
Já não temos médicos portugueses para nos atenderem nas urgências. Estamos agora e pagar o resultado da contínua cedência à classe profissional que mais lutou pelo seu feudo. E que sempre o conseguiu. A contínua limitação das entradas para medicina, tinha que ter o seu preço e cá estamos nós a pagá-lo.
Começou a aumentar a procura da língua espanhola para os nossos jovens irem tirar o curso de medicina em Espanha. E os médicos portugueses têm os seus postos nos hospitais públicos em part-time e os seus lucros chorudos nos consultórios no outro meio tempo. A classe médica foi sempre muitíssimo favorecida. É a única que tem o seu emprego garantido no final do curso e a que tem aumento de ordenado se optar por trabalhar em regime de exclusividade. Algo que foi muitíssimo útil (não sei ainda assim é) para passar uma vida inteira a trabalhar no público e no privado e, a meia dúzia de anos do fim da carreira, pedir e exclusividade para garantir uma maior reforma.
Em 2004, a Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior sugeriu que o acesso a todos os cursos de Medicina e Medicina Dentária públicos fosse sujeito a uma prova nacional de acesso cujo peso na nota de candidatura ao ensino superior será de 50%. Depois de testada essa ideia foi, pura e simplesmente abandonada. Perguntei a um aluno meu que estava em medicina (depois de ter concluído o curso de enfermagem) o que pensava dessa prova “Concordo e acho que uma prova como essa devia existir para todos os cursos. Era uma garantia que entravam os melhores para a área específica a que se candidatavam. No entanto na experiência feita, a média nacional andou à volta de 7. Por uma questão de imagem não querem implementá-la. A média de acesso a Medicina passava a ser mais baixa do que muitos outros cursos. Eu acho que para o acesso a cursos da área da saúde era necessário, além de uma prova que testasse conhecimentos, a realização de provas, isentas e transparentes, que avaliassem as qualidades humanas do candidato. Não nos podemos esquecer que nestes cursos trabalhamos com pessoas. Pessoas que, ainda por cima, estão fragilizadas. É a saúde das pessoas que está em jogo.” Que bom seria se houvesse muitos médicos a pensar assim!
Os médicos são imprescindíveis mas Deus nos livre de precisar deles.
4 comentários:
Linda gp
Um dia, com mais tempo, conto-te os detalhes deuma história minha, real, em que, por motivos que agora não importa, estive na mesma noite na urgência de 2 hospitais. Como no primeiro já estava fechado o serviço que me poderia resolver o problema, para me facilitar a vida, fui pelos meus meios para a urgência do 2º hospital que teria esse serviço aberto. Pois bem... tinh apassado mais tempo... na 2º urgência o caso teve uma cor menos grave que na 1ª. Sabes a sorte? O caso, sendo de ir à urgência, não era grave...
beijinhos
:)
olá, mdsol!
Esta história foi completada com uma segunda ida à urgência do Centro de Saúde dois dias depois. Agora que parei com os medicamentos todos estou bem melhor...
Odisseias em urgências devem ser aos montes.
Beijinho
Vou poupá-la à história da minha ida ao Centro de saúde de urgência e ao cenário do mesmo. Contudo fui muito bem atendida. Por acaso a minha médica de família é quem me atendeu. Foi giro.
Abraço
gaovota maria
Quase todos têm uma históris deste tipo para contar.Se pudessemos recolher todos os casos anedóticos passados nas urgências e Centros de Saúde, teríamos um livro cómico-trágico.
Um dia conto aqui para que serve a minha médica de família. É de gritos...
Beijo
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