quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Uma bolacha aos professores

Logo no início da legislatura, José Sócrates disse que a classe docente era uma classe privilegiada e que tinha que perder esses privilégios. Será privilégio passar o dia a lidar com a má educação dos filhos dos outros? Será privilégio andar há décadas a saltar de reforma em reforma sabendo que nenhuma delas será, sequer, avaliada? Será privilégio ter uma ou duas faltas quando o atraso ultrapassa 5 minutos? Será privilégio ter que arranjar um atestado médico falso no caso, por exemplo, de encontrar um acidente rodoviário quando, atempadamente se sai para fazer uma vigilância? Será privilégio comprar um impresso cada vez que se retoma o serviço após as férias ou uma gripe? Será que é privilégio chegar ao topo de carreira com um ordenado inferior a um médico nas mesmas condições ou, muitíssimo menor que um profissional equivalente numa empresa? Será privilégio ser obrigado a passar todos os alunos dos CEFs e dos CPs? Será privilégio ter muros quase intransponíveis para reprovar um aluno do 1º, 2º ou 3º ciclo e, ainda, pedir ao Encarregado de Educação licença? Será que é privilégio ter reuniões que duram até às 22 horas, sem qualquer compensação?

Pena que José Sócrates não fale dos privilégios dos políticos, particularmente os dele.

Mas as pessoas escolhidas por José Sócrates também insultaram.

“admito que perdi os professores, mas ganhei a opinião pública” – Maria de Lourdes Rodrigues, Junho 2006.
“vocês (deputados) estão a dar ouvidos a esses professorzecos” – Valter Lemos, Janeiro 2008
“caso haja grande número de professores a abandonar o ensino, sempre se poderiam recrutar novos no Brasil” –
Jorge Pedreira, Novembro 2008
“quando se dá uma bolacha a um rato, ele a seguir quer o copo de leite” - Jorge Pedreira, Novembro 2008

Agora, que estão eleições à porta, Sócrates vem dizer que talvez tenha havido falta de delicadeza no tratamento com os professores e que é infantil pensar que o Governo trabalhou contra os professores.
Eu não esperava delicadeza de pessoas sem berço cuja vida se passou nos corredores imundos da política. Mas seriedade e justiça, essas tenho o direito de exigir enquanto cidadã que cumpre todos os seus deveres cívicos.
Infantil
é pensar que, depois da maneira como o Senhor Primeiro-ministro e a sua equipa tratou os professores nesta legislatura, algo vai mudar. A sua arrogância e falta de delicadeza tendem a piorar com a idade.

Depois de todos os nomes que nos chamaram e da maneira como nos trataram (o que me obrigou a fugir antecipadamente da profissão que escolhei, que adorei e que exerci 36 anos) só faltava o senhor chamar-nos atrasados mentais. Se quer sacudir as responsabilidades da sua acção governativa na educação para a Ministra e os Secretários de Estado da Educação, que o senhor escolheu e sempre defendeu com unhas e dentes, faço-o cara a cara com eles e não meta os professores nessas guerra. O que está a fazer é baixo. Muito baixo mesmo.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

As voltas das estatísticas

O Primeiro-ministro e a Ministra da Educação encheram a boca com a redução do insucesso e do abandono escolar. Em termos de valores estatísticos eles são verdadeiros. Mas atenção! As estatísticas dão para o que cada um quiser fazer delas. Vitor Constâncio ganha cerca de 18.000,00 € e eu tenho de reforma perto de 2000,00 €. Em termos estatísticos ganhamos, em média, 10.000,00 €, o que não implica que eu não tenha que contar os tostões e ele não.

Este Governo resolveu acabar com os cursos tecnológicos e implementar os Cursos Profissionais e os Cursos de Educação e Formação para os jovens. Há, para além dos Cursos Gerais (7º ao 12º ano), as vias alternativas com cujos princípios eu estou de acordo.

No entanto, as Direcções Regionais de Educação, obrigaram (obrigaram mesmo) as escolas a abrir muitos cursos CEF e CP para atingir a meta do Governo de, em 2010, ter metade dos alunos do secundário a frequentar a via qualificante. De qualquer maneira. E isso foi conseguido. Abriram-se cursos de Qualidade e Controlo Alimentar em escolas em que não havia, nos laboratórios, fogão, frigorífico, etc. Abriu-se todo o tipo de curso sem sequer verificar se as escolas possuíam recursos materiais e humanos. Os professores dão o que se pode, como podem mas com uma condição emanada das DREs. Nesses cursos não pode haver reprovações. Logo aí, estamos a obrigar as estatísticas a chegar onde o Governo quer.

Para o ensino básico ainda não há essa obrigação. Ainda não passou de orientação. Mas já há escolas onde os Presidentes dos Conselhos Executivos, hoje Directores e da cor do Governo, aboliram a classificação, que por lei é de 1 a 5 para um “legislação interna” de 2 a 5. Assisti a Conselhos de Turma em que isso se passou.
Esses Directores caem em cima de professores que dão níveis negativos que são obrigatoriamente justificados. Mas se um professor der 5 a todos os alunos, ninguém lhe pede qualquer justificação.

Agora, em que as Câmaras se empenharam na eleição do Director para tudo fazerem para eleger pessoas da “cor”, as estatísticas poderiam melhorar ainda mais se este Governo não tivesse os dias contados. Estamos num novo PREC em que o medo impera e as passagens administrativas estão quase legalizadas.

Espero que o próximo Governo não continue por este caminho. É preciso ensinar aos jovens que as boas classificações se conseguem com trabalho.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Bem me parecia

Aqui há tempos mandaram-me um mail com uma página onde eu podia ver as músicas que se cantavam no ano em que eu nasci. Achei piada e fui lá. A primeira música que me saltou aos olhos chamava-se “Falta um zero no meu ordenado”. Eu sempre soube que ganhava pouco. Eu sempre achei que faltava um zero no meu ordenado. O que eu não sabia é que o meu problema era de nascença.

Há pouco, o fiscalista Diogo Leite Campos disse, na Sic Notícias, que um ordenado de 2000 € não era classe média. Era tão baixo que, em certos países, eu teria direito a um subsídio. E eu que sempre pensei pertencer à classe média!? Bem sei que a classe média é algo em extinção mas, o pertencer à classe média já era bom para o meu ego. Agora, tenho o ego na lama. E tirei eu um Curso Superior! E fiz estágio! E trabalhei 36 anos!

Diogo Leite Campos não disse em que países eu teria direito a um subsídio. Alguém me sabe dizer quais são?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Medina Carreira

Fiquei contente por ver que a confiança que Sócrates pediu e eu não dou, Medina Carreira também não dá (ver aqui). É que eu de economia, só conheço bem a doméstica mas Medina Carreira conhece a outra.
Disse que a política é negócio para arranjar tachos para os familiares e amigos. Falou dos ex pilha-galinhas que hoje são milionários porque passaram pela política e falou também no problema das autarquias. Um tema de que eu falei há tempos e que hoje recordo.

O país está perfeitamente esquartejado em “quintas” que são Concelhos e que se dividem em pequenos “quintais” que são as Freguesias. As quintas e cada um desses quintais custam a todos nós uma quantidade de dinheiro perfeitamente evitável. Refiro-me especificamente à região Norte onde habito e trabalho.Deixo aqui, e apenas como exemplo, o caso concreto do Concelho de Vizela que tem, no total 24 km2, ou seja o equivalente a um quadrado de 4,9 km de lado. Habitam aqui 22.595 portugueses dos quais 16.460 são eleitores. Em todo esse concelho há duas escolas com 2º e 3º ciclos do ensino básico e uma escola com ensino secundário. Há, obviamente, um Presidente da Câmara, um Vice-presidente e não sei quantos vereadores.Esse pedacinho de Portugal está dividido em sete (7) freguesias.

Santa Eulália – 5,4 km2, equivalente a um quadrado com 2,3 km de lado. 3584 habitantes sendo 5200 eleitores.
S. Miguel – 5,2 km2, equivalente a um quadrado com 2,3 km de lado. 6280 habitantes sendo 5022 eleitores.
Santo Adrião – 3,5 km2, equivalente a um quadrado com 1,8 km de lado. 2460 habitantes sendo 1847 eleitores.
S. Paio – 2,3 km2, equivalente a um quadrado com 1,5 km de lado. 1394 habitantes sendo 1152 eleitores.
Tagilde – 2,7 km2, equivalente a um quadrado com 1,5 km de lado. 1777 habitantes sendo 1229 eleitores.
Infias – 1,9 km2, equivalente a um quadrado de 1,4 km de lado. 1765 habitantes sendo 1441 eleitores
S. João – 2,9 km2, equivalente a um quadrado com 1,7 km de lado. 3719 habitantes sendo 3432 eleitores.

Todos estes “quintais” custam-nos mensalmente, uma renda do edifício da Junta de Freguesia bem como água, luz, telefone, Internet, etc. para a sua manutenção, o ordenado do Presidente da Junta bem como os ordenados de todos os funcionários dessa mesma Junta. Acrescente-se o edifício da Câmara Minicipal e tudo quanto a faz "mover", o ordenado do Presidente da Câmara, do Vice-presidente, dos vereadores e todos os funcionários que lá trabalham. Considerando que isto se passa num Concelho da zona Norte e que todo o país está esquartejado desta maneira, no global estamos a falar de quantias astronómicas e de um número incontável de funcionários públicos.

Será que um país pequenino e pobre, como o nosso, precisa de ser transformado num puzzle com peças deste tamanho? Que interesses estão por trás desta situação?
Isto merecia ser investigado ao pormenor para que todos os portugueses pudessem saber o número de funcionários públicos que trabalham em cargos políticos, directa ou indirectamente. É que se fala muito do número excessivo de funcionários públicos e, certamente, em funções políticas, ou a ela ligadas, haverá muitos.
Era um serviço público que a comunicação social nos podia prestar.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O deputado

No início dos anos 80 dei aulas em Famalicão. A escola funcionava em dois edifícios. No antigo Hospital e na antiga Cadeia, ambos desocupados por não terem condições para funcionar como tal. Quando um edifício não servia para mais nada, servia sempre para uma escola.

Vem isto a propósito do deputado brasileiro, com um programa na televisão, que encomendava homicídios para aumentar a audiência do seu programa. Este homem pertenceu à polícia que o expulsou. Se não serve para a polícia, serve para a política.

A política, por cá, vai pelo mesmo caminho. Quem são singra noutra profissão, vai para a política. E também os fins justificam os meios. Ainda não chegámos à fase de encomendar assassinatos físicos porque profissionais já estão em vigor.

Podíamos vender este jardim à beira mar plantado a um povo de gente honesta e trabalhadora. Não haverá nenhum? Claro que o valor da compra servia para pagar a dívida pública, ou parte dela, dependendo do que oferecessem por este rectângulo.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Confiança em quem?

