sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Já lá vai o tempo...

Fui visitar o Museu da Carro Eléctrico, no Porto, que, inadmissivelmente, não conhecia. No sarrabiscos podem ver as fotografias de eléctricos desde 1872.
Além dos veículos, o Museu tem as fardas dos motoristas e revisores, os bilhetes da época, instrumentos vários e as instruções fornecidas aos funcionários.
Essas instruções estão aqui. Peço desculpa pela qualidade das fotografias mas os documentos estão envolvidos em plástico e dentro de estantes de vidro. De qualquer maneira dá para ler.

A sensação foi de nostalgia e de perda.
Nostalgia por ver, como objecto de museu, tanta coisa que conheci com "vida própria". Perda por ler palavras que, infelizmente, sairam dos dicionários dos portugueses: discreto, atencioso, zeloso, correcção, bom senso, delicadeza, respeito, paciência, bons modos, simpatia, ajuda, ...
"... manchar a reputação do STCP." A preocupação de incutir nos trabalhadores do STCP o respeito pela reputação da empresa é espantosa. Onde é que uma empresa, hoje, exige aos seus funcionários semelhante coisa? Os funcionários estão-se "nas tintas" para a empresa e os empresários estão-se "nas tintas" para os seus funcionários. Vive-se exclusivamente para o "ter".

Ontem, à vinda de Barcelos, vinha a ouvir a TSF no rádio do carro. Ouvi uma entrevista com o visconde de "qualquer coisa" sobre o livro "Sermão ao meu sucessor". Lamentava o referido senhor, a perda de alguns valores dos quais ele salientou o "bom gosto" e o "bom senso". Eu acrescentaria a "boa educação" (não instrução, que essa está morta; falta enterrar). A família, primeira responsável pela educação, é uma instituição em crise profunda. Nem sei se em extinção... Revezes do progresso...

8 comentários:

mdsol disse...

Os tecnocratas marqueteiros agora chamam a estas "coisas" básicas de boa educação, compostura e cortesia, "cultura de empresa" e falam de imagem (estás a ver? só o lado de fora das coisas) target, e coisas extraordinárias como se tivessem descoberto a pólvora para venderem melhor sabonetes. E, afinal, só tentam atingir o comum dos mortais nos seus instintos e aspectos mais básicos.!

Oh Graça...que tu "espicaças-me"! Desculpa se me alongo!
beijinho e
(espero que estejas a ter um booooommm passeio)
:)

Graça Pimentel disse...

mdsol
Espicaçar uma pessoa como tu é um desafio imperdível.
Há valores perdidos que eu acho, lamentavelmente, irrecuperáveis. O mundo dos meus netos aflige-me de sobremaneira.

O passeio foi maravilhoso, pelo menos para mim. Um sábado em grande.

beijinho

Gaivota Maria disse...

Quando quiser completar este passeio com os netos vá mais à frente, à Alfândega, ver o Museu das comunicações e transportes. Aliás quando eu fui ao dos Eléctricos, com o meu João e um amigo dele, tivemos direito a um bilhete de viagem até à Foz e de lá para a Alfândega e regresso a Massarelos. Assim vimos os dois museus. Mas vá com tempo porque é extremamente interessante. Até para nós. Eles andariam na altura pelos 8 anos e eu acabei a portar-me ao nível daquela idade. Não perca

Graça Pimentel disse...

Nunca lá fui. Até começarem as aulas ainda tenho muitos dias com eles. Vou aproveitar a sua sugestão. Realmente lá deram-nos um andante que pode ser usado durante 24 horas.

Anónimo disse...

As gaivotas andam por todo o lado são uma praga,ihihihih1!


traço

Graça Pimentel disse...

traço
Andam mais junto ao mar... e sujam tudo...
eu estou mais longe...

Anónimo disse...

Não andam não,isso é que se engana.E há sempre uma que comanda o bando.E as outras vão voando,lá barulho fazem mas continuam no grupo e por vezes"tramam" alguma.


traço

Graça Pimentel disse...

Se calhar tem razão, traço, mas nem quero pensar nisso. Estou de férias.