domingo, 27 de julho de 2008

Derrapagem da Ponte Europa

O Tribunal de Contas disse, em 2004, que a obra da Ponte Europa, hoje Ponte Rainha Santa Isabel (?) foi adjudicada por 38,65 milhões de euros. A obra ficou em 111,3 milhões", o que representa uma derrapagem de 288%.
António Laranjo, o anterior presidente da Estradas de Portugal propôs, no ano passado, ao Governo que arquivasse o processo de apuramento de responsabilidades pela referida derrapagem. O Governo diz, agora, que "Não se afigura desejável nem adequado o arquivamento do processo".

O IEP, apesar de dispor de relatórios do Tribunal de Contas, da Inspecção Geral das Obras Públicas (IGOP) e de uma sociedade de advogados que já indiciavam responsabilidades, nunca retirou as devidas consequências. Os documentos criticam decisores políticos, projectistas, o consórcio Somague/Novopca e o dono da obra - JAE, ICOR e IEP. O IGOP considera "um caso exemplar de como não promover, projectar e construir uma obra pública".

No entanto, eu concordo com António Laranjo. Arquive-se. Para quê investigações? Os portugueses pagam a ponte, que isso sim, acontece sempre e deixemo-nos de teatros. Para quê gastar dinheiro se, todos sabemos, neste país a culpa morre sempre solteira? Ou já alguém viu algum decisor político, projectista, Somague/Novopca, JAE, ICOR e IEP ser condenado?

6 comentários:

mdsol disse...

Há qualquer coisa de sinistro nestas derrapagens que não consigo entender. Até porque os técnicos têm instrumentos para calcular o preço da obra tendo em conta algunsimponderáveis que provavelmente irão acontecer (1). Sem diminuir a culpa dos políticos que normalmente pressionam e ... com fins eleitoralistas ou outros, acho que há um "grupo" de gente que engloba técnicos e quejandos que também deixam muito a desejar seja do ponto de vista técnico como ético. Ou seja... a incompetência e a falta de escrúpulos alarga-se a mais gente que não estritamente aos políticos. Acho que há um grupo "pardo" que nunca aparece nem é culpabilizado que verdadeiramente lucra com este estado de coisas!
:(

Graça Pimentel disse...

mdsol
Não duvides. A "ladroagem" anda por todo o lado.
Mas estão todos a encobrir-se uns aos outros e nunca ninguém é responsabilizado por nada. E cá estamos nós, que não somos donos dos nossos bolsos, para eles virem tirar quanto queiram.
Esta sensação de impotência, deixa-me louca.
Que é que nós podemos fazer para resolver estes problemas além de manifestarmos a nossa indignação? Tens alguma ideia?

Beijinho

mdsol disse...

Minha linda:

Ideias há...mas a prática depois torna-se muito difícil. Só vejo mudanças com efeitos a médio prazo. Passam pelo exercício continuado e atento da cidadania. Que desembocará no que chamam a democracia participativa! Organização em rede de cidadãos que se ligam perante problemas concretos e agem, intervêem, propoêem... exigem...Mas nós não temos esses hábitos nem mesmo o savoir-faire. Esgotados os fervores "revolucionários" que se exerciam no contexto da organização política tradicional, falta fluidez no modo como poderiamos potencializar o poder e o dever de intervir fora do quadro mais tradicional dos partidos. De qualquer modo acho que a situação geral (mesmo mundial) anda à beira da ruptura.
Oh minha linda....se eu tivesse uma varinha de condão!
beijinho

Graça Pimentel disse...

mdsol
Nesse aspecto tenho a minha consciência tranquila. Por correio electrónico, reclamo, sugiro, aponto soluções. Ao Presidente da República, ao primeiro-ministro, aos grupos parlamentares, à ministra da educação, aos representantes dos juízes, dos advogados, ao presidente da câmara, às presidências da PT, CTT, dos bancos,... e sei lá que mais. A minha voz não tem peso nenhum e possívelmente a quase totalidade das minhas mensagens tem como destino a tecla delete. Mas a minha consciência fica tranquila.
A bem da verdade devo dizer que apenas o Bloco de Esquerda me responde sempre.
Se estam entidades recebessem milhares de mensagens, o peso era evidentemente outro.

Agora perecebes a razão da minha fama de refilona...

beijinho

mdsol disse...

Pois, mas essas iniciativas individuais mais do que meritórias (eu também faço a minha quta parte...) têm de ter uma dimensão colectiva para alcançarem resultados mais consistentes. Não falo de grandes organizações! Falei até de uma organização em rede, que seria muito facilitada agora com as novas tecnologias...(por exemplloo)
:))

Graça Pimentel disse...

mdsol
Que tal começarmos nós? Criar a dita organização em rede para alertar as consciências dos cidadãos para os problemas que os afectam muito directamente e que só serão resolvidos se a sociedade civil se unir e actuar.

Fica a sugestão

beijinho