sexta-feira, 23 de março de 2012

A greve e os piquetes

A greve do dia 22 foi, a meu ver, uma patetice. Nada mudou desde a última greve que justificasse mais esta. É pena que os nossos sindicatos ainda estejam no século passado. Já não deviam ser estas as formas de luta mas os “patrões” dos sindicalistas não conseguem evoluir. Não há volta a dar-lhes...

Mas há algo que sempre me intrigou nas greves – o papel dos piquetes de greve. Na minha modesta opinião, e discordando desse tipo de luta, uma greve seria marcada e cada cidadão aderia, ou não, usando da sua liberdade. Mas não. Os que fazem greve não querem que os outros não adiram a ela. E há que os impedir. Isto, para mim, é a pouca convicção na adesão à dita greve. Se precisam de angariar grevistas é porque voluntariamente não os teriam. Será isto democrático?

Mas adiante. Está tudo cheio de imagens e vídeos das confusões que tiveram lugar na última greve. Não tenho elementos para saber os motivos que levaram a polícia a agir. E não percebo por que é que os polícias têm que saber distinguir um(a) jornalista dum cidadão comum. Qualquer um pode dizer que é da imprensa, sendo ou não. Não culpo a polícia nem os manifestantes porque não tenho elementos para o fazer mas, pelos vistos, já quase toda a gente os tem.

E termino com duas pergunta. Se não houvesse dois jornalistas entre os feridos, haveria tanta notícia e indignação? A greve não serviu para defender os trabalhadores que mais regalias têm, que são os dos transportes públicos? 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Entrudo

Em “Os Maias”, João da Ega diz a Carlos Maia: “Aqui (em Portugal) importa-se tudo: leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilo, indústrias, modas, maneiras, pilhérias, tudo nos vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssima, com os direitos de alfândega: e é em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas…”

Ao que diz Eça de Queirós eu acrescentaria que também se importou o Carnaval. Do Brasil, onde, por esta altura, é Verão. Daí que estes corsos que se fazem por cá, e que não são de forma alguma tradição nossa, nos “fiquem curtos nas mangas”. O nosso Carnaval nunca foi de mulheres despidas no pico do Inverno. É uma tosca e pobre imitação do Carnaval no Rio.
Sempre detestei o carnaval e nunca achei graça nenhuma a máscaras. Mas tenho todo o respeito por quem gosta e considero que a brincadeira, a diversão e a boa disposição são sempre bem vindas seja ou não Carnaval.
Contudo, parece-me ter toda a lógica acabar com a tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval. Um fim de semana de folia chega para gozar um óptimo Carnaval. Dar tolerância na terça-feira significa não trabalhar segunda, terça e quarta o que não está minimamente em coerência com o acabar com feriados civis e religiosos.

Venha a mobilidade

Vem aí finalmente a mobilidade dos funcionários públicos. Sobre esse assunto, o deputado do CDS João Almeida disse que «para quem não aceita a mobilidade, defende o respeito pela opção das pessoas. Se quiserem aceitar a mobilidade, aceitam, se não quiserem, têm todas as garantias que hoje em dia a lei já lhes atribui». E acrescentou «seria positivo que, havendo disponibilidade financeira para isso», se «pudesse criar um programa de rescisões por mútuo acordo».