O, ainda, nosso primeiro utilizou o JN para fazer propaganda eleitoral.
“… se o PS apresenta um programa, a direita esconde o seu.” Não sei o que é pior. Se não dizer nada, se propagandear e não cumprir.
Quanta aldrabice! Quanta demagogia!
Se há PM que não pode falar do espírito do salazarismo é José Sócrates. Vivi vinte e tal anos antes do 25 de Abril de Abril. Sabíamos com o que contávamos. Com este Governo vivemos uma ditadura encapotada. Uma coisa é certa. Aos políticos do tempo da chamada ditadura eu agradeço o não terem utilizado o dinheiro dos meus impostos em proveito próprio. Tal não posso dizer aos políticos de hoje.

Que dizer de um Governo que colocou na prateleira dois técnicos de uma Comissão de Coordenação que “tiveram a ousadia” de dar um parecer desfavorável a um troço do TGV? Um deles, em final de carreira, pediu a reforma antecipada com penalização.
Que dizer de um Governo que, em tempo de crise, e tendo criado duas categorias de professores por razões economicistas, compra os Conselhos Executivos das Escolas duplicando as suas gratificações para que a sua mensagem pudesse chegar aos professores?
Que dizer de um Governo que reduz o abandono e o insucesso escolar obrigando a transitar de ano os alunos dos Cursos de Educação e Formação e dos Cursos Profissionais?
Que dizer de um Governo que fez de ignorantes sábios em Matemática pondo-lhes à frente provas de uma facilidade extrema?
Que dizer de um Governo que trabalhou quatro anos para as estatísticas a qualquer preço?

“Confiança, nunca desistir da confiança.” – diz o PM. Mas confiança em quem? Nos políticos que nestes 35 anos pouco mais fizeram que destruir a “pesada herança”? Nos políticos que por aí pululam e que se esgadanham por um tacho qualquer? Nos homens e mulheres sem valor e sem valores que são a grande maioria dos políticos do meu país? Nos políticos que cometem as maiores barbaridades e que nunca são responsabilizados? Nos políticos que se servem do país em vez de servirem o país? Nos deputados, quantos deles advogados, que nem legislar sabem? Nos políticos que enriquecem à custa dos dinheiros públicos?
Nesta Europa que serviu para arranjar milhares de tachos e onde se pagam ordenados escandalosos? Nesta Europa que faz de conta que é útil?

Não, Senhor Primeiro-ministro. Não confio nos políticos de nenhum partido. Como escreveu, há anos um Senhor de Espinho, eu “exerço sempre o meu dever cívico de votar e finjo acreditar que isso mudará algo”.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ainda está para nascer...

...um Primeiro-ministro que consiga causar tantos danos na Educação em tão pouco tempo como conseguiu José Sócrates.

Inconsoláveis

A minha mãe e a minha tia estão inconsoláveis.
O solar brasonado dos meus bisavós, referido no livro “As mais belas vilas e aldeias de Portugal”, onde nasceu e viveu a minha avó materna é em Aguiar da Beira. Era a chamada “casa do fundo de Vila”. Foi nessa terra que a minha mãe e a minha tia nasceram e cresceram.

Aguiar da Beira é uma terra da Beira Alta que se pode orgulhar de possuir três monumentos nacionais num pequeno espaço: o Pelourinho manuelino, a Torre do Relógio e a tribuna do antigo senado municipal. Tirando o solar dos meus bisavós, nada na terra é hoje bonito.

Lá morava também um casal humilde e com enormes qualidades morais. Era o Sr. Albano caiador (assim o tratavam) que tinha uma lojinha de tudo e onde também era tanoeiro. O Sr. Albano e a mulher tinham um filho de nome Manuel Joaquim Dias Loureiro.

A minha mãe e a minha tia lamentam-se: “Coitadinhos do Sr. Albano e da mulher. Oxalá já tenham morrido que eles não aguentavam a vergonha de terem cá deixado um filho assim.” Dias Loureiro pouco deve ter herdado dos pais. Foi presidente da Assembleia Municipal de Aguiar da Beira entre 1997 e 2005, teve cargos no Governo e foi Conselheiro de Estado. Não me parece que esses cargos tenham feito dele milionário. Mas o que é facto é que chegou a declarar rendimentos superiores a Belmiro de Azevedo. Quis comprar (e insistiu) o solar dos meus bisavós que uma das primas direitas da minha mãe restaurou.

Aqui há uns bons anos, já Dias Loureiro era “cão grande” a minha mãe foi ao Hospital de Viseu porque tinha sido internada a caseira. Veio uma Senhora cumprimentá-la e disse-lhe: “Sra. Dra. Já não se lembra de mim. Eu fui criada sua mãe.” Esta Senhora simples era a mãe do arrogante Dias Loureiro.Por que enriquecem todos os políticos de hoje?

Eu já era casada e mãe de duas filhas e meia quando se deu o 25 de Abril. Vivi o chamado fascismo durante vinte e tal anos. Salazar nasceu numa pequena casa em Santa Comba Dão e morreu com a mesma casa. Os políticos serviam o país. Hoje servem-se do país. É isto a democracia? Para eles enriquecerem tem que haver os que empobrecem.
O que se passa nos bastidores da política, e nós só conhecemos um milionésimo, é perfeitamente escandaloso e inaceitável e, até hoje, nunca nenhum político foi preso. Por alguma razão eles se esgadanham todos para ir para o poder.

Se pudesse haver uma investigação séria e imparcial a todos os políticos, poucos ficariam em liberdade. Mas os advogados e os juízes também querem estar de bem com o poder.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Os números de Sócrates (2)

A validação de competências, que dá diplomas sem jeito com muita pompa e a presença do Primeiro-ministro e da Ministra da Educação ou de um dos seus Secretários de Estado (entre os dois venha o diabo e escolha), é também uma das medidas com que o PM mais enche a boca. É mais um embuste e eu remeto para um artigo que publiquei aqui há tempos. Já tomei conhecimento de mais uns quantos do mesmo teor.
Esta equipa governativa não mente quando diz que entregou milhares de diplomas de qualificação a milhares de portugueses. Efectivamente entregou os diplomas mas a portugueses sem qualquer qualificação.

http://destramar.blogspot.com/2008/07/novas-oportunidades.html

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Os números de Sócrates

Quando Sócrates faz os elogios às suas políticas desta legislatura, vem sempre com a diminuição brutal do abandono e insucesso escolar, com os milhares de pessoas que adquiriram qualificações através das Novas Oportunidades, do RVCC e com a diminuição das faltas dos alunos.
Os números que Sócrates e a sua Ministra divulgam são verdade mas vamos ver em que se baseia essa verdade. Hoje debruço-me sobre os Cursos Profissionais e os Cursos de Educação e Formação.
Em 1989 foram criadas as Escolas Profissionais vocacionadas para a formação de técnicos intermédios de nível III. Surge uma alternativa de formação de nível secundário. As Escolas Profissionais merecem toda a minha consideração por terem tido a capacidade de ultrapassar todos os obstáculos que foram surgindo, acabando por conseguir que, dentro do Ensino Secundário, o Ensino Profissional conseguisse os melhores resultados escolares. O facto de as Escolas profissionais serem, na sua maioria, pequenas, terem uma organização pedagógica baseada numa autonomia flexível e inovadora e uma grande ligação às empresas, à comunidade e às instituições, permite um acompanhamento mais personalizado e um maior sucesso escolar. Claro que há Escolas Profissionais a funcionar mal mas, a grande maioria funciona muito bem. O saber acumulado pelas Escolas Profissionais, exemplo de boas práticas, deveria ter sido passado para as escolas públicas para, com tempo, estas se prepararem para oferecer também cursos profissionais. As Escolas Profissionais por si só, não têm possibilidade de formar os técnicos de que o país precisa. O princípio em que baseia o Programa das novas Oportunidades nada tem a ver com o ensino clássico. Os professores das escolas públicas tinham necessidade de formação e as escolas de instalações e equipamentos. Não foi esse o entendimento do Governo. As estatísticas sempre falaram mais alto. No ano lectivo 2004/2005 implementou-se o ensino profissional em algumas escolas públicas. No ano seguinte, pelo menos na DREN, as escolas foram obrigadas a abrir Cursos Profissionais e Cursos de Educação e Formação mesmo que desconhecessem em absoluto o espírito, as exigências e o perfil de saída dos alunos destes cursos. Depois foi alargado, exponencialmente e de uma maneira atabalhoada a oferta voluntária “à força” de cursos profissionais nas escolas públicas sem que as mesmas tivessem tido a preparação necessária no que se refere a recursos humanos e materiais. Mas este Governo vive de metas que cumpre a qualquer preço.
“O Governo propunha-se atingir a meta de, em 2010, ter metade dos alunos do secundário a frequentar a via qualificante e, actualmente, à entrada no 10º ano, já alcançámos o objectivo", afirmou Maria de Lurdes Rodrigues, em declarações à agência Lusa, a propósito das comemorações públicas, que se iniciaram em Janeiro. (Imprensa, 4 de Janeiro de 2004).
E assim temos milhares de Cursos Profissionais e Cursos de Educação e Formação em escolas públicas de qualidade mais do que duvidosa. Incentiva-se e autoriza-se a abertura de qualquer curso em qualquer escola sem que as DRES verifiquem se as escolas possuem as condições para a sua leccionação. Temos, por exemplo, um Curso Profissional de Controlo e Qualidade Alimentar numa escola que não tem uma cozinha, um frigorífico, um fogão e uma série de equipamentos necessários ao tratamento de alimentos. Exemplos como este são aos milhares. Ou seja, as escolas desenrascam fingindo que leccionam um curso eminentemente prático. Em muitas escolas temos mais do mesmo com outro nome.
Tenho um amigo que tem um restaurante/bar e já me disse que quando lhe aparece um candidato a cozinheiro, empregado de mesa/bar ou técnico de cozinha/pastelaria com um curso profissional tirado numa escola pública, nem perde tempo. A resposta é logo não. A experiência mostrou-lhe a diferença entre a formação dos alunos qualificados pelas escolas públicas e pelas escolas privadas.
Realmente os números que o Governo propagandeia são correctos. Temos milhares de analfabetos qualificados a quem a Ministra ou o Primeiro-ministro entregam diplomas frente às câmaras da televisão e muitos dos que vêm não sabem como estes jovens ali chegaram e como vão pagar caro aquele diploma.

sábado, 27 de junho de 2009

Farrah Fawcet

Farrah Fawcet e Michael Jackson morreram no mesmo dia.
Farrah Fawcet morreu com um cancro, o que pode acontecer a qualquer um de nós. Teve uma vida difícil com o companheiro e com o filho. Lutou muito pela vida. E sofreu até ao fim. A comunicação social limitou-se a anunciar a morte e não houve qualquer manifestação de pesar em lado algum. Fica aqui a minha homenagem pelo que ela representou, numa fase da minha vida, com Os Anjos de Charlie.
Michael Jackson, que, lamentavelmente, nunca aceitou o facto de ser preto, tornou-se um produto químico em forma de gente. Tudo nele era “postiço” e um desfecho destes era de esperar. Não se passa impunemente de preto para branco. Mas a ele, todo o mundo rendeu homenagem e os canais televisivos não se cansam de no-las mostrar todas.
Até no dia da morte Farrah Fawcet teve azar.

