas de Directores. Bem sei que o aumento que os Directores das Escolas tiveram, foi escandalosamente grande. Maria de Lourdes Rodrigues precisou de os comprar para conseguir chegar a algumas escolas. Mas, o que o Estado encaixa é irrisório.


Se em vez de Mega-Agrupamentos de Escolas, o Governo fizesse Mega-Agrupamentos de Freguesias, de Deputados, de Comissões, de carros oficiais, de Governos Civis, de Empresas Públicas, de Comissários Políticos em tudo quanto é sítio, aí sim, aí encaixava o suficiente para nos deixar viver.

Mas com partidos políticos temos que sustentar esta chusma de parasitas. O que quer dizer que, se em democracia não temos solução e se sem partidos não há democracia, estamos tramados. Mesmo.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Pela imprensa

“Relação anulou crime de corrupção a Isaltino”. Possivelmente, como Domingos Névoa, não corrompeu as pessoas certas. Ou será que se provou que a cabeleireira, mulher do primo taxista, ganha mesmo milhões no salão?...

"Assis acusa Passos de criar uma espécie de ameaça de Verão". Se o que diz Francisco Assis fosse credível, estávamos todos fechados em casa com medo de Pedro Passos Coelho. O PS não sabe mesmo viver em democracia sem maioria absoluta.

“Metade dos alunos com negativa no exame de Matemática do 9º ano”. Se, no ano passado, a subida das notas “mostrou” o sucesso das reformas, o resultado deste ano “mostra” o falhanço das ditas.

“Dois terços do peixe consumido em Portugal é importado”. Isto num país que já foi de pescadores. O país da Europa com maior número de quilómetros de costa por quilómetro quadrado de terra.


A nossa passividade mostra que nós merecemos os Governos que temos. Os nossos antepassados é que não merecem que destruamos o que nos deixaram de herança.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Portugueses filhos e portugueses enteados

Paga-se portagem na A1 entre Lisboa e Alverca? E na A2 entre Lisboa e Coina? E na A5 entre Lisboa e Porto Salvo/Oeiras? E na A8 entre Lisboa e Loures? E na A23? E no IC2 entre Lisboa e Póvoa de Santa Iria? E no IC2 entre Almada e a Costa de Caparica? E no IC19 entre Lisboa e Sintra? E no IC21 entre Coina e o Barreiro? E n0 IC32 entre a A2 (Coina) e Alcochete?
Estamos a falar de cerca de 1000 km na zona da Grande Lisboa, a zona com maior poder de compra do país, ou não estivessem lá todos os decisores dos nossos destinos.

Vila do Conde, Póvoa do Varzim, Espinho, Esposende, Ovar e tantas outras terras estão para o Porto como Sintra, Costa da Caparica, e todas as referidas acima estão para Lisboa.

Por que se decidiu vir buscar o dinheiro aos portugueses que vivem no Norte e no Centro?
Por que se pode ir, em auto estrada, de Lagos a Vila Real de Santo António (140 km) ou de Lisboa a Sintra (30 km) sem pagar um cêntimo e não se pode ir do Porto a Vila do Conde (30 km) nas mesmas condições?

Se os lisboetas e algarvios não querem, e bem, pagar as estradas do norte, os do norte também não querem, e bem, pagar as estradas de Lisboa e do Algarve.

Se os políticos se recusam a diminuir a despesa do Estado nos meandros políticos, redução que podia chegar aos 50%, e optam por nos vir buscar mais ao bolso, então ou pagam todos ou não paga ninguém. As excepções vão criar injustiças e permitir falcatruas. Todos o sabemos. Cobrem-se portagens em todas as SCUTS e auto-estradas, de norte a sul e de este a oeste, e diminua-se o custo dessas portagens.

A dúvida que me resta é saber para onde vão os muitos impostos que os portugueses pagam.

sábado, 26 de junho de 2010

Situação insustentável

“Um Presidente da República não pode nunca dizer que ‘Portugal vive uma situação insustentável’ porque isso cria dificuldades ao próprio país. Ao Presidente da República cabe não palavras de depressão, não palavras que desmobilizem os portugueses mas uma palavra de confiança. E se a situação é insustentável o que é que ele fez para impedir que a situação fosse insustentável. Ela avisou? Ele preveniu? Mas o Presidente da República não é eleito para avisar; não é eleito para prevenir. O Presidente da República tem poderes que estão consagrados na Constituição. Portanto de quem é a culpa?” – palavras de Manuel Alegre na sua pré-campanha eleitoral.