Levantou-se uma onde de indignação. Partidos políticos, sindicatos, associações, fazedores de opinião ou simples concidadãos manifestaram-se contra a mobilidade dos funcionários públicos. E surge uma mole de argumentos. Esses funcionários têm família, estão possivelmente a pagar a sua casa, têm as escolas dos filhos, têm eventualmente familiares idosos a cargo, têm as suas expectativas, etc., etc. Concordo que é um inconveniente mas é, também, uma necessidade que se vai pôr em prática já demasiado tarde.
O que me intriga e indigna é que os professores sempre tiveram essa mobilidade. São colocados onde há vaga (20, 50, 100, 300 ou 500 km de casa) e só têm duas alternativas: ou aceitam ou são penalizados não podendo concorrer durante um determinado período de tempo. Nunca ouvi uma voz, dessas que agora tanto protestam, a alegar que esses professores têm família, estão possivelmente a pagar a sua casa, têm as escolas dos filhos, têm eventualmente familiares idosos a cargo, etc., etc. Pelo contrário, todos se encarniçaram contra os professores apelidando-os dos “inúteis mais bem pagos do país”. Lamento que não tenha havido para eles qualquer palavra de ânimo ou qualquer tipo de incentivo como querem criar agora para os outros funcionários públicos. E nunca foi sequer sugerido criar um programa de rescisão por mútuo acordo para um professor que não quisesse aceitar um horário fosse ele a milhas da sua casa.
Por que razão os outros funcionários públicos não podem, tantas décadas mais tarde, ter a mobilidade que os professores sempre tiveram? Ou estão a esquecer-se que ter um trabalho, principalmente nos dias de hoje é uma sorte? Só agora é que perceberam que, apesar de necessário, é sempre um transtorno ser colocado longe de casa?

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Palavras de Cavaco Silva

Não posso deixar de lamentar as palavras de Cavaco Silva. Foi um insulto à maioria dos portugueses. Mas fazer disto motivo para pedir a demissão do Presidente da República e fazer manifestações à porta do Palácio de Belém, considero um perfeito disparate. Afinal quantos políticos já disseram asneiras? E quantos vieram dizer que não foi isso queriam dizer?

Os que assinam a petição do Presidente da República ou ao que vão para a rua manifestar-se contra as palavras de Cavaco possivelmente vão ao futebol ajudar a pagar ordenados milionários aos jogadores. Esses vencimentos são também um verdadeiro insulto a quem trabalha ou trabalhou uma vida inteira e tem a sua reforma. E o que ganha Cavaco é uma migalha para alguns jogadores de futebol.
Sejam coerentes.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O desacordo sobre acordo

Enquanto a maioria protesta contra o acordo com a Concertação Social, eu tenho dúvidas.
Ainda agora no Parlamento se manifestava a indignação contra a hipótese de as empresas fecharem nas pontes e esse dia de ponte descontar para férias. Mas eu julguei que isso sempre acontecia. Havia gente a fazer ponte e a ganhar o dia?
Todos sabemos que, quando havia hipótese de fazer ponte, quase tudo trabalhava a meio gás. Parece-me aliciante poder tirar um dia de férias e gozar quatro. Então qual o problema de a empresa fechar e todos gozarem a ponte? Mas isto não me parece que seja “férias marcadas pelo patrão”. Ou estou errada?
Há várias profissões onde as férias sempre foram marcadas pelo patrão. Os professores ou os juízes, por exemplo, só podem ter férias em Agosto. Quer queiram ou não, quer coincidam com as do cônjuge ou não, só vão de férias em Agosto.
Já agora, e para estar de acordo com este acordo, não seria justo e lógico acabar de vez com as tolerâncias de ponto para a função pública?

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Fundamentalismos

Começo por dizer que, apesar de não pertencer à maçonaria, sou fumadora embora fume pouco e nunca em ambientes fechados. Na minha casa só fumo debaixo do exaustor. Mas os fundamentalistas anti-tabaco estão a tomar atitudes que, a meu ver, já raiam o ridículo. Agora ‘a proibição deve estender-se às áreas circundantes de bares, restaurantes, cafés e discotecas’. Falta dizer a partir de quantos metros das portas destes estabelecimentos se pode fumar.