Lembrei-me de quando morreu Madre Teresa de Calcutá. Foi na altura em que morreu a Princesa Diana. O realce que se deu à morte da Madre Teresa ficou a anos-luz do que aquela GRANDE MULHER merecia. Em compensação durante dias inteiros os canais televisivos encheram-nos de directos, diferidos, repetidos e afins sobre Diana.
Madre Teresa de Calcutá também teve azar no dia em que morreu.
Até para o dia da morte é preciso ter sorte.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Para que servem os professores titulares?

“O secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, assumiu esta tarde, em conferência de imprensa, que não vai ser possível chegar a acordo com os sindicatos dos professores sobre a revisão do Estatuto da Carreira Docente,O secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, assumiu esta tarde, em conferência de imprensa, que não vai ser possível chegar a acordo com os sindicatos dos professores sobre a revisão do Estatuto da Carreira Docente,Ontem, o Ministério formalizou a sua proposta de revisão estrutura da carreira docente, mas não abdicou da divisão em duas categorias. Pedreira reconheceu que esta posição torna inviável um acordo. "Para os sindicatos tudo o que não seja a abolição das duas categorias não é valorizado", disse.” (Público)

Se não há um único cargo na estrutura de uma escola para o qual seja obrigatório o candidato ser professor titular e se o próprio Director, que exerce funções de avaliação de docentes, não tem de ser titular, para que servem os professores titulares?
Mais grave ainda. Agora, a renascida figura do Reitor, mascarada de Director, é quem escolhe todos os professores para todas as Coordenações. A escola está toda na mão de uma pessoa que pode ser compreensiva ou ditadora, ou até não dar uma aula há décadas. O socialismo matou a escola democrática. É precisa dar o mesmo fim ao PS.

domingo, 7 de junho de 2009

Sócrates está a colher o que semeou

Estou contente. A maioria absoluta do PS começou a morer hoje.
Finalmente os professores vão ver-se livres de Maria de Lurdes Rodrigues. VIVA!

Os eurodeputados

Já fui votar. Escolher entre o mau e o péssimo é uma decisão extremamente difícil. Mas, por princípio vou sempre votar.
A bem da verdade, entendo muito bem os que decidem não se deslocar às urnas. Para a grande maioria dos cidadãos, é um escândalo que, numa altura em que nos dizem que estamos em crise, em que nos dizem que não há dinheiro, os deputados europeus vão ganhar o dobro do que ganhavam. A módica quantia de 7665,00 € brutos, sem esquecer todos os outros subsídios. Com a agravante de que a maioria dos eurodeputados portugueses (os outros não me interessam) não teve uma única intervenção durante a anterior legislatura. E ainda dizem que estão lá por Portugal e pelos portugueses. Tretas…
Vamos, portanto eleger 22 portugueses que vão enriquecer à nossa custa. Para quem trabalhou uma vida inteira e ganha uma reforma de miséria, isto dói.

sábado, 30 de maio de 2009

Morreu a escola democrática

Os professores estiveram mais uma vez em luta. Para governos como o que temos e que se julgam donos da verdade e tratam os outros todos como mentecaptos, isto não significa nada. Mas a vida de Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, enquanto governantes, é curta e os professores continuarão nas escolas para sempre.

Disse, aqui há tempos, a Ministra que os professores devem confiar nos seus colegas mais competentes (refere-se aos professores titulares). A Ministra considera que os professores competentes são as titulares. No entanto, o Decreto-Lei nº 75/2008 e a Portaria nº 604/2008 diz que, podem ser opositores ao procedimento concursal para Director de uma Escola tem que obedecer a alguns um requisitos mas nenhum o obriga a ser professor titular. A competência, que a Ministra associa aos professores titulares, cai. Qualquer incompetente, para a Ministra, pode ser Director de uma escola.

Esse Director corresponde exactamente ao Reitor do tempo em que eu andei na Liceu. Acabaram-se eleições nas escolas. O Director é dono e senhor da escola. Tem poderes ilimitados. É o Director que designa todos os Coordenadores da Escola, todos os Coordenadores dos Departamentos curriculares e intervém no processo de avaliação de desempenho do pessoal docente. O Conselho Pedagógico é, assim, escolhido por ele.

Está instalada a ditadura do Director. Morreu a escola democrática. Oxalá ainda possa ser ressuscitada quando os que constituem este Governo estejam no Banco de Portugal ou na Administração de qualquer empresa.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A justiça para os do poder e a justiça para os outros

Assisti, com indignação, à posição tomada pela professora de História de uma escola de Espinho. Atitude inaceitável de uma docente quer pelo conteúdo das palavras quer pelas ameaças que fez aos alunos. Claro que há bons e maus profissionais em todas as profissões. Esta faz parte dos maus profissionais. À professora foi aberto um processo de inquérito e imediatamente foi suspensa pela DREN. Tudo como deve ser. Vai ser tudo averiguado mas, apesar da presunção de inocência, a professora foi suspensa. Preservam-se, assim, os alunos.

O Dr. Lopes da Mota exerceu pressão sobre magistrados do Caso Freeport utilizando o nome do Ministro da Justiça e do Primeiro-ministro e, como a professora, também exerceu ameaças. Não se sabe, nem nunca se saberá se o fez com ou sem conhecimento, ou ordem, dos mesmos. A Lopes da Mota foi, igualmente, aberto um processo de inquérito. Só que, neste caso, a presunção de inocência, leva a que os responsáveis o mantenham no seu posto que, por acaso tem a ver com o processo Freeport. Neste caso, preservar a isenção da Justiça está fora de questão.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Menos uma dúvida

Este ano vou ter que ir votar três vezes. Ter que escolher, por três vezes, entre o mau e o péssimo, é dose. Já tenho dado comigo a pensar onde hei-de colocar as cruzinhas. É que votar eu vou. Só que não sei em quem.

Hoje, os partidos com assento parlamentar vieram dar-me uma ajudinha que eu agradeço. Retiraram-me uma dúvida. Com a votação que hoje teve lugar, nenhum deles terá o meu voto. Já eliminei o PS, o PSD, o CDS, o BE, o PCP e Os Verdes. Bem sei que além do "branco" ainda tenho muitos na lista. Mas, eliminar seis já ajuda.

E estiveram todos os partidos de acordo! Algo nunca visto. Terá sido milagre de S. Nuno Álvares Pereira?

Primeiro, em pré-campanha, os deputados vêm mostrar uma enorme preocupação com o combate à corrupção. Pura demagogia. Hoje votam um caldo óptimo para ela crescer e se reproduzir. E o Alberto Martins, ainda tem a cara de pau de vir dizer que o fizeram para resolver um problema ao PCP. Será que ele pensa que nós acreditamos? Desde quando o PS está preocupado com os adversários. Nem com o povo o elegeu e que ele (des)governa!

Odeio que me tratem como atrasada mental.

domingo, 26 de abril de 2009

Informações incorrectas na página da EDP

(clique na imagem para ler)
Soube que a EDP tinha criado um novo tarifário para a energia eléctrica. Consultei a página www.edp.pt. Lá está um PDF com a página que aqui mostro. Existe um novo tarifário tri-horário que pode ser diário ou semanal.
Analisei os meus consumos, analisei o documento da página da EDP, fiz as contas e achei que deveria alterar o meu tarifário actual para o tri-horário diário.
Como diz o documento, este tarifário aplica-se a todas as potências a partir de 3,45 kVA. Correcto? Então, se a potência contratada comigo é de 6,9 kVA, eu posso pedir alteração para este tarifário.

Telefonei a pedir essa alteração. Pasme-se. A informação que dão é que esse tarifário só se aplica a potências contratadas de 20,7 kVA. Argumentei com o que está no documento que a EDP fornece na sua página e que tem como título “Tarifários 2009”. Não adiantei nada. O cavalheiro que me atendeu disse que esse tarifário deverá ser alargado a outras potências mas, para já só se aplica à potência referida.
Considero lamentável esta postura da EDP. Para uma empresa credível, as informações fornecidas na sua página da internet têm que ser correctas.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Não titulares a avaliar titulares

Os Directores das escolas ou foram já escolhidos ou estão a sê-lo nesta altura. O Decreto-Lei 75/2008 de 22 de Abril e a Portaria 604/2008 de 9 de Julho são os documentos que regem e regulamentam o procedimento concursal para a eleição dos Directores das escolas.
A Ministra da Educação, possivelmente numa noite de insónia, decidiu dar à luz a avaliação dos professores. Mas para essa avaliação precisava definir quais os professores que teriam funções de avaliação perante os seus pares. Assim, noutra noite de insónia, lembrou-se do primeiro concurso para professor titular. A partir daí tinha o cozinhado feito. Elegeu os professores titulares como os “competentes”.
Então, se o Director de uma escola ou agrupamento de escolas vai ter funções de avaliação de professores, aquilo que a lógica diria é que os candidatos teriam que ser titulares. Mas não. A lógica da Ministra é só dela e ninguém a entende. Nem ela possivelmente. Pois é. A legislação referida não deixa a menor dúvida. Um professor não titular, “menos competente” para a Ministra, pode ser Director de uma escola e vai avaliar os professores desse estabelecimento de ensino. E, para não variar na educação, temos mais uma contradição. Vamos ter não titulares a avaliar titulares.
É pena que os portugueses não se apercebam destas contradições. Mas se nem os deputados as conhecem…

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A pensão do Padre Melícias

“O padre Vítor Melícias, ex-alto comissário para Timor-Leste e ex-presidente do Montepio Geral, declarou ao Tribunal Constitucional, como membro do Conselho Económico e Social (CES), um rendimento anual de pensões de 104 301 euros. (…) o sacerdote, (…) tem uma pensão mensal de 7450 euros. (…)
(…)
Com 71 anos, Vítor Melícias declarou, em 2007, ao Tribunal Constitucional um rendimento total de 111 491 euros, dos quais 104 301 euros de pensões e 7190 euros de trabalho dependente. 'Eu tenho uma pensão aceitável mas não sou rico', diz o sacerdote.
Melícias frisa que exerceu funções com 'remuneração acima da média, que corresponde a uma responsabilidade acima de director-geral', no Montepio Geral, na Misericórdia de Lisboa, no Serviço Nacional de Bombeiros e noutros organismos.”
Sérgio Lemos


O Padre Melícias é que franciscano e eu é que levo vida de franciscana? Se a pensão dele é "aceitável", vou já à sopa dos pobres.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A crise e a escola

Ainda não há muito tempo que o Senhor Albino Almeida veio pedir que as escolas estivessem abertas desde o romper do dia até à hora do jantar. Começo por questionar a moralidade dos pedidos da Confap enquanto esta receber dinheiro do Ministério da Educação.
Os pais trabalham ambos e alguns precisam de se ver livres dos filhos o máximo tempo possível. Estes não reivindicam tempo para os filhos. Estes querem é alguém em quem delegar a responsabilidade de lhes educar e vigiar os filhos durante todo o dia. Faço minhas as palavras de Daniel Sampaio “A nível da família, constato muitas vezes uma diminuição do prazer dos adultos no convívio com as crianças: vejo pais exaustos, desejosos de que os filhos se deitem depressa, ou pelo menos com esperança de que as diversas amas electrónicas os mantenham em sossego durante muito tempo. Também aqui se impõe uma reflexão sobre o significado actual da vida em família: para mim, ensinado pela Psicologia e Psiquiatria de que é fundamental a vinculação de uma criança a um adulto seguro e disponível, não faz sentido aceitar que esse desígnio possa alguma vez ser bem substituído por uma instituição como a escola, por melhor que ela seja. Gostaria, pois, que os pais se unissem para reivindicar mais tempo junto dos filhos depois do seu nascimento, que fizessem pressão nas autarquias para a organização de uma rede eficiente de transportes escolares, ou que sensibilizassem o mundo empresarial para horários com a necessária rentabilidade, mas mais compatíveis com a educação dos filhos e com a vida em família.”