Para Manuel Alegre, como para Sócrates, não de deve dizer a verdade. Deve dourar-se a pílula. Recuso-me a aceitar isso. Não estamos a falar para crianças, estamos a falar para adultos que vivem em sérias dificuldades que Manuel Alegre, ou Sócrates, não conhecem. Não sabem o que é viver a contar os tostões diariamente. Viver à espera que o fim do mês chegue depressa.
Mas numa coisa eu concordo com Manuel Alegre. O Presidente da República tem poderes consagrados na Constituição para ter evitado que a situação chegasse onde chegou. Ao insustentável. Cavaco Silva teve muitas oportunidades para demitir o Governo. Por muito menos, Jorge Sampaio demitiu o Governo de Santana Lopes.

O que eu não esperava é que esta opinião viesse dum socialista. Mais. De um socialista candidato à Presidência da República e, ainda por cima, apoiado pelo próprio Partido Socialista. Boa! Gostei.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Martin Niemoller

“Quando os nazis levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse”

Martin Niemoller
(Lippstadt, 14 de janeiro de 1892 — Wiesbaden, 6 de março de 1984)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Moçambique? Portugal?

Rico é quem possui meios de produção. Rico é quem gera dinheiro» dá emprego. Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. Ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele. A verdade é esta: são demasiado pobres os nossos “ricos”. Aquilo que têm, não detêm. Pior, aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros. É produto de roubo e de negociatas. Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram. Vivem na obsessão de poderem ser roubados.
Necessitariam de forças policiais à altura. Mas forças policiais à altura acabariam por os lançar a eles próprios na cadeia. Necessitariam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade. Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem.




Coitados dos novos ricos. São como a cerveja tirada à pressão. São feitos num instante mas a maior parte é só espuma. O que resta de verdadeiro é mais o copo que o conteúdo. Podiam criar gado ou vegetais. Mas não. Em vez disso, os nossos endinheirados feitos sob pressão criam amantes. Mas as amantes (e/ou os amantes) têm um grave inconveniente: necessitam ser sustentados com dispendiosos mimos. O maior inconveniente é ainda a ausência de garantia do produto. A amante de um pode ser, amanhã, amante de outro. O coração do criador de amantes não tem sossego: quem traiu sabe que pode ser traído.

...

E lá estão eles imitando os outros, assimilando os tiques dos verdadeiros ricos de lugares verdadeiramente ricos. Mas os nossos candidatos a homens de negócios não são capazes de resolver o mais simples dos dilemas: podem comprar aparências, mas não podem comprar o respeito e o afecto dos outros. Esses outros que os vêem passear-se nos mal-explicados luxos. Esses outros que reconhecem neles uma tradução de uma mentira. A nossa elite endinheirada não é uma elite: é uma falsificação, uma imitação apressada.

...

Os nossos ricos dão uma imagem infantil de quem somos. Parecem crianças que entraram numa loja de rebuçados. Derretem-se perante o fascínio de uns bens de ostentação.
Servem-se do erário público como se fosse a sua panela pessoal. Envergonha-nos a sua arrogância, a sua falta de cultura, o seu desprezo pelo povo, a sua atitude elitista para com a pobreza.



Os índios norte-americanos que sobreviveram ao massacre da colonização operaram uma espécie de suicídio póstumo: entregaram-se à bebida até dissolverem a dignidade dos seus antepassados. No nosso caso, o dinheiro pode ser essa fatal bebida. Uma parte da nossa elite está pronta para realizar esse suicídio histórico. Que se matem sozinhos. Não nos arrastem a nós e ao país inteiro nesse afundamento.


Mia Couto

sábado, 19 de junho de 2010

Haja bom senso

Detesto hipocrisias. Tenho pena de todas as pessoas que morrem porque eu gosto da vida e desejo, para os outros, aquilo que, para mim, é bom.