Quando eu andei no liceu, os estabelecimentos de ensino não eram mistos. E havia um perímetro de 500 m da entrada dos liceus femininos em que os rapazes não podiam estar. Será que o fumo faz tão mal às pessoas como os rapazes às raparigas? Será que 500 m para o fumo estará bem? Ou não será preciso tanto? Ou será preciso mais?
"Basta estar uma pessoa a fumar do lado de fora, junto à porta de um bar, para aumentar o nível de exposição ao fumo de quem está no interior", diz a coordenadora da equipa de investigação, Fátima Reis. Esta senhora, que eu não faço a mínima ideia de quem seja, anda certamente de carro a poluir o ar que eu respiro. Quem sabe se não passa à minha porta quando eu tenho as janelas abertas para a casa arejar. E eu nada posso fazer para a proibir de vir prejudicar a minha saúde e a dos meus.
Como diz o anúncio “poupem-me”.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O nosso dinheiro que vai para o li(u)xo

Mais uma escola que foi totalmente destruída e contruída de raíz. Ainda não foi inaugurada mas deve a sê-lo a qualquer momento. Dsta vez é a Escola Básica da Quinta de S. Gens na Senhora da Hora.
Estou perfeitamente de acordo com a requalificação do parque escolar. Mas para mim isso significava dar qualidade e funcionalidade às escolas. Assim não foi entendido pela Parque Escolar. Uma empresa que nasceu das mãos do Sócrates com intenções que só ele e os favorecidos conhecem.
As escolas foram construídas com todo o luxo e, pasme-se, com janelas que não abrem porque o edifício está preparado para estar climatizado.
Como as escolas não têm verbas para manter o ar condicionado, ficam todos a respirar o CO2 uns dos outros porque os espaços não podem ser arejados.
E assim se foram milhões de euros dos nossos impostos para o lixo que é o luxo destas escolas.

Se precisar de ir ao correio vá à papelaria

Estou em crer que as estações de correio têm permanentemente as caixas de compra de selos fora de serviço para terem muita gente para atender e justificarem que os trabalhadores não chegam. É que é raríssimo ir a uma estação de correios e ter a possibilidade de compra selos sem incomodar ninguém. Afinal a finalidade dos dispensadores de selos não era essa?

Ontem fui dar uma volta com uma das minhas filhas e quatro netos. Passámos por uma estação de correios e eu aproveitei para colocar um envelope verde (a solução que eu tenho para quando não há selos nas máquinas) mas a minha filha precisava de comprar um selo. A estação estava cheia de gente e quando entreguei o correio verde a um funcionário que estava num balcão com a placa “encerrado”, perguntei-lhe como se poderia comprar um selo se a máquina estava fora de serviço. A minha filha e eu ficámos de boca aberta com a resposta: “Tem selos na papelaria do outro lado da rua”.
Atravessámos a rua, comprámos o selo e voltámos ao correio para deixar a carta e ficámos a saber que os correios nos recomendam as papelarias.

O vandalismo na A22

Já estou a ficar farta do vandalismo na A22. É que os algarvios estão a ir-me à carteira já tão vazia.

Começaram a ser pagas portagens numa quantidade enorme de scuts de norte a sul, do litoral ao interior. Em todos os casos não há alternativa, os cidadãos manifestaram o seu desagrado mas foram cívicos. Os algarvios não há meio de deixarem de destruir o que nós todos pagámos. Pagámos os pórticos e estamos a pagar os consertos a que os algarvios obrigam semanalmente. Por favor acabem com o vandalismo!

Está na altura de os algarvios meterem na cabeça, de uma vez por todas, que são tanto como os beirões, ou os minhotos, ou os transmontanos, … e que todos estes pagam as scuts que usam e não estão dispostos a pagar a scut aos algarvios.

sábado, 4 de junho de 2011

Amanhã mudará algo?