Há pais que não ensinam os filhos é ter uma postura correcta adequada às circunstâncias? Remete-se para a escola. Há pais que não ensinam os filhos a respeitá-los e a respeitar os outros? Remete-se para a escola. Há pais que não dão aos filhos educação sexual? Remete-se para a escola. Há pais que não ensinam noções de higiene aos filhos? Remete-se para a escola. Há pais que não ensinam os filhos a mínima noção de civismo? Remete-se para a escola. Tudo contribui para a desresponsabilização dos pais.
Pobres filhos cujos pais consideram que o seu papel termina no dia do parto!

Hoje veio a lume o caso de crianças que apresentam uma alimentação deficiente. Que fazer? Nada mais simples. Remete-se para a escola. A DGS contactou o Ministério da Educação para que as cantinas das escolas estejam abertas mais tempo, incluindo nas férias, a servir refeições equilibradas.
A crise já chegou ao estômago de muitos portugueses. A maioria teve que fazer cortes. Eu fiz os meus. Possivelmente há portugueses que não hierarquizaram os seus problemas e cortaram na alimentação mas não no telemóvel, no pequeno-almoço no café ou na marca das roupas. Mas muitos cortaram na alimentação quando já não podiam cortar em mais nada.
Isto no dia em que se soube que os 4 administradores da Galp ganharam, no ano passado, 4 milhões de euros e tantos, tantos ordenados escandalosos, que não fixei, quando no país se passa fome. É isto a democracia? É isto o socialismo? E é a escola que vai resolver este problema?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Por trás daquela janela...

... estão os deputados, o nosso primeiro e alguns governantes a fazer que fazem. Já tirei o som à televisão porque o tom sobranceiramente ditatorial do PM põe-me os nervos em franja.

Num país que pouco maior é que um quintal, justifica-se que haja 230 deputados? Um terço chegava e sobrava. Bastava que os deputados levassem o seu trabalho full time a sério.

"Não se paga aos deputados o suficiente para que sejam todos apenas profissionais. Quanto às justificações para as faltas, é verdade que a sexta-feira é, em si própria uma justificação, porque é véspera de fim-de-semana. Eu compreendo isso. Talvez esteja errado que as votações sejam à sexta-feira. Não julguemos também que ser deputado é uma escravatura, porque não é, nem pode ser. É preciso é arranjar horas para a votação que não sejam as horas em que normalmente seja mais difícil e mais penoso estar na Assembleia da República". - julgo que são palavras de Almeida Santos.

O que paga aos deputados é isto.
Fiquei a saber que sexta-feira não é um dia normal de trabalho mas "é véspera de fim de semana". Se, para os deputados, é penoso trabalhar à sexta-feira, para os outros trabalhadores também o é. Mas trabalham que não têm outro remédio.
É esta a noção de democracia que têm os políticos.

Razão tinha o meu Pai que dizia que só acreditava em democracia quando lhe provassem que, num cesto com 10 laranjas, dez podres e uma boa, as dez podres valem mais que boa.

terça-feira, 7 de abril de 2009

A palavra de deputado faz fé

E a dos seus concidadãos?

sábado, 4 de abril de 2009

Adivinha

Pinto da Costa foi absolvido no "caso do envelope". Mas alguém esperava o contrário?
O que eu faria com o dinheiro que se gastou!...
Será que Isaltino Morais também vai ser absolvido? Quem adivinha?
Eu sei mas não digo...

segunda-feira, 30 de março de 2009

Pergunto eu

Se todos sabemos como vai acabar a investigação ao caso Freeport, valerá a pena ocupar tantos profissionais e gastar tanto dinheiro nosso?

Pergunto eu

Quando Isaltino Morais, à saída do Tribunal, diz que fugiu ao fisco como todos os políticos, haverá algo a fazer para credibilizar a classe política?

quarta-feira, 18 de março de 2009

Questiono-me

Não falo da crise. Os órgãos de comunicação social bombardeiam-nos com ela a toda a hora. Mas há um assunto que suscita a minha interrogação. O desemprego. Duvido que haja os desempregados que se propalam. Há, sim, milhares a receber o subsídio de desemprego. O que não é a mesma coisa.
Há dias, uns amigos meus quiseram contratar uma empregada doméstica. Ouviram as candidatas e escolheram uma. Quando lhe puseram as condições – ordenado, descontos para a Caixa, horário, … - a dita senhora disse que não queria Caixa porque estava a receber o subsídio desemprego. Eliminaram esta e contrataram outra.
Em quantas casas haverá empregadas que acumulam o seu ordenado com o subsídio de desemprego?

E situações destas são aos milhares.
Há uns meses chamei um canalizador. Depois do serviço realizado apresentou-me a conta. Pedi-lhe a factura. Olhou para mim como se eu fosse um ser raro e disse logo que, então, tinha que acrescentar o IVA. Claro, disse eu. Alegou que não tinha facturas mas que a mesma viria por correio. Como se passaram 15 dias e a factura sem chegar, telefonei a informar que, se não recebesse a factura dentro de uma semana, fazia uma participação. Como não veio, escrevi ao Director Geral de Contribuições e Impostos. Passado dias tinha a factura em causa e um telefonema a saber se o problema tinha sido resolvido.

Quantos portugueses exigem factura de cada vez que fazem um pagamento?

Se todos pedíssemos factura, haveria menos gente a receber subsídios. E esses subsídios são pagos por todos os que declaram os rendimentos do seu trabalho e pagam os seus impostos. Andam os honestos a ajudar os desonestos. Será ou não assim?

sábado, 7 de março de 2009

Magalhanês

Sócrates dirijiu-se a todos noz, com um surrizo de urelha a urelha, para anunssiar a entrega de milhoins de compotadores Magalhães aos noços piquenos. Eles nem cábem em ci de contestes. Básicamente tem um instromento didatico grátiz, ou quasi. Aos pais, vutantes, tambaim câem os queichos de felessidade.
Uma crianssa, pega no prugrama de teisto. Lá está “Acabas-te? Podes fechar-lo e guardar-lo”. Isto é mesmo májico! Depois pega num jogo e lá está “Copía …”. Marabilha! E istu é um instromento didatico pra ajudare as crianssas na escola.
Botem didatico niço!!!
Dis que queim fês a tradossão foi um imigrante que çó teim a cuarta clace. Mas o noço primeiro num tínha ditu que o Magalhães era um compotador sem pur sento portuguêz? Intão o que é que tradoziram?

Tratar assim a nossa linga materna é crime mas desvalorizar completamente o problema, como fez Jorge Pedreira, não o é menos. Que figura triste este Governo fês (parafraseando o Magalhães)!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Calimero

José Sócrates disse hoje que o PS é um partido sem «excluídos, perseguidos ou silenciados». Já me palpitava... Os excluídos, os perseguidos e os silenciados são os cidadãos que não dizem ámen com o PS.
Também fiquei a saber que a comunicação social, e não alguma comunicação social, também está envolvida na campanha negra. Esta calimerice já ultrapassa o aceitável. Talvez Daniel Sampaio conseguisse resolver esta mania da perseguição…
Só lamento que neste país a Justiça não funcione.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Os pequenos déspotas

Sinto-me cada vez mais sem chão nesta sociedade onde o desmoronar de valores chegou ao limite. A instrução que deveria ser dada na escola não faz sentido sem antes ter havido a educação que pertence aos pais e à sociedade.
Os jovens nascem e crescem numa sociedade onde grassa a mediocridade. Onde o sucesso não está associado ao trabalho; os fura-vidas é que vencem. Onde todos se sentem cheios de direitos mas muito poucos olham para os seus deveres. Onde a exigência é uma palavra vã. Onde não compensa ser cumpridor. Onde o crime compensa desde o atestado médico falso ou da fuga aos impostos à irresponsabilidade dos políticos. Onde a corrupção anda à solta. Os exemplos que as crianças e os jovens vêem à sua volta são lamentáveis e não são minimamente educativos.
Depois do 25 de Abril, assumiu-se que tudo traumatizava as crianças e os jovens. Em casa e na escola. Passaram a ser tratados como uns seres esquisitos susceptíveis a traumas pela mais pequena coisa. Nada lhes pode ser exigido mas eles podem exigir tudo. A palavra não deixou de fazer parte do vocabulário dos pais. Aqueles que ainda ousam pronunciar essa palavra, rapidamente a transformam num nim e depois num sim ou num silêncio permissivo. Quem manda em casa são os filhos. Os pequenos déspotas. Não se lhes ensina que há tempos de trabalho e tempos de lazer. Tudo para eles tem que ser a brincar. As novas pedagogias assim o determinam.
As crianças crescem a não dar valor a nada. Tudo o que têm é-lhes dado. Aparece. Sem mais. Nada é conquistado e por isso nada é valorizado. Quando chegam à escola querem uma aprovação ou uma determinada avaliação sem terem feito o esforço necessário para a conquistar. Em casa têm a televisão, o computador, as playstations a que recorrem quando lhes apetece sem qualquer limitação ou regra. Não são habituados, desde pequeninos a ter hábitos de disciplina e de trabalho. Sem uma educação exigente não se formam cidadãos competentes.
Quando eu era miúda, havia uma prenda no Natal. Uma. À qual eu dava um valor incomensurável. Durante meses o meu brinquedo era explorado até à exaustão. Hoje as crianças têm tantos brinquedos que se limitam a rasgar o papel de embrulho e pôr para o lado para rasgar o papel da próxima que voltam a pôr para o lado. Podem-me dizer que os tempos são outros. É verdade. Mas não precisar de se fazer nada para ter tudo, tira o valor das coisas e não é educativo.
Comprava-se uma pasta de couro que durava toda a primária. Hoje têm – exigem – uma mochila, no mínimo, por cada ano escolar. E todo o material escolar tem que ser de uma determinada marca, mais cara evidentemente. Os portugueses não têm a noção das prioridades. Desde o mais humilde cidadão ao mais conceituado membro do Governo. Vemos isso em muitos alunos subsidiados pelos Serviços da Acção Social Escolar que vão para a escola com o seu telemóvel. Vemos isso no que se gasta com coisas não prioritárias nos gabinetes ministeriais ou nas autarquias, ou em tantas obras públicas. Os pais deviam explicar às crianças, desde pequeninas, que se tem o que é necessário, e se pode ter, não o que se quer.
Para não ficarem comprometidas as gerações futuras era necessário agir já. Era preciso que cada um de nós fosse mais exigente consigo e com todos os que se vão cruzando na sua vida.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O casamento dos homossexuais

No frente a frente a que assisti há pouco, na SIC Notícias, Alberto Martins atacou a igreja católica a propósito dos casamentos homossexuais. Encheu a boca para frisar, mais do que uma vez, que à Igreja o que é da Igreja e ao Estado o que é do Estado.
Mas o Estado somos todos nós. Os católicos e os não católicos. Os socialistas e os não socialistas. …

O PS não é o Estado. O PS é um partido político livre de aconselhar os seus filiados e simpatizantes a serem a favor do casamento de homossexuais, apresentando os seus argumentos. Não pode obrigá-los a votar a favor porque o voto, em caso de referendo, é secreto. Aqui, a maioria absoluta não lhe dá o poder absoluto que o PS julga ter. Os socialistas votarão de acordo com a sua consciência.
Mas a Igreja Católica tem igualmente o direito de aconselhar os seus fiéis a votarem não e eles farão o que a sua consciência lhes ditar.


