sexta-feira, 3 de julho de 2009

Os números de Sócrates

Quando Sócrates faz os elogios às suas políticas desta legislatura, vem sempre com a diminuição brutal do abandono e insucesso escolar, com os milhares de pessoas que adquiriram qualificações através das Novas Oportunidades, do RVCC e com a diminuição das faltas dos alunos.
Os números que Sócrates e a sua Ministra divulgam são verdade mas vamos ver em que se baseia essa verdade. Hoje debruço-me sobre os Cursos Profissionais e os Cursos de Educação e Formação.
Em 1989 foram criadas as Escolas Profissionais vocacionadas para a formação de técnicos intermédios de nível III. Surge uma alternativa de formação de nível secundário. As Escolas Profissionais merecem toda a minha consideração por terem tido a capacidade de ultrapassar todos os obstáculos que foram surgindo, acabando por conseguir que, dentro do Ensino Secundário, o Ensino Profissional conseguisse os melhores resultados escolares. O facto de as Escolas profissionais serem, na sua maioria, pequenas, terem uma organização pedagógica baseada numa autonomia flexível e inovadora e uma grande ligação às empresas, à comunidade e às instituições, permite um acompanhamento mais personalizado e um maior sucesso escolar. Claro que há Escolas Profissionais a funcionar mal mas, a grande maioria funciona muito bem. O saber acumulado pelas Escolas Profissionais, exemplo de boas práticas, deveria ter sido passado para as escolas públicas para, com tempo, estas se prepararem para oferecer também cursos profissionais. As Escolas Profissionais por si só, não têm possibilidade de formar os técnicos de que o país precisa. O princípio em que baseia o Programa das novas Oportunidades nada tem a ver com o ensino clássico. Os professores das escolas públicas tinham necessidade de formação e as escolas de instalações e equipamentos. Não foi esse o entendimento do Governo. As estatísticas sempre falaram mais alto. No ano lectivo 2004/2005 implementou-se o ensino profissional em algumas escolas públicas. No ano seguinte, pelo menos na DREN, as escolas foram obrigadas a abrir Cursos Profissionais e Cursos de Educação e Formação mesmo que desconhecessem em absoluto o espírito, as exigências e o perfil de saída dos alunos destes cursos. Depois foi alargado, exponencialmente e de uma maneira atabalhoada a oferta voluntária “à força” de cursos profissionais nas escolas públicas sem que as mesmas tivessem tido a preparação necessária no que se refere a recursos humanos e materiais. Mas este Governo vive de metas que cumpre a qualquer preço.
“O Governo propunha-se atingir a meta de, em 2010, ter metade dos alunos do secundário a frequentar a via qualificante e, actualmente, à entrada no 10º ano, já alcançámos o objectivo", afirmou Maria de Lurdes Rodrigues, em declarações à agência Lusa, a propósito das comemorações públicas, que se iniciaram em Janeiro. (Imprensa, 4 de Janeiro de 2004).
E assim temos milhares de Cursos Profissionais e Cursos de Educação e Formação em escolas públicas de qualidade mais do que duvidosa. Incentiva-se e autoriza-se a abertura de qualquer curso em qualquer escola sem que as DRES verifiquem se as escolas possuem as condições para a sua leccionação. Temos, por exemplo, um Curso Profissional de Controlo e Qualidade Alimentar numa escola que não tem uma cozinha, um frigorífico, um fogão e uma série de equipamentos necessários ao tratamento de alimentos. Exemplos como este são aos milhares. Ou seja, as escolas desenrascam fingindo que leccionam um curso eminentemente prático. Em muitas escolas temos mais do mesmo com outro nome.
Tenho um amigo que tem um restaurante/bar e já me disse que quando lhe aparece um candidato a cozinheiro, empregado de mesa/bar ou técnico de cozinha/pastelaria com um curso profissional tirado numa escola pública, nem perde tempo. A resposta é logo não. A experiência mostrou-lhe a diferença entre a formação dos alunos qualificados pelas escolas públicas e pelas escolas privadas.
Realmente os números que o Governo propagandeia são correctos. Temos milhares de analfabetos qualificados a quem a Ministra ou o Primeiro-ministro entregam diplomas frente às câmaras da televisão e muitos dos que vêm não sabem como estes jovens ali chegaram e como vão pagar caro aquele diploma.

6 comentários:

JOSÉ MODESTO disse...

Parafraseando uma célebre frase : " Porque no te Callas Sócrates ????.

Saudações Marítimas
José Modesto

Graça Pimentel disse...

José Modesto
Ele não se pode calar porque tem que mostrar sempre que se sente o centro do mundo. Complexos de inferioridade nunca resolvidos...

Um abraço

JOSÉ MODESTO disse...

Recomenda-se um novo estágio...na Moderna!!!

Saudações Marítimas
José Modesto

heretico disse...

sem intervenção directa na área dói ler texto como este. mas em verdade por todo as areas da governação o clima é o mesmo.

a minha admiração pelo desassombro.

beijo

Graça Pimentel disse...

José Modesto
Boa recomendação.

Beijo

Graça Pimentel disse...

heretico
Eu vivi isto tudo. Eu fugi disto tudo.
Paguei com a penalização da reforma mas recuso-me a pactuar com esta bandalheira que os portugueses não vêm ou não querem ver.

beijinho