Para manter a minha sanidade mental deixei de ouvir notícias e ler jornais. Detesto que me tomem por parva e sentia isso todos os dias.
Hoje é dia de reflexão. Amanhã lá estarei a votar e mais uma vez vou votar querendo acreditar que algo vai mudar neste país de pesadelo.
E se finalmente Portugal ganhasse juízo? Acho que o FMI ainda permite sonhar...

quinta-feira, 24 de março de 2011

Assalto à mão armada

A Indaqua, empresa que me fornece a água que consumo, escreveu-me a sua carta mensal. Como tive tempo, olhei para ela com algum cuidado.
O serviço que me foi prestado - venda da água - custou 11,98 €. Sobre este valor recaem, nada mais nada menos que 8 (oito) taxas ou tarifas que totalizam 15,61 €. Pago bastante mais de taxas do que o valor do serviço que me é prestado. as taxas e tarifas correspondem a quase 57%. A Indaqua presta-me um serviço de 11,98 € e eu pago 27,59 €.
Como estas despesas mensais têm que ser pagas sem discussão, nunca mais vou olhar para as parcelas, para o meu bem estar psicológico. Deixo que o dinheiro seja retirado da conta bancária e vou tentando viver feliz e contente com o que resta sem pensar nos assaltos de que sou vítima mensalmente.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Partilho este mimo

Recebi esta declaração para o IRS. Pelo ridículo do documento e pelo que ele representa de desperdício, acho que vale a pena partilhá-lo com vocês. Quanto terá custado este mimo?
Papel timbrado, envelope, portes de correio, tempo de trabalho de funcionários públicos administrativos. Por quantas mãos terá passado este papel? E tudo isto para eu ter o cuidado de não me esquecer de declarar 0,30 € quando preencher o impresso do IRS.

Vale a pena clicar na imagem para examinar convenientemente. Os meus dados pessoais bem como o nome do funcionário que assina foram, obviamente, suprimidos.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Pergunto eu...

O Ministro socialista dos Assuntos Parlamentares Jorge Lacão, num momento de lucidez, sugeriu que o número de deputados da Assembleia da República, deputados que nós sustentamos a pão de ló, diminuísse para 180. O governo, igualmente socialista, demarcou-se da posição de Jorge Lacão pelas vozes de Francisco Assis e Santos Silva.

O mesmo governo socialista decretou que, para o ano, os pensionistas passam a receber toda a documentação do seu interesse pela internet. Por mim, tudo bem. Quanto menos papelada melhor. Mas eu não represento a maioria dos pensionistas.

Só posso concluir que o governo não conhece o país real. Será que o governo sabe onde ficam as terrinhas isoladas, maioritariamente habitadas por pensionistas, como Azeveda, Trevões, Silvã de Cima, Cebola, Escalos de Cima e tantas, tantas outras? Será que o governo pensa que estes pensionistas têm computador, ainda por cima ligado à internet? Será que o governo pensa que estes portugueses sabem trabalhar com os meios informáticos?

Com esta medida o governo vai poupar em papel, envelopes e portes de correio 200.000,00 €. Quanto pouparia o governo se diminuísse o número de deputados para 180? Como dizia o outro, também socialista, é só fazer as contas.

Definitivamente os políticos não enxergam nada para além do seu próprio umbigo.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Temos Presidente

Queria ter entregue o meu boletim de voto em branco mas, pela primeira vez desde o 25 de Abril, anulei-o.  Não concordo nada com o voto nulo, até porque pode ser interpretado como ignorância em saber preencher um boletim de voto. Mas o voto branco pode ser utilizado para colocar uma cruz em qualquer um dos candidatos. Já não era a primeira vez e eu não ia correr esse risco.
A falta de qualidade dos candidatos, a pobreza da campanha, a certeza de que nada mudará, o desencanto de ver o meu país moribundo, não me permitiam votar em ninguém.

Fiquei contente pelo facto de o candidato Fernando Nobre, apenas com o apoio dos cidadãos, ter acabado com um resultado tão expressivo. É uma esperança. A cidadania ainda existe.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O mau gosto devia ser penalizado

Há publicidade para todos os gostos. E, para o meu, há publicidade que devia ser proibida. O óleo Fula passou, há uns meses, uma publicidade com uma caras sinistras que pretendem dizer que este óleo diminui o cheiro e fritos. Aquelas caretas são sinistras e, quando se vêm nos outdoors, até parece que são caretas para o óleo Fula. Aquele anúncio beliscava o meu sentido de estética e não esteve muito tempo por aí. Para meu espanto, retomaram agora a mesma publicidade.