Os que não pensam pela sua cabeça (socialistas, católicos, …) votarão naquilo que lhe mandarem. É uma das desvantagens da democracia.
A democracia é um sistema político que me não agrada, que acho ultrapassado, mas é o menos mau que temos. E em democracia todas as associações legalmente instituídas têm o direito a manifestar a sua opinião sobre qualquer assunto e a convencer, argumentando, os seus seguidores a manifestarem essa mesma opinião.


Senhor Dr. Alberto Martins! A democracia não é só para quando dá jeito. É em todas as situações. E o senhor é um democrata. Ou não?

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Palhaçada

Tive a triste ideia de ver hoje o debate no Parlamento. Sócrates igual a si mesmo. Mantém o meu sorrido sarcástico de quem tudo pode porque tem uma maioria absoluta. Aquele sorriso cínico que me deixa com pele de galinha. Continua a querer convencer-nos que a verdade é uma só e é a dele. Que o Governo que lidera teve sempre uma actuação 100% correcta. Que Portugal está agora a anos-luz (para melhor, claro) do que estava antes dele ter sido eleito. Que o dinheiro da CGD não é dos portugueses. Que temos uma justiça respeitável. Que o caso do BPN só podia ser resolvido como o Governo fez. Que a posição do Presidente do Banco de Portugal foi irrepreensível. Que os partidos da oposição o perseguem. Esta mania da perseguição já rasa o patológico...
Que triste país este em que tive a desdita de nascer.

É no que dá haver maiorias absolutas. O poder corrompe. Sempre e em qualquer instituição.

Suponho que chamar palhaço ao Primeiro-ministro não deve ser um insulto que mereça grande castigo. Afinal Alberto Martins chamou palhaço ao Presidente da República, em 1969, e ocupa o lugar que ocupa. Aliás, o meu Pai fazia parte das individualidades a quem esses insultos foram dirigidos.

Tantos séculos de humanidade e ainda não se arranjou nada melhor do que a democracia. Que diabo de homens constituem esta humanidade!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Haja bom senso, Senhora Ministra!

Há dias chegou-me, por mail, um projecto de Despacho do Ministério da Educação para a contratação de professores voluntários para as escolas. Pensei tratar-se de brincadeira e pedi mais esclarecimento a quem me enviou essa notícia. Hoje deparo-me com a notícia www.educare.pt.

“Professores reformados para trabalho voluntário nas escolas

O Ministério da Educação pretende recrutar professores reformados para, em regime de voluntariado, colaborarem no apoio aos alunos nas salas de estudo, em projectos escolares ou no funcionamento das bibliotecas.

Segundo um projecto de despacho do secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, a que a Lusa teve acesso, as escolas definem no início de cada ano lectivo as suas necessidades, estabelecendo o perfil dos candidatos a recrutar e elaboram um programa de voluntariado.O programa tem a duração de um ano lectivo, sendo renovável por iguais períodos de tempo. O trabalho do professor voluntário implica um mínimo de três horas por semana. (…)”


Para ler tudo clique aqui.

Se esta atitude fosse tomada por um Ministro que tudo tivesse feito pela educação, que tivesse valorizado o trabalho que os professores fazem, e nas condições em que têm de o fazer, eu até poderia concordar.
Mas com esta equipa ministerial, é impensável. Esta atitude do Ministério, nesta altura, é absolutamente inqualificável. Trata os professores por professorzecos, chama-lhes madraços, implementa um concurso para professor titular que envergonha qualquer pessoa de bom senso, enche-lhes os dias com burocracias que nada interessam, atira-lhes para cima toneladas de legislação, impõe-lhes uma avaliação na qual a competência está ausente e tantos, tantos maus tratos. Quatro anos de inferno que levaram milhares de docentes a pedir a aposentação antecipada, a maior parte deles com penalização. E agora quer que eles vão, “de borla”, trabalhar para as escolas?


Só faltava realmente chamar-nos burros. Já não falta mesmo nada.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Escolaridade obrigatória até ao 12º ano

José Sócrates falou mais uma vez. Veio dizer ao país aquilo que qualquer cidadão, inocente ou culpado diria – que está inocente. Confio tanto em José Sócrates como em Isaltino Morais, ou Valentim Loureiro, ou quase todos os outros. Não confio na justiça que, se até hoje levou ao fim algum caso que envolvesse poderosos, os inocentou. Confio tanto nos juízes como nos advogados. Estão lá para ganhar o deles. Deus nos livre de precisar da justiça ou dos serviços públicos de saúde!
Por isso não me interessam as últimas palavras de José Sócrates. Que a corrupção existe, existe. Ninguém, com ordenado de ministro, presidente de Câmara ou qualquer cargo político (excepção feito aos cargos de confiança política como presidente da CGD, director do BP, etc.) enriquece a trabalhar e há milhares de políticos que enriqueceram. Adiante.

Mas, de uma das vezes que José Sócrates falou, levantou a bandeira da escolaridade obrigatória até ao 12º ano. Disso tenho conhecimentos para falar.
O alargamento da escolaridade obrigatória até ao 9º ano já foi há tempo suficiente para se poder fazer uma avaliação dessa medida. Para mim traduziu-se na passagem da quarta classe para o 9º ano.
Alice Vieira disse, no dia 19 de Janeiro de 2009, ao Público: “Eu comecei a ir às escolas há 30 anos, para apresentar o meu primeiro livro “Rosa, minha irmã Rosa” e ia falar com os alunos de 3.º e 4.º anos. Agora vou, exactamente com o mesmo livro falar a alunos dos 7.º e 8.º anos. Alguma coisa está mal. É assustador! Outra coisa assustadora é a utilização da Internet.” Estas palavras só vêem corroborar a minha opinião.
José Sócrates, em campanha eleitoral, enche a boca com o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano. Até me arrepia esta ideia. Assim. Isolada. Vamos mudar a 4ª classe para os 18 anos? Depois é só fazer exames compatíveis com as estatísticas que o Governo quer. E como o povo não quer exigência estará tudo bem.
É tão fácil ser um “bom” Ministro da Educação para o povo e para as estatísticas! Dificil é sê-lo para os jovens deste país.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A postura da DECO

Aqui há tempos, o Governo considerou haver arredondamentos dos juros à habitação cobrados indevidamente. O meu banco comunicou-me que os contratos de crédito se encontravam dentro da Lei em vigor na data de assinatura dos mesmos. Pelo que não há arredondamentos a pagar
Para saber se o meu banco estava a agir conforme a lei, enviei um mail para a DECO que respondeu:
“Na sequência da sua comunicação, e através dos dados que transmitiu, não conseguimos verificar a sua condição de sócio. Nessa medida, agradecemos-lhe que nos dê conhecimento do seu número de sócio através de resposta a este mail e juntando o seu primeiro mail ou, em alternativa, usando a Linha Azul* 808 200 145, de 2ª a 6ª, entre as 9.00 e as 13.00 e entre as 14.00 e as 18.00 (6ªs feiras só até às 17.00).
Agradecendo desde já a sua colaboração, subscrevemo-nos, com os melhores cumprimentos,
O Serviço de Informação da Deco Proteste”
Como não sou sócia, optei pela alternativa de ligar para a linha azul. Estive minutos infindos a ouvir publicidade da DECO e, depois de muita espera veio uma gravação de uma menina pedindo para carregar na tecla 1 se soubesse o número de sócio ou aguardar se não soubesse esse número ou não fosse sócia. Esperei. Mais umas musicas e veio uma menina a quem fiz a pergunta. Respondeu-me que só davam resposta a sócios.
Fiquei sem resposta para a minha pergunta e danada por ter sido ludibriada pela DECO. Se não dão qualquer esclarecimento a não sócios, por que razão, no serviço telefónico de informação, mandam esperar os não sócios? É só para os cidadãos pagarem a longa chamada telefónica? Será que a DECO também tem ligação à PT? Não seria mais honesto, logo no início da chamada, avisar que a linha se destina exclusivamente a sócios?
Claro que, de uma empresa destas, nunca serei sócia.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Era... mas já não é.

Os deputados Alegres deixaram cair a máscara e votaram a mesma suspensão da avaliação dos professores em sentido contrário ao da última vez. Se calhar, parafraseando Augusto Santos Silva, foram chamados à pedra.
Os Alegres querem estar de bem com Deus e com o Diabo. A política e os políticos que temos são estes. Sem valor e sem valores.

Enquanto eu fazia as rabanadas e os sonhos, Santana Castilho escrevia:

"Era mas já não é. O que é?

Era necessário observar aulas de professores avaliados, mas já não é. Só a pedido, para quem aspire a ser muito bom ou excelente.
Era necessário observar três aulas, mas já não é. Duas chegam, a pedido.
Era o coordenador que avaliava os colegas de departamento, mas já não é. Agora pode vir alguém de fora, rigor científico protegido.
Era muito importante cumprir objectivos previamente definidos, mas já não é. Os resultados escolares e as taxas de abandono deixaram de contar.
Era necessário fazer reuniões entre avaliadores e avaliados, mas já não é. Basta que estejam de acordo.

Era um processo para todos, mas já não é. Ficam de fora os contratados para determinadas áreas tecnológicas e artísticas, não pertencentes aos grupos de recrutamento, e os que se reformarão até 2011. Tudo somado, uns belos milhares.
Era preciso desdobrar um monte de fichas numa montanha de parâmetros para chegar a uma avalanche de itens, mas já não é. Caiu o número quê bê.

O que é? A saga da avaliação do desempenho no seu melhor, a política a descer ao charco. A juventude socialista foi para a porta das escolas doutrinar os alunos com manifestos apelativos. Nos jornais, os de distribuição gratuita incluídos, em prática antes nunca vista, publicam-se anúncios, pagos com o dinheiro dos nossos impostos, para arregimentar o pagode. Os endereços electrónicos dos professores, facultados para outros fins, protegidos pela ética da protecção de dados, ora mandada às malvas, são usados pelo Ministério da Educação, para manipular e pressionar. A remuneração complementar dos futuros directores das escolas, os peões que a visão napoleónica de Sócrates começa a colocar no terreno, subiu quase 50 por cento. Aos saltimbancos da profissão acenou-se com um generoso aumento de vagaspara o próximo concurso. O que é? A investida do Governo para dividir e desmobilizar os professores, no sentido de esvaziar a greve marcada para 19 de Janeiro.