Morreu um homem – José Saramago. Um português da cultura que escolheu viver em Espanha. Um português que levou Portugal a todo o mundo. Daí a haver dois dias de luto nacional, um avião, pago por nós, para ir buscar o corpo de Saramago a Espanha e 24 horas diárias da comunicação social a falar da sua morte, vai um exagero que não entendo.

Na minha opinião não há insubstituíveis. A vida continua, morra quem morrer nem que essa morte seja a de um humilde pai de família que era o sustento de todos os seus.

Saramago ganhou um prémio Nobel. É um orgulho para Portugal. Nessa altura, cheguei a ouvir, ver e ler que Portugal ganhou o seu primeiro prémio Nobel. Santa ignorância! O nosso grande Egas Moniz ganhou um prémio Nobel em 1949. Um homem que teve uma vida difícil por causa da sua actividade política em prol da liberdade de expressão e pensamento. “As suas duas descobertas mais importantes foram a angiografia cerebral, conseguida em 1927 e a leucotomia pré-frontal, concretizada em 1935. A primeira foi premiada com o Prémio de Oslo de 1945 e a segunda com o Prémio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1949.” Alguém se lembra de Egas Moniz? Alguém fala em Egas Moniz? Por acaso faz parte do percurso escolar dos jovens uma alusão ao trabalho e à vida de Egas Moniz? Quantos portugueses já visitaram a Casa-Museu Egas Moniz em Avanca? Eu já a visitei três ou quatro vezes e já lá levei dois grupos de jovens.

Até na morte é preciso ter sorte.

Será que algum peso na consciência leva a que a morte de Saramago tenha este mediatismo? Agora todos adoram o homem, o cidadão português e o escritor. Se morresse o Cristiano Ronaldo também teríamos luto nacional? Tivemos este exagero quando morreu a Engenheira Maria de Lourdes Pintassilgo, que exerceu o cargo de Primeira-ministra deste país? Tivemos este exagero quando morreu a Grande Sophia de Melo Breyner? Tivemos este exagero quando morreu o grande Eugénio de Andrade? E tantos, tantos homens e mulheres de valor que nos deixaram heranças notáveis mereceram isto?

Eu sei que é "bem" dizer que já se leu muito Saramago, que se adora a escrita de Saramago, que é o maior escritor português. Mas eu não ligo ao que é “bem”, digo o que penso e dou a cada pessoa o direito a ter os seus gostos e as suas preferências.

Enquanto escritor não me vai fazer falta. Tenho cinco livros dele e não consegui ler nenhum até ao fim. Não aprecio a sua forma de escrever e tenho esse direito.

Como cidadã portuguesa, também não vou sentir a sua falta. Por algumas vezes me senti incomodada com as palavras de Saramago ao país onde nasceu.

Enquanto católica praticante, Saramago também não me vai fazer falta. Respeito todas as convicções religiosas e todas merecem respeito. A minha nem sempre foi respeitada por Saramago.

Que descanse em paz!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O que o berço dá, a tumba leva...

...diz o povo que é sábio, ou melhor, era sábio quando criava provérbios que traduziam verdades que ainda hoje o são.

Quando se tratou de reduzir o vencimento dos políticos em apenas 5%, o nosso primeiro disse ser contra gestos simbólicos e mais a favor de resultados. Teve que engolir para arranjar o “arranjinho” com Passos Coelho.

Hoje, dia em que se promulga a lei que permite o casamento entre homossexuais, o nosso primeiro almoçou com representantes de movimentos de gays e lésbicas numa atitude que, segundo ele, é meramente simbólica.
Onde fica a coerência?

O nosso primeiro quis falar com Xico Buarque mas teve necessidade de dizer que este é que queria estar com ele. Quando Xico Buarque se indignou e publicamente disse que o nosso primeiro é que pediu para estar com ele (e trazer autógrafos para a família e amigos), veio um comunicado alegando um “erro de transmissão”.
Onde fica a verdade?


Não há nada a fazer. Facadas na verdade e na coerência são a imagem de marca do nosso primeiro.
A incoerência e a fuga à verdade estão-lhe nos cromossomas.