O Pingo Doce, na altura do Natal, arranjou uma nova publicidade com os funcionários do peixe, do pão, dos legumes, … a cantar uma música sinistra. Para chamar mais a atenção o reclame tem aquele rapazinho jeitoso e mediático a “reger a orquestra”.

E fico-me, apenas, com estes dois exemplos. Haveria dezenas para referir aqui.

É evidente que as grandes empresas têm pessoas experientes em Marketing para elaborar estas campanhas e, no caso do Pingo Doce, o pessoal todo canta a dita canção. Até os meus netos. Se calhar a maioria das pessoas é levada por este tipo de publicidade. Comigo o assunto é diferente. O mau gosto da publicidade leva-me a evitar esse tipo de produto. Para mim o mau gosto é penalizado.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Para já sonho

Não tenho reforma que me permita fazer grandes viagens e, graças a Deus não sofro de nenhuma deficiência que me leve a ter necessidade de pedir um atestado ou uma vacina dos que subiram cerca de 600%. Mas reconheço que um aumento deste calibre é inaceitável. Se o custo destes atestados não era alterado há décadas, é porque os sucessivos Governos nunca consideraram necessário nenhum aumento ou^têm sido incompetentes. Agora, de um dia para o outro, quem precisa destes serviços, tem que desembolsar uma quantia que custa a pagar.

Mas tudo isto é realidade e eu quero falar de sonhos. E por duas razões. “Pelo sonho é que vamos”, dizia Sebastião da Gama e, para já, este Governo ainda não nos vai à carteira por sonharmos. O meu sonho era ver a minha reforma ser aumentada 600%. Fiz as contas. Deus! O que eu podia fazer com tanto dinheiro. Claro que não era nada comparado com os governantes e muito menos com os gestores do Banco de Portugal, da EDP, etc. etc. etc.

Mas, para mim, era um sonho. Um sonho que me permitia viver o meu mês sem estar sempre a consultar o Excel para ver se o fim do mês demora muito.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Alô! Alô! Jornalistas de investigação!

Depois de ouvir mais um capítulo do BPN, lembrei-me desta história.

“Um homem rico foi, em passeio, para uma ilha paradisíaca. Estava junto ar mar e viu um pescador que pescou dois peixes e foi para casa comê-los com a família. No dia seguinte, pesca um enorme peixe e regressa a casa para o saborear com a família. O homem começou e ver que o pescador se limitava a pescar um, ou dois, ou três peixes e ia comê-los com a família.
Depois de verificar esta rotina do pescador, o homem rico foi ter com ele e disse-lhe:
- Amanhã quando for pescar, não pare. Continue pescando tudo o que puder, pesque o máximo de peixe que conseguir.
- E depois?
- Depois leva os seus peixes para o mercado. Vende-os e guarda o dinheiro.
- E depois?
- Quando tiver algum dinheiro compra uma rede de pesca para poder pescar mais peixe ainda.
- E depois?
- Continua a pescar muito mais peixe, continua a vendê-lo e vai ganhar mais dinheiro ainda.
- E depois?
- Você já pode comprar um barco e com o barco vai poder ir para mais longe, encontrar mais peixes e trazer mais peixe para vender.
- E depois?
- Com a venda desses peixes arranja dinheiro para contratar ajudantes para o ajudar a pescar muito mais peixe. Quando tiver mais dinheiro compra um segundo barco e contrata mais empregados.
- E depois?
- Se continar a ganhar cada vez mais, pode ter uma frota de barcos de pesca. Constroi um depósito frigorífica para armazenar os peixes. Compra mais barcos, emprega mais gente e ganha mais dinheiro. Muito mais dinheiro.
- E depois?
- Você fica muito rico! Você pode parar de trabalhar! Pode ir morar na praia! Passar o dia pescando e descansando com sua família!
- Mas isso é o que eu faço agora, diz o pescador.”

A mentalidade do homem rico é a dos poderosos, políticos ou não. Não lhes chega serem ricos. Querem mais e mais e mais. É a ganância animalesca.

O que norteia os poderosos é o lucro fácil, conseguido por qualquer meio, normalmente desonesto. Esta noção de felicidade é-me dificilmente entendível tanto mais que é conseguida à custa dos portugueses com que eles gostam de, hipocritamente, encher a boca.

O caso BPN está a começar a mostrar os seus inúmeros tentáculos. Está na hora de uma Felícia Cabrita qualquer entrar em acção e começar a vasculhar bem todos os escândalos ainda escondidos e todos os políticos metido neste ninho de víboras.

Um banco que está falido e que o Governo teima em não deixar falir. No caso do BPP não houve apelo nem agravo. O Governo deixou cair. Mas o BPN? O que agarra tanto os políticos àquele banco? Deve haver montes de poderosos metidos neste monte de esterco. Cavaco vendeu as suas acções a 2,40 €. E quem foi que as vendeu, mais ou menos por essa altura, a preços mais elevados? E estas que o BPN nacionalizado está agora a comprar à antiga SLN? O Governo, que alega o “interesse público” sempre que se trata dos que rouba aos “sem voz”, não o utilizou para evitar o cumprimento destas compras por parte do BPN. Porquê?

Se vasculharem bem o caso BPN, às tantas não temos candidatos à Presidência da República. O Governo acabava. A Assembleia da República ficava às moscas. O que se poupava!

E Sócrates diz-nos que temos capacidade para resolver os nossos problemas. Só se for aumentando-os. Eu já nem acredito na vantagem de vir o FMI. São políticos na mesma só que europeus. Eu preferia que um país nórdico, de preferência, nos comprasse e começasse a pôr ordem neste regabofe. Garanto que o meu orgulho em ser dinamarquesa, ou sueca, seria bem maior do que o de ser portuguesa.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Campanha baixa

A campanha eleitoral abandalhou-se. Tinha que ser. Ou não fossem políticos a fazê-la.

Houve razões escondidas para nacionalizar o BPN e deixar cair o BPP. Havia poderosos, de todos os partidos, ligados ao BPN. Não foi pelos lindos olhos de Cavaco que o Governo nacionalizou o BPN. Havia muitos “Cavacos” que assim o exigiam. A começar pelo Governo que investiu lá o nosso dinheiro da Segurança Social. Pena que a comunicação social não investigue esses interesses. Nunca gostei do Cavaco mas, neste momento, acho que ele está a ser o bode expiatório do caso BPN.

Mas Alegre tem muitos telhados de vidro. Preferiu ir para a Argélia, desertando, a lutar aqui pela liberdade e pela democracia. Agora fala como se a sua vida fosse um exemplo da luta pela liberdade em Portugal. Embora discordando deste tipo de campanha reles, era bem feito que um dos outros candidatos pegasse nos telhados de vidro do Alegre. Como só sabe escrever poesia e isso não é modo de vida, dedicou-se à profissão que não exige qualquer tipo de qualificação e dá muito dinheiro – a política. Agora dava-lhe jeito um cargo bem remunerado e com garantias até ao fim da vida.

Viver não custa. O que custa é saber viver.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Pela imprensa

“Sócrates não vai discutir compra de dívida pública portuguesa com Dilma Rousseff” (Público)

Mas vai vender-lhe Magalhães, certamente. Qualquer dia, de nosso, só temos a incompetência.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2011 está aí

Desejo a todos saúde e alegria, já que não dependem do Sócrates e seus apaniguados.