Já aqui escrevi que a avaliação é um epifenómeno menor de uma política desastrosa para a qualidade da educação. Neste conflito, já perdeu o país. Já perderam os alunos. Já perdeu o Governo, o primeiro-ministro e a ministra da Educação. Podem agora perder os professores se não perceberem, como classe com responsabilidade social particular, que é a dignidade deles e a qualidade da escola pública que estão em jogo.
Talvez possamos ser indulgentes para com os pobres que vendem o voto por electrodomésticos distribuídos porta a porta. Mas não esperem os professores indulgência se cederem às primeiras facilidades e aceitarem sinecuras sem princípios.…"


Vieram as ameaças aos professores que recusem a avaliação, com processos, e aos Conselhos Executivos, com demissão. Os Conselhos Executivos, futuras Direcções, que já estavam, na sua grande maioria, de cócoras perante a Ministra, agora não vão querer perder os brutais aumentos das suas remunerações complementares. Associar o poder pelo poder, a um outro poder (o de compra) e, ainda por cima sem ter horário lectivo ou tê-lo reduzido, é ouro sobre azul. Assim a Ministra compra as direcções das escolas...
Coitados dos professores que não puderam reformar-se! Agora têm que lutar contra uma série de Ministros - a central e os locais.

"A violência, seja qualquer for a maneira como se manifesta, é sempre uma derrota"
Jean-Paul Sartre

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Obrigada Senhor Primeiro-ministro

Obrigada Senhor Primeiro-ministro por ter criado as condições para termos passado um Natal com sol.
Obrigada Senhor Primeiro-ministro por ter criado as condições para que a prestação da minha casa vá baixar.
Obrigada Senhor Primeiro-ministro por ter criado as condições para nem todos tenham passado o Natal com gripes ou viroses.
Obrigada Senhor Primeiro-ministro por ter criado as condições para que, apesar da tosse, eu tenha podido fazer as rabanadas e os sonhos.
Obrigada por tudo, Senhor Primeiro-ministro. Que Deus faça por si o que o Senhor tem feito pelos portugueses. Principalmente pela educação dos portugueses.

Era uma vez…

- Meninos, Vamos a comer a sopa! – ordena a mãe
- Mas a sopa está estragada, dizem os filhos
- Mas quem manda aqui sou eu. Por isso, comam a sopa.
- Mas a sopa não se pode comer como está.
- O pai e eu já vos mandámos comer a sopa.
A mãe e o pai acabaram por provar a sopa e verificaram que estava efectivamente estragada. Mas já tinham dado ordem para comer a sopa e assumir que estavam errados ao mandar os filhos comer uma sopa que tinha azedado, era, para eles, perder autoridade e isso nunca. Quem mandava ali eram eles. Eles eram os ditadores.
- Realmente a sopa não presta e amanhã faço uma sopa boa mas só a comem se comerem a estragada hoje.
- Mas nós não queremos comer esta sopa estragada.
- Então vamos pôr um pouco de mel na sopa para tirar o gosto do azedo.
- Mas esta sopa vai fazer-nos mal.
- Paciência. Ponham também um bocadinho de caril na sopa que passa a ter outro sabor.
- Mas nós não conseguimos comer esta sopa.
- Quem comer esta sopa, depois come um assado, feito agora, que está uma maravilha.
- Mas nós não comemos esta sopa estragada.
- Quem comer a sopa, pode comer depois um prato de mousse de chocolate.
- Mas esta sopa está intragável.
- A sopa está estragada mas deixar de comer a sopa está fora de questão. O pai e eu já mandámos comer esta sopa e quem manda aqui somos nós. Não esqueçam isso.
- Nós não vamos comer uma sopa que já todos vimos que está estragada. – reclamam os filhos.
- Quem comer esta sopa, amanhã tem direito a um gelado.

(a história está neste pé… não sei como acaba…)
Mãe – Maria de Lurdes Rodrigues
Pai – Sócrates
Filhos - Professores

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Carta Aberta à Ministra da Educação

Excelentíssima Senhora Ministra da Educação

Ao fim de três décadas e meia de docência, as políticas educativas do Governo do meu país levaram-me a pedir a aposentação antecipada e com penalização. Fugi da escola pública de hoje. A escola do facilitismo, da mediocridade, da desautorização dos professores, da desumanização, da irresponsabilidade, das estatísticas, da entrega dos deveres aos professores e dos direitos aos alunos,… Não foi para esta escola que dei tantos anos da minha vida. Nem foi assim que pensei terminar uma longa carreira de que gostei muito.
De Amarante a Matosinhos passando por Lisboa, Figueira da Foz, Porto, Espinho, Bragança, Marco de Canavezes, Vila Real, Barcelinhos, Penafiel, Famalicão e S. Pedro da Cova, ajudei a formar milhares de jovens. Foram muitos quilómetros percorridos quando não havia uma única auto-estrada. Mais do que uma vez tive que me sujeitar a ver as minhas três filhas pequeninas apenas aos fins-de-semana para ir, para longe, ensinar os filhos dos outros. Sem nada que me ajudasse a suportar as despesas. Tudo isto fiz com muito sacrifício mas muito gosto. Durante anos e anos amei o que fiz.
Para minha actualização frequentei mais de 50 acções de formação/seminários quer na área de informática, quer na minha área específica.
Fui Directora de Instalações, Representante de Disciplina, Delegada de Grupo, Directora de Turma, Vice-presidente do Conselho Executivo, Presidente do Conselho Administrativo, Representante de Área Disciplinar, Coordenadora de Departamento, Responsável pela Sala de Estudo, Presidente da Assembleia de Escola.
Leccionei todos os níveis de ensino desde o 5º ao 12º ano.
Orgulho-me do trabalho que sempre desenvolvi apesar do desânimo aumentar ano após ano. Nunca aspirei aos prémios que o Ministério atribui anualmente. Os meus prémios são as mensagens que recebo dos meus ex-alunos.
“Boa tarde professora, Não sei se ainda tem esta conta de email activa, mas espero que sim. Eu sou o seu antigo aluno Eduardo …, fui seu aluno de química no ano lectivo de 2004/2005, não sei se ainda se lembra de mim. Eu estou a acabar o meu curso na faculdade, estou já no ultimo ano e sou finalista, como tal, temos a tradição de assinar as fitas e eu gostava que a professora me assinasse a fita, uma vez que a considero a melhor professora que tive até hoje, pois sempre acreditou em mim e fez todos os possíveis para me ensinar, não só a matéria correspondente a sua disciplina, mas também a ser um homem decente. Para além de excelente professora, foi também uma grande amiga, que é algo que muitos professores não são e por isso gostava que me desse a honra de me assinar a fita. A minha queima das fitas é já esta semana e tenho de ter as fitas no dia 27, por isso peço resposta a este email o mais rápido possível, caso a professora não possa assinar-me as fitas antes dessa data, não há problema, assina depois pois o que conta para mim é que a fita seja assinada, independentemente da data. Gostava também de lhe pedir um favor…
Peço desculpa pelo incómodo e espero atentamente uma resposta.
Beijos e abraços, do seu antigo aluno e amigo,
Eduardo …”

Ou como esta recebida há dias quando chegou a minha aposentação.
“Soube ontem ao último tempo que a professora tinha recebido a carta da reforma. Vou ser sincero, fiquei muito triste por perder uma das melhores professoras de sempre.Paciente, simpática, honesta, humilde.... são muitas das características que a professora tem.A escola perdeu uma das melhores professoras ao serviço.Pessoalmente n estou triste por perder uma professora mas sim estou triste por ter perdido uma grande amiga que me ajudou sempre.Toda a turma ficou um bocado triste (embora querendo disfarçar através de sorrisos e risos), pois tem a consciência que vai ser difícil substituir uma professora como a s'tora.Diz-se que ninguém é insubstituível, mas a professora é das poucas pessoas que não podem substituídas por nada deste mundo.Aqui está á minha despedida muito humilde, não é que desejaria dar á professora pois o que lhe queria dar está para além dos meus alcances.Só deixo votos de felicidade e desejos que um dia nos voltemos a encontrar.Muitos beijos e abraços:Bruno …”
Pelos Eduardos, pelos Brunos e por todos os alunos que já me passaram pelas mãos, e que me atribuíram “medalhas”, aguentei enquanto pude. Agora, acabou.
Numa quinta-feira de Novembro fui chamada para uma substituição. Não havia plano de aula. A professora em causa tinha acabado de receber a sua aposentação antecipada e com penalização. Uma professora que já estava na escola quando para lá fui e eu estive lá 20 anos. Dirigi-me à sala de aula. Estavam os (talvez) 28 alunos de uma turma do 7º ano que não conhecia. Muitos choravam e diziam "A Professora M. era nossa amiga. Ensinava bem e ajudava-nos muito".

Estes alunos só conheciam esta professora desde meados de Setembro.Em contraste com isto, a professora estava num sino. Irradiava felicidade e até as lágrimas lhe vieram aos olhos de tanta alegria. Finalmente estava livre do inferno que se vive hoje nas escolas. Analisando esta situação, só se pode concluir que algo está errado. Uma pessoa que dedicou uma vida ao ensino, uma professora de quem os alunos gostam ao ponto de chorar a sua saída, abandona a profissão de uma vida sem tristeza e com penalização na sua reforma. A debandada é geral e os que estão a sair são os mais experientes.
Vi e ouvi, com tristeza e uma revolta imensa, as posições inqualificáveis de membros do Governo perante a manifestação de 85% dos docentes do meu país. Não consigo aceitar que me apelidem de chantagista com uma leviandade sem nome. Não sou sindicalizada nem filiada em nenhum partido. Sempre pensei pela minha cabeça, disse o que penso, escrevi o que disse e assumi o que escrevo. Durante anos escrevi uma crónica mensal num semanário e insurgi-me contra a avaliação em vigor na altura. Realmente tinha que ser substituída. Mas por uma melhor, o que não é o caso. A mobilização que se conseguiu em Março e em Novembro não foi conseguida pelos sindicatos. Eles não têm capacidade para tal. A internet e o telemóvel são hoje os melhores meios de mobilização. A Senhora Ministra conseguiu, pela primeira vez, unir os professores e pô-los em contacto permanente uns com os outros.
O dia a dia de um professor é inimaginável por quem não o vive, como é o caso da Senhora Ministra. Pede-se aos professores que sejam, para além de transmissores de conhecimentos, mães, pais, psicólogos, assistentes sociais, amigos, ...
“Os professores têm, cada vez mais, à sua frente um conjunto de órfãos de pais vivos.” – uma verdade que li aqui há tempos.
Mas pede-se mais. Pede-se aos professores que apliquem um ensino individualizado a turmas com 28 alunos num número de aulas que não chega para leccionar os conteúdos programáticos estupidamente extensos. Pede-se o impossível. “Dar aulas, de facto, é tão simples como falar trinta e cinco línguas ao mesmo tempo ou cantar sozinho uma partitura para trinta e cinco vozes”. (Bernard Houot)
Para esta super-escola eram precisos super-homens e super-mulheres e isso só existe na banda desenhada.
“Nós somos como somos, com altos e baixos. Com momentos de entusiasmo e momentos de quebra. Com rasgos de génio e sombras travessias do deserto. E ninguém poderá nunca tornar-nos perfeitos. Se nos pedem para sermos perfeitos é, pois, abusivamente porque o sistema que se encontra acima de nós não o é.” (Bernard Houot)
Que posso eu exigir de um aluno que vive com uma mãe com problemas mentais que lhe diz que o odeia e que o quer matar? E de uma jovem que chega às aulas da tarde sem ter comido absolutamente nada? E de uma jovem que vive, a meias com a mãe, com outro homem que não o pai? E de uma criança que dorme na sala e só pode descansar quando os pais resolvem deitar-se? E da jovem que fica a trabalhar no café dos pais até às tantas da madrugada? E poderia ficar aqui um tempo infindo a pôr a nu as situações com que os professores se debatem. Esta é a escola real. Uma escola cheia de problemas cuja resolução compete ao Estado mas com os quais os professores vivem diariamente. Estes jovens não podem ter o rendimento desejável mas, pressionar o professor a passá-los, não lhes resolve os seus problemas. Como não lhes resolve os seus problemas um computador oferecido pelo Governo. Ou o TGV. Ou um novo aeroporto na capital. Mas quem pode manda e define as prioridades que entende. Não são as minhas e não as entendo.
Para juntar a tudo isto, a Senhora Ministra elaborou um modelo de avaliação perfeitamente inaceitável. Diz a Senhora Ministra que os professores devem confiar nos seus colegas mais competentes (refere-se aos professores titulares) mas quem lhes atribuiu essa competência foi a Senhora Ministra ao pôr em prática o mais escandaloso dos concursos – o primeiro concurso para professor titular. “Há coisa mais injusta do que uma avaliação que não premeia o mérito?” – perguntou um dia destes a Senhora Ministra. Claro que não. Mas, pergunto eu, há maior injustiça do que o primeiro concurso para professor titular? E foi com base neste concurso, eivado de injustiças e arbitrariedades, que foi construído este modelo de avaliação. Sobre alicerces podres. Por mais voltas que lhe dêem, será sempre um modelo de avaliação em que a competência estará ausente.
Para o acesso ao cargo de professor titular não era preciso ser competente em nada. Bastava ter tido muitos cargos entre 1999 e 2006. Por que razão foram escolhidos estes anos e não todo o percurso dos docentes? Só a Senhora Ministra sabe. No meu caso, professora do topo de carreira, a Senhora Ministra deitou-me, pura e simplesmente, ao lixo mais de 25 anos da minha carreira. Consegui, apesar disso, ser provida como professora titular. Por acaso, como todos, e não por mérito, como gostaria. É a isto que a Senhora Ministra chama justiça? É a isto que a Senhora Ministra chama competência? Este concurso criou nas escolas situações inaceitáveis.
Um professor com 100 pontos, numa Área Disciplinar, ascende a professor titular e, na mesma escola, outro professor com 140 pontos, numa outra Área Disciplinar, não o consegue.
Um professor do 10º escalão que tenha exercido todos os cargos possíveis numa escola antes de 1999 mas que entre 1999 e 2006 foi apenas professor, por melhor que tenha sido, não ascende a professor titular.
Um professor do oitavo escalão que, por exemplo, por não ter horário na sua Área Disciplinar, integrou um cargo no Conselho Executivo mesmo que o tenho exercido sem competência, foi provido como professor titular.
Neste momento, este último professor pode ser avaliador do anterior.
Um professor que foi orientador de estágio pode vir a ser avaliado pelo seu avaliando de estágio, desde que o segundo tenha conseguido ascender a professor titular e o primeiro não.
Mas o descalabro a que a educação chegou não se limita a estes problemas.
A Lei 3/2008 de 18 de Janeiro é uma perfeita aberração. Trata da mesma maneira um aluno que falta por doença e outro que falta porque lhe apetece. No Despacho do domingo, dia 16 de Novembro de 2008, a Senhora Ministra, mais uma vez remete as culpas para os professores quando diz “que a adaptação dos regulamentos internos das escolas ao disposto no Estatuto do Aluno nem sempre respeitou o espírito da Lei, permitindo dúvidas nos alunos e nos pais acerca das consequências das faltas justificadas designadamente por doença ou outros motivos similares.” A lei é clara pelo que não é aceitável estar no despacho “Tendo em vista clarificar os termos de aplicação do disposto no Estatuto do Aluno…”. Sejamos honestos, o Despacho altera a Lei, se é que juridicamente isso é possível.
O Programa Novas Oportunidades é outro embuste. Por aquilo que vejo, e pelas pressões das DREs para aprovar todos os alunos dos Cursos de Educação e Formação, dos Cursos Profissionais e Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, estão a qualificar-se milhares de analfabetos. Será isto que o país precisa, Senhora Ministra?
Segundo a Senhora Ministra, a implementação das aulas de substituição, que tanta polémica gerou, hoje faz-se confortavelmente. Engano, Senhora Ministra. Os professores que conheço, e são muitos, fazem-no porque a tal são obrigados mas fazem-no sem o mínimo de conforto e com o máximo descontentamento dos alunos.
O ambiente que se vive nas escolas é de uma tensão imensa. O desalento e a desmotivação são gerais e o clima de medo está instalado. E ainda vai piorar quando aparecer a figura do director prevista na lei.
O que se fez da escola pública? Como se pode ter toda uma classe profissional desmotivada? Eu saio sem conseguir perdoar a este Governo o ter-me roubado o prazer que eu tinha em exercer a profissão que escolhi. Nestes últimos anos foi muito penoso ir trabalhar. Muito penoso, mesmo.

Maria da Graça Pimentel

9 de Dezembro de 2008

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Professores em greve

Numa crónica minha, publicada num jornal semanário em Julho de 2005, escrevi:

“Não foi com optimismo que vi ser escolhida a Dra. Maria de Lurdes Rodrigues para o Ministério da Educação. Tinha duas razões: uma objectiva e outra subjectiva. É professora do ensino superior, estando portanto a anos-luz da realidade do ensino que tutela e tem os lábios finos, estando assim no grupo de más pessoas que já cruzaram a minha vida.”

Infelizmente não me enganei. O tempo provou que esta Senhora não conhece minimamente a realidade dos estabelecimentos de ensino não superior. Em questão de maldade superou, de longe, todas as outras más pessoas que comigo se cruzaram.
Nesse ano foi marcada a greve aos exames do 12º ano. Não concordei com essa greve e não fazia tensões de aderir. Mas, nessa altura, a Ministra impediu-me de não fazer greve. Requisitou civilmente os professores para os exames. Esta não lhe perdoo. Impediu-me de não fazer greve.
Hoje faria greve sem a menor hesitação. Infelizmente já não posso. A minha aposentação antecipada e com penalização chegou. A Senhora dos lábios finos roubou-me o prazer que eu tinha em exercer a profissão que escolhi. Ao fim de 36 anos de docência vi-me forçada a sair. Esta também não lhe perdoo. A Ministra está preocupada com o abandono dos alunos; não dos professores. E a debandada é geral.
Este Governo desesperado, depois de tentar defender, de uma maneira esfarrapada, este modelo de avaliação, optou por uma persuasão agressiva. Escrever a todos os professores sensibilizando-os para esta avaliação e chamar os professores socialistas fazendo deles seus parceiros na mentalização dos seus colegas. É possível que alguns tenham sido convencidos mas a grande maioria ainda pensa pela sua cabeça. Curioso que eu recebi duas mensagens: uma da DGRHE e outra da Ministra sendo que o Outlook enviou esta última para Junk e-mail. Correcto. Publicidade. Enganosa.

A minha solidariedade para todos os professores que hoje estão em luta e de luto. Luto pela morte lenta a que este Governo votou a escola pública.

A todos os que ainda não conseguiram ver isso, o tempo provar-lhes-á que os professores estão com a razão toda.
Será tarde demais.

domingo, 30 de novembro de 2008

Competência das professores

Diz a Ministra que os professores devem confiar nos seus colegas mais competentes (refere-se aos professores titulares) mas quem lhes atribuiu essa competência foi a própria Ministra ao pôr em prática o mais escandaloso dos concursos – o primeiro concurso para professor titular. E foi com base neste concurso, eivado de injustiças e arbitrariedades, que foi construído este modelo de avaliação. Sobre alicerces podres. Por mais voltas que lhe dêem, será sempre um modelo de avaliação em que a competência estará ausente.

Para o acesso ao cargo de professor titular não era preciso ser competente em nada. Bastava ter tido muitos cargos entre 1999 e 2006. Por que razão foram escolhidos estes anos e não todo o percurso dos docentes? Só a Ministra sabe. No meu caso, professora do topo de carreira, a Ministra deitou-me, pura e simplesmente, ao lixo mais de 25 anos da minha carreira. Consegui, apesar disso, ser provida como professora titular. Por acaso, como todos, e não por mérito, como gostaria. Será aceitável que a competência seja medida por pontos adquiridos primeiramente pelo exercício, bom ou mau, de cargos? É a isto que a Ministra chama competência? Este concurso criou nas escolas situações impensáveis.

Um professor com 100 pontos, numa Área Disciplinar, ascende a professor titular e, na mesma escola, outro professor com 140 pontos, numa outra Área Disciplinar, não passa a professor titular. A medida da competência variou de escola para escola e, na mesma escola, de Área Disciplinar para Área Disciplinar.
Um professor do 10º escalão que tenha exercido todos os cargos possíveis numa escola antes de 1999 mas que entre 1999 e 2006 foi apenas professor, por melhor que tenha sido, não é professor titular.
Um professor do oitavo escalão que, por exemplo, por não ter horário na sua Área Disciplinar, integrou um cargo no Conselho Executivo mesmo que o tenho exercido sem competência, foi provido como professor titular.
Neste momento, este último professor pode ser avaliador do anterior.
Um professor que foi orientador de estágio pode vir a ser avaliado pelo seu avaliando de estágio, desde que o segundo tenha conseguido ascender a professor titular e o primeiro não.
E querem que eu considere aceitável este sistema de avaliação?

Seis meses sem democracia

A DGRHE e a Minsitra enviaram-me, no mesmo dia duas mensagens iguais.
Nada me liga a Manuela Ferreira Leite, muito pelo contrário, mas tanto alarido se fez, nomeadamente as palavras inaceitáveis de Alberto Martins, quando, afinal, os "seis meses sem democracia" já começaram.

"Exmo.(a) Senhor(a) Professor(a)

Prestam-se as seguintes informações relativamente ao processo de avaliação de desempenho dos docentes:

Um modelo de avaliação de desempenho que não prejudica nenhum professor

Com a classificação de Bom, para a qual não existem quotas, estão garantidas condições para uma normal progressão na carreira.
As classificações de Excelente e Muito Bom aceleram o ritmo da progressão.
Neste ciclo avaliativo eventuais efeitos negativos decorrentes das classificações de Insuficiente ou Regular estão suspensos e sujeitos a confirmação posterior.

Assim, este modelo protege os professores, dando-lhes condições mais vantajosas que à generalidade dos funcionários públicos, que não adquirem automaticamente condições de progressão com classificações isentas de quotas. Neste período transitório existe uma vantagem adicional para os professores, que decorre da não aplicação de efeitos das classificações negativas.

O que é, afinal, a avaliação de desempenho docente?
Este modelo de avaliação respeita a especificidade da função docente e o nível de qualificação que o seu exercício exige, ao contrário do que sucede com a larga maioria dos trabalhadores da administração pública - incluindo o pessoal não docente, que há dois anos é avaliado em todas as escolas.
É por isso que a avaliação do desempenho dos professores contempla duas vertentes e, consequentemente, é efectuada por avaliadores distintos:
- a avaliação funcional, que é assegurada pelo director ou presidente do conselho executivo e contempla dimensões inerentes ao desempenho de qualquer profissão, tais como o cumprimento dos objectivos individuais, a assiduidade, o cumprimento do serviço lectivo e não lectivo, a participação na vida da escola, entre outros.
- a avaliação científico-pedagógica, que é efectuada pelos professores coordenadores do respectivo departamento curricular ou outros professores titulares em quem tenha sido delegada a competência de avaliação, que são em regra os professores mais experientes.
Para que esta seja efectivamente uma avaliação de desempenho, e não uma análise documental baseada em registos administrativos, é fundamental, na vertente científico-pedagógica, a observação directa do desempenho em sala de aula.
É por esta razão que, embora esta vertente tenha sido tornada transitoriamente voluntária, ela permanece obrigatória para a atribuição das classificações que distinguem o mérito (Muito Bom e Excelente).

A avaliação dos professores e os resultados escolares dos alunos

Foi tomada a decisão de não considerar o parâmetro que avalia o contributo dos docentes para progresso dos resultados escolares e para a redução da taxa de abandono, na sequência, aliás, da recomendação do Conselho Científico de Avaliação de Professores, que considera a necessidade de uma maior consolidação técnica a este nível.

Esta medida decorre, fundamentalmente, da percepção de que se trata de um dos elementos de mais difícil operacionalização, dando, em muitas escolas, origem a instrumentos de registo e indicadores de medida muito complexos e induzindo uma forte carga burocrática, contribuindo, assim, para a simplificação do processo, que poderá prosseguir normalmente em todas as escolas.

Ministério da Educação"

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Saí

Eu faço parte dos professores que abandonaram.
(a imagem foi publicada não sei quando nem onde mas guardei-a no meu computador)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Inaceitável

Agora, que uma maioria significativa de escolas aprovou uma moção pedindo a suspensão deste modelo de avaliação, a Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação está a enviar por correio electrónico esta "mensagem" aos professores. Esta foi enviada ontem.
Esta atitude é tanto mais condenável quanto a legislação não permite que os documentos sobre a avaliação de qualquer docente sejam do conhecimento dos técnicos da DGRHE.
Isto tem um nome mas é tão feio que nem o escrevo.

O meu endereço de correio electrónico não deve constar na DGRHE...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Clarificar ou alterar?

Expliquem-me, como se eu fosse ministra, se o despacho de ontem vem clarificar ou alterar a lei 3. Para mim a lei 3 é clara e é alterada com o despacho.

Lei n.º 3/2008 de 18 de Janeiro
Artigo 22.º
Efeitos das faltas
1 — Verificada a existência de faltas dos alunos, a escola pode promover a aplicação da medida ou medidas correctivas previstas no artigo 26.º que se mostrem adequadas, considerando igualmente o que estiver contemplado no regulamento interno.
2 — Sempre que um aluno, independentemente da natureza das faltas, atinja um número total de faltas correspondente a três semanas no 1.º ciclo do ensino básico, ou ao triplo de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos 2.º e 3.º ciclos no ensino básico, no ensino secundário e no ensino recorrente, ou, tratando -se, exclusivamente, de faltas injustificadas, duas semanas no 1.º ciclo do ensino básico ou o dobro de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos restantes ciclos e níveis de ensino, deve realizar, logo que avaliados os efeitos da aplicação das medidas correctivas referidas no número anterior, uma prova de recuperação, na disciplina ou disciplinas em que ultrapassou aquele limite, competindo ao conselho pedagógico fixar os termos dessa realização.
3 — Quando o aluno não obtém aprovação na prova referida no número anterior, o conselho de turma pondera a justificação ou injustificação das faltas dadas, o período lectivo e o momento em que a realização da prova ocorreu e, sendo o caso, os resultados obtidos nas restantes disciplinas, podendo determinar:
a) O cumprimento de um plano de acompanhamento especial e a consequente realização de uma nova prova;
b) A retenção do aluno inserido no âmbito da escolaridade obrigatória ou a frequentar o ensino básico, a qual consiste na sua manutenção, no ano lectivo seguinte, no mesmo ano de escolaridade que frequenta;
c) A exclusão do aluno que se encontre fora da escolaridade obrigatória, a qual consiste na impossibilidade de esse aluno frequentar, até ao final do ano lectivo em curso, a disciplina ou disciplinas em relação às quais não obteve aprovação na referida prova.
4 — Com a aprovação do aluno na prova prevista no n.º 2 ou naquela a que se refere a alínea a) do n.º 3, o mesmo retoma o seu percurso escolar normal, sem prejuízo do que vier a ser decidido pela escola, em termos estritamente administrativos, relativamente ao número de faltas consideradas injustificadas.
5 — A não comparência do aluno à realização da prova de recuperação prevista no n.º 2 ou àquela a que se refere a sua alínea a) do n.º 3, quando não justificada através da forma prevista do n.º 4 do artigo 19.º, determina a sua retenção ou exclusão, nos termos e para os efeitos constantes nas alíneas b) ou c) do n.º 3.

Despacho de 16 de Novembro de 2008
Considerando que a adaptação dos regulamentos internos das escolas ao disposto no Estatuto do Aluno nem sempre respeitou o espírito da Lei, permitindo dúvidas nos alunos e nos pais acerca das consequências das faltas justificadas designadamente por doença ou outros motivos similares
Considerando que o regime de faltas estabelecido no Estatuto visa sobretudo criar condições para que os alunos recuperem eventuais défices de aprendizagem decorrentes das ausências à escola nos casos justificados
Tendo em vista clarificar os termos de aplicação do disposto no Estatuto do Aluno, determino o seguinte:
1 – Das faltas justificadas, designadamente por doença, não pode decorrer a aplicação de qualquer medida disciplinar correctiva ou sancionatória.
2 – A prova de recuperação a aplicar na sequência de faltas justificadas tem como objectivo exclusivamente diagnosticar as necessidades de apoio tendo em vista a recuperação de eventual défice das aprendizagens.
3 – Assim sendo, a prova de recuperação não pode ter a natureza de um exame, devendo ter um formato e um procedimento simplificado, podendo ter a forma escrita ou oral, prática ou de entrevista.
4 – A prova referida é da exclusiva responsabilidade do professor titular de turma, no primeiro ciclo, ou do professor que lecciona a disciplina em causa, nos restantes ciclos e níveis de ensino.
5 – Da prova de recuperação realizada na sequência das três semanas de faltas justificadas não pode decorrer a retenção, exclusão ou qualquer outra penalização para o aluno, apenas medidas de apoio ao estudo e à recuperação das aprendizagens, sem prejuízo da restante avaliação.
6 – As escolas devem adaptar de imediato os seus regulamentos internos ao disposto no presente despacho, competindo às Direcções Regionais de Educação a verificação deste procedimento.
7 – O presente despacho produz efeitos a partir do dia seguinte à data da sua assinatura.

sábado, 8 de novembro de 2008

A galinha dos ovos de ouro

Depois de ver 120.000 professores na rua contra uma avaliação de desempenho idiota, injusta, burocrática e geradora de conflitos inimagináveis, a Ministra veio à televisão dizer, rindo (por que se ri agora uma mulher que nunca soube rir?) dizer que procura salvaguardar os interesses públicos. E julgava eu que a aprendizagem dos alunos era um interesse público!
Disse, também, que a avaliação era para cumprir porque está na lei e as leis são para cumprir e que os avaliados devem confiar nos professores mais experientes.
Mas não disse que quem decretou quem eram os professores mais experientes foi ela com o mais escandaloso dos concursos – o concurso para professor titular. Um professor com 36 anos de serviço, com mestrado ou doutoramento pode vir a ser avaliado por um professor bacharel que entre 2000 e 2007 fez parte do Conselho Executivo. Para Maria de Lourdes Rodrigues a competência é medida pela quantidade (não qualidade) de cargos que ocupou entre 2000 e 2007. A razão por que foi escolhido entre prazo só é do conhecimento da ministra. Podemos conjecturar à vontade.
Disse, ainda, que a única coisa que se pede aos professores é que preencham uma ficha com duas páginas com os objectivos individuais. Se a mentira pagasse imposto, Portugal resolveria todos os seus problemas orçamentais com os impostos desta senhora.
O número de pedidos de aposentação de professores aumentou, em relação a 2007, 35% e muitos destes pedidos correspondem a aposentações antecipadas e com penalização. Será que isto também não significada nada?
Definitivamente esta mulher não vai lá nem com um desenho…
Repito o que já venho a dizer desde 2001. “ O ensino privado é a galinha dos ovos de ouro”.

O que fizeram da escola!

Segunda-feira, às 14:15 h fui chamada para uma substituição. Não havia plano de aula. A professora em causa tinha acabado de receber a sua aposentação antecipada e com penalização. Uma professora que já estava na escola onde lecciono quando para lá fui e eu já lá estou há 20 anos.
Dirigi-me à sala de aula. Estavam os (talvez) 28 alunos do 7º B que não conhecia. Muitos choravam e diziam "A Professora M. era nossa amiga. Ensinava bem e ajudava-nos muito".
Estes alunos só conheciam esta professora desde meados de Setembro.
Em contrate com isto, a professora estava num sino. Irradiava felicidade e até as lágrimas lhe vieram aos olhos de tanta alegria. Finalmente estava livre do inferno que se vive hoje nas escolas.
Analisando esta situação, só se pode concluir que algo está mal. Uma pessoa que dedicou uma vida ao ensino, uma professora de quem os alunos gostam ao ponto de chorar a sua saída abandona a profissão de uma vida sem tristeza e com penalização na sua reforma.
Como foi possível deixar que estas situações acontecessem? A debandada é geral.
Eu também espero, mais dia menos dia, a aposentação que pedi, também antecipada e também com penalização. Dediquei 36 anos da minha aos jovens e às escolas por onde andei. Nunca pensei "fugir" antes do tempo. Mas tenho andado a assistir às exéquias do ensino público. Quando chegar o funeral, desculpem, eu não quero estar